Grupos produtivos e formação para mulheres geram renda e emancipação

Reunião na comunidade Coliseu 3, em Manaus (AM). Foto: Patrícia Cabral/JSB

Por Patrícia Cabral | Especial para Rede Jubileu Sul Brasil*

A crise econômica deixou as mulheres mais vulneráveis ao desemprego, à moradia precária, à fome e ao aumento da violência doméstica: uma a cada quatro mulheres sofre ou sofreu violência nos últimos 12 meses, em 2022. Com a crise da pandemia, as mulheres foram as primeiras a serem demitidas, perderam direitos fundamentais e muitas não conseguem o sustento de suas famílias, fenômeno chamado de “feminização da fome”: 47% das brasileiras não sabem se vão ter condições de comprar comida para o dia seguinte, segundo dado da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social).

Além disso, um em cada três brasileiros não têm condições dignas de moradia, apontam os dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE). São 54 milhões de pessoas (34,5% da população urbana) em condições de moradia inadequadas, e um déficit habitacional de seis milhões de moradias, segundo a Fundação João Pinheiro.

Para amenizar e propor novos caminhos para tantas mulheres que precisam sobreviver, a Ação Mulheres por reparação das dívidas sociais vem promovendo nos territórios oficinas — artesanato, bordado, crochê, produção de sabão, água sanitária e detergente — para que elas tenham oportunidade de se sustentar financeiramente.

Formação e emancipação

Como parte da iniciativa, a ação também oferece formação com temas específicos à realidade de cada comunidade, para que reflitam sobre seus direitos, entendam e interfiram em suas realidades. Isso tem proporcionado significativa mudança de vida e na situação de vulnerabilidade social das mulheres, fazendo da formação um instrumento de emancipação educacional junto com a geração de renda.

Na comunidade Nova Vida, na zona Leste de Manaus (AM), cerca de 20 mulheres fazem parte da ação, e a partir das formações iniciaram as atividades do grupo produtivo de artesanatos. Mesmo sendo de comunidade indígena, muitas não sabiam confeccionar adereços como colares e brincos. Hoje fazem lindas peças e estão organizando uma feira para exposição dos produtos. As atividades têm feito com que as mulheres reconheçam suas potencialidades, percebam que são capazes de desenvolver algo, ter sustento financeiro e garantir o alimento para suas famílias.

Apoiam ainda no resgate da dignidade e a perspectiva de uma outra ou nova realidade. Paralelamente ao trabalho nos grupos produtivos, a ação acompanha a luta pelo direito delas receberem a documentação de suas propriedades.

Nas comunidades Coliseu 1, 2 e 3, também em Manaus, cerca de 40 mulheres acompanhadas pela ação estão engajadas na produção a partir de óleo reutilizado. Começaram produzindo sabão em barra, hoje já fazem sabão líquido, detergentes, amaciantes e água sanitária. Conseguiram colocar o produto à venda nos mercados da comunidade, estão na fase de criação de uma logomarca e já pensam em uma produção em grande escala.

São oportunidades que se apresentam diante de toda a conjuntura política e crise financeira em que o país vive, permitindo com que essas mulheres não fiquem apenas à mercê de programas oferecidos pelo governo, mas que elas consigam se auto sustentar e tenham emancipação.

As iniciativas da Ação Mulheres por reparação das dívidas sociais contam com apoio do Ministério das Relações Exteriores Alemão, que garantiu ao Instituto de Relações Exteriores (IFA) recursos para implementação do Programa de Financiamentos Zivik (Zivik Funding Program).

As ações também integram o processo de fortalecimento da Rede Jubileu Sul Brasil e das suas organizações membro, contando ainda com apoios da Cafod, DKA, e cofinanciamento da União Europeia.

O conteúdo desta reportagem é de responsabilidade exclusiva da Rede Jubileu Sul Brasil. Não necessariamente representa o ponto de vista dos apoiadores, financiadores e co-financiadores.

*Publicado originalmente na revista Ação Mulheres.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

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