Entrevista Giorgio Trucchi: Os processos sociopolíticos da Mesoamérica no contexto do golpe de Estado em Honduras

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Giorgio Trucchi, correspondente da Rel-UITA para a América Central, é pesquisador e jornalista que acompanha os processos sociopolíticos da região há mais de 20 anos.

Considera que o golpe em Honduras, não foi apenas um golpe contra o Presidente Zelaya e sua suposta e nunca comprovada intenção de ser reeleito (a Constituição o proíbe), mas contra o processo de unidade e integração latino-americana e dos povos e seu principal instrumento, a ALBA (do qual Honduras fazia parte), além de Honduras ser um laboratório que serviu para afinar novas formas de golpes suaves e o vimos nos anos seguintes no Paraguai, Equador e Bolívia (tentativas fracassadas) do Brasil, e nos ataques desestabilizadores contra a Venezuela, Cuba e Nicarágua, que também contribuíram para o reposicionamento político-militar dos EUA na região mesoamericana.

Para Trucchi foram momentos muito intensos, de muita mobilização e participação cidadã, onde se percebeu a real possibilidade de que um povo espontaneamente em resistência pudesse fazer história com as próprias mãos, refundado a um país através de um processo constituinte surgido do povo, foram meses em que tudo foi possível e onde organizações da sociedade civil, movimentos sociais, populares e políticos, sindicatos, estudantes e a população em geral souberam deixar de lado as diferenças e se unir para um objetivo comum, sacudindo grupos factuais nacionais. Ele considera que foi uma experiência profissional e humana muito enriquecedora.

Giorgio reitera que Honduras foi um laboratório para estudar e refinar novas formas, menos violentas e sangrentas que as do século passado, para dar golpes a governos não alinhados com as políticas de Washington e que compartilhavam e compartilham a ideia de que na América Latina existe a possibilidade de ter outros tipos de relações e intercâmbios políticos, econômicos e sociais entre nações e povos e que isso foi o começo de uma série de ataques cada vez mais fortes contra governos progressistas e de esquerda, onde os instrumentos de criminalização e judicialização foram aperfeiçoados para acabar com essas experiências. Mas foi também o início de uma nova ofensiva contra os povos e movimentos organizados, bem como contra instâncias internacionais, como Unasul, Celac, Alba, Petrocaribe, que promovem a integração e o desenvolvimento da América Latina e do Caribe, posicionando-se como uma alternativa ao Ministério das Colônias (OEA).

Em sua opinião, os movimentos sociais continuam a desempenhar um papel fundamental em termos de propor um modelo diferente daquele imposto pelas forças imperiais do mundo e que, em Honduras, se aprofundou após o golpe, já que este golpe foi uma medida extrema para impor o neoliberismo, a precarização do trabalho, a privatização e o extrativismo; também para apagar qualquer tentativa de procurar outro modelo onde organizações sociais e povos desempenhassem um papel muito importante na defesa da terra e dos bens comuns.

Ele acaba dizendo que: “Se hoje em Honduras eles tiveram que recorrer à fraude eleitoral, corrupção e chantagem, à repressão e os assassinatos, como o de Berta Cáceres, para permanecer no poder, é porque o golpe também gerou anticorpos importantes na sociedade e uma mobilização significativa tanto no nível político como social¨


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