Em carta CNBB intensifica convocação para o 29º Grito dos Excluídos e Excluídas

A carta assinada pelo bispo de Brejo(MA) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransfomradora da CNBB, dom José Valdeci Santos Mendes, relembra a trajetória histórica da mobilização e incentiva o apoio em nível local, regional e nacional.

Carta de Apoio ao 29º Grito dos Excluídos e Excluídas 2023

Senhores (Arce) Bispos, Religiosos (as), Agentes de pastorais e Lideranças!

O Grito dos Excluídos e Excluídas chega ao seu 29º ano, com força e disposição renovadas, como fruto do gesto concreto da 2ª Semana Social Brasileira – “Brasil: Alternativas e Protagonistas”. O primeiro Grito aconteceu em 1995 com o lema: A Vida em Primeiro Lugar!, tendo como referência a Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema era “Fraternidade e Excluídos”.

Em 1996, a 34ª Assembleia Geral da CNBB, Itaici/SP, 17 a 26 de abril, determina que “O Grito dos Excluídos será celebrado anualmente, em nível nacional, no dia 07 de setembro, retomando preferentemente o tema da Campanha da Fraternidade” (Documentos da CNBB 56, nº 129).

Nos anos que seguiram, VIDA EM PRIMEIRO LUGAR! se torna o tema permanente do Grito e nos coloca o desafio e a possibilidade de reconstrução do país. Reconstrução que vai além de atender as demandas tão urgentes com políticas públicas, seja de combate à fome, à violência contra o povo preto e pobre nas periferias, contra os povos indígenas, à violência contra as mulheres e à população LGBTQUIA+. Mas que passa também pelo respeito aos territórios indígenas e quilombolas e pela garantia dos direitos à moradia digna, reforma agrária e urbana, ao trabalho, à educação, saúde, cultura e lazer. Reconstrução que, sobretudo promova o fortalecimento da democracia e da soberania e aponte para a construção de um projeto de sociedade onde a economia esteja a serviço da vida.

O lema do 29º Grito dos Excluídos e Excluídas 2023 nos indaga e nos convida a refletir “VOCÊ TEM FOME E SEDE DE QUÊ?”, abrindo a possibilidade de enraizar nossa escuta cada vez mais. Adentrar pelos becos e favelas no campo e na cidade para, em mutirão, respondermos a essa pergunta e ao mesmo tempo buscar soluções.

O Grito, enquanto construção coletiva, nos ensina que só com a participação popular, de baixo para cima, é que podemos discutir e encontrar as soluções.

Nesses 29 anos do Grito dos Excluídos e Excluídas continuamos lutando para que a vida esteja sempre em primeiro lugar. E para isso nossa fome e sede de justiça precisam ser saciadas com a fartura e a generosidade que nosso povo tanto nos ensina.

E que, num grande Mutirão pela Vida, somado aos mutirões da 6ª Semana Social Brasileira mobilizados pelas Igrejas, pastorais, organismos, movimentos populares e pessoas de boa vontade, possamos defender e garantir os direitos dos pobres e marginalizados. É marca histórica do Grito, desde seu início, a defesa da democracia e da soberania dos povos!

Convidamos a todos e todas a apoiarem e assumir o 29º Grito dos Excluídos e Excluídas em nível local, regional e nacional. Que o Grito desperte em nós a indignação contra toda forma de injustiça e violência contra a vida e fortaleça a esperança e a unidade na construção do Reino de Deus que começa aqui agora e na luta pelo Bem Viver e da Terra Sem Males.

Dom José Valdeci Santos Mendes
Bispo de Brejo/MA
Presidente da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransfomradora/CNBB

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

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