Entrevista Jorge Tadeo Vargas: Os 10 anos do golpe em Honduras no contexto da região mesoamericana

Jorge Tadeo Vargas, Pesquisador e Coordenador do Laboratório de Pesquisa em Desenvolvimento Comunitário e Sustentabilidade (México), membro da Rede Jubileu Sul/Américas, compartilha suas reflexões sobre as implicações do Golpe de Estado em Honduras em junho de 2009, no contexto da região mesoamericana, bem como o papel das organizações sociais.

Jorge Tadeo afirma que desde o golpe de estado até hoje, o cenário mesoamericano vem piorando, porque o modelo extrativista tem se fortalecido, como resultado das políticas neoliberais praticadas em Honduras e que foram aprofundadas em todos os outros países.

Os megaprojetos hidrelétricos, de megacultura, de turismo, tudo isso imposto por uma violência estatal que resultou na criminalização dos movimentos sociais, o assassinato dos líderes mais visíveis, o deslocamento forçado de comunidades inteiras, a privatização da natureza e os territórios.

Do ponto de vista de Jorge Tadeo, o modelo de imposição que tem se dado em Honduras é um experimento por parte do capital que está preparando o terreno, não necessariamente com ações tão descaradas como o que aconteceu naquele país, mas com os mesmos objetivos, não em vão nos últimos dez anos, a violência na região mesoamericana vem aumentando, com mais criminalização, mais assassinatos simultaneamente ao crescimento da privatização dos territórios e da natureza. Honduras tem sido nesses dez anos, o laboratório perfeito do sistema para fortalecer suas táticas de privatização, junto com o endividamento e os acordos comerciais.

Além disso, considera que, sem a participação de organizações sociais, a situação seria ainda mais crítica do que é, porque são precisamente elas que resistem aos ataques do sistema. São as organizações sociais que se opõem e acabam sendo perseguidas, sendo mortas. Da mesma forma, são as próprias organizações que constroem a resistência de diferentes áreas, como é a ação direta quando necessário, as alternativas comunitárias, e a criação dos mecanismos necessários para combater o sistema e sua violência.

 

A presente publicação foi elaborada com o apoio financeiro da União Europeia Seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva do Instituto Rede Jubileu Sul Brasil e Rede Jubileu Sul Américas e não necessariamente reflete os pontos de vista da União Europeia.

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