#MulheresTerritóriosdeLuta: resistência pelo direito à água no Chile

Por Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)

Em 2019, após anos de sucateamento da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), um episódio de contaminação da água foi mobilizado como justificativa para mais uma tentativa de privatização do serviço no estado. Aprovado em novembro de 2019 na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4162/2019 que prevê a privatização dos serviços de saneamento básico em território nacional, através da transferência do serviço para a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), encontra-se em trânsito no Senado. A aprovação do PL estabeleceria um novo marco regulatório que pode aumentar a dificuldade do acesso aos serviços, em um país onde apenas 53,2% da população utiliza esgotamento sanitário e 83,6% tem acesso a serviços de abastecimento de água[1].

Próximo de nós, encontramos a experiência chilena onde a água foi privatizada pela ditadura de Pinochet, em 1980. Para contribuir na reflexão sobre o agravamento nas desigualdades gerado pela privatização desse bem comum e tão fundamental à vida, seus impactos sobre as mulheres e outras reflexões da luta ambiental feminista no Chile, damos sequência a série de entrevistas da Campanha #MulheresTerritóriosdeLuta e trazemos uma conversa com Francisca Fernandez, que atua no Movimento por el Água y los Território e na Coordinadora Feminista 8M, no Chile. Francisca participou do terceiro episódio do Ciclo de Debates, que teve como tema “Cuidado coletivo e ancestralidades nas práticas de (re)existência”. O debate está gravado e você o encontra do canal do Instituto Pacs no YouTube. A entrevista foi realizada por Marina Praça, coordenadora e educadora popular, e Yasmin Bitencourt, pesquisadora e educadora popular, ambas do Instituto Pacs.

Pacs: Francisca, conta para gente um pouco da sua atuação na luta ambiental e pela água no Chile?

Francisca: Sou parte do Movimiento por el Agua y los Territorios (MAT), que criamos em 2013. Uma vez por ano há um encontro organizado por uma ONG, o Observatorio Latinoamericano de Conflictos Ambientales (OLCA), que se chama AguAnte la Vida, no qual distintos territórios vão contando seus conflitos socioambientais, pensando também em como geri-los. Nesse encontro dissemos: necessitamos criar um movimento social cujo um dos eixos principais seja a privatização da água no Chile.

A água no Chile foi privatizada com a Constituição de 1980, do ditador Pinochet. Em 1981, criaram um Código de Água que afirma que embora a água seja um bem de uso público, seu acesso se dá através de “direitos de aproveitamento (ou de uso)”. Portanto, esses direitos são literalmente a privatização, que permite comprar, vender, alugar e até hipotecar direitos. Vocês nem imaginam, mas no Chile, nos jornais, há avisos econômicos nos quais se vendem rios completos. É esse nível de atrocidade.

Pacs: E como foi a criação do MAT?

Francisca: Criamos o MAT em 2013 e o interessante é que nessa caminhada pela luta contra a privatização, nessa marcha pela derrogação do Código de Água, fomos assumindo certas perspectivas.

A primeira é uma perspectiva plurinacional. Entendemos que somos povos distintos, organizados pela luta de recuperação da água. De fato, somos mais de 100 organizações, de Arica a Magallanes, todo o Chile, e dizemos que somos plurinacionais porque somos um conjunto de povos, comunidades e territórios – povos originários, afro, imigrantes. Entendemos o rural e o urbano também como distintas comunidades políticas.

Mas, há uns 4 anos, também nos definimos um movimento antipatriarcal – o que entendo como um marco muito importante -, pois consideramos que o extrativismo, a extração ilimitada de nossos bens comuns, como a água, a terra, tinham também um forte caráter patriarcal, já que a forma de explorar a natureza tem sido a mesma que explora o corpo de mulheres e meninas. Além disso, o extrativismo se intensifica sobre as mulheres por conta de precariedades laborais, do não reconhecimento do trabalho reprodutivo do cuidado da vida; mas também somos nós, as mulheres, as mais localizadas nos territórios de resistências. Então, a partir disso é que, há dois anos, as mulheres do MAT, com mulheres de outras organizações, construíram o Comitê Socioambiental da Coordinadora Feminista 8M.

Em outras palavras, a partir de nossa luta territorial socioambiental, nos conformamos enquanto comitê feminista e parte da Coordinadora. Acho muito interessante, porque é outra forma de entender a trajetória feminista. Não uma trajetória feminista focada somente na reflexão feminista, mas uma trajetória que vem da reflexão territorial e que, a partir daí, nos reconhecemos feministas. Tenho companheiras, por exemplo no comitê socioambiental, duas com mais de 70 anos e que se reconhecem feministas há 2 anos a partir da luta ambiental. Então, para nós, foi super poderoso entender essa jornada, que tem sido uma jornada diferente.

Pacs: Vocês fazem uma crítica direta aos megaprojetos e à alguma empresa com nome importante?

Francisca: Sim. O que ocorre é que o Chile é muito extenso (não grande, risos), então podemos dizer que focamos nos conflitos socioambientais segundo cada territorialidade. No norte do país, que é desértico, fronteiriço com Peru e Bolívia, a grande luta é contra a megamineração. Isso não anula que em todo o território chileno haja mineração, mas é no Norte em que há mais conflitos, porque, por um lado, estão as transnacionais explorando o território, mas ao mesmo tempo há uma empresa estatal, Codelco. Então aqui há uma mistura de lutas contra mineradoras como Cerro Colorado, Collahuasi, mineradoras de Codelco, em geral implantadas no território.

Em contrapartida, na zona Centro-Sul também há mineração. Por exemplo, aqui, a mineração complexa é Anglo American, que destrói o território. Mas uma das questões importantes que temos é o agronegócio, a agroindústria, que trouxe problemas com pesticidas, inseticidas e as sementes transgênicas. E, infelizmente, a 40 minutos de Santiago temos o segundo maior celeiro da Monsanto-Bayer da América Latina. Nossa luta é contra a Monsanto-Bayer e também contra empresas, por exemplo, com fazendas de porcos que contaminam todo o território e, nesse ponto, uma emblemática é a Agrosuper.

Já no centro-sul do Chile, há o problema da silvicultura, que é a monocultura de pinho que devastou territórios, expropriou terras e é aí onde se insere, sobretudo, o conflito Mapuche. Temos empresas florestais, a Mininco, que, embora chilenas, são empresas mistas, com capitais nacionais e estrangeiros, e vendas direcionadas à exportação. Tudo é exportação: mineração, agroindústria, indústria florestal. Temos um personagem, Luksic, por exemplo, que está tanto nas empresas de mineração quanto na agroindústria. Mas está, além disso, em outro elemento da repressão territorial: as usinas hidrelétricas. Em algum momento foram empresas grandes, como Endesa (espanhola), mas agora estão em moda as hidrelétricas de parque, que são menores, driblam a avaliação ambiental e estão, igualmente, degradando o território.

Assim, há uma empresa chamada RP Global, que em 2016 foi parte de um conflito em território Mapuche, onde, por fim, uma irmã Mapuche chamada Macarena Valdés foi assassinada. Ela resistia em seu território, na comunidade de Tranquil, sul do Chile, e amanheceu enforcada como se houvesse se matado, enquanto cuidava de seu filho menor e seu marido deixava o outro filho na escola. Mais tarde, fizeram perícia e se comprovou que ela havia sido assassinada e depois pendurada. Logo, tratamos de questões delicadas.

Outra agência do extrativismo feroz no extremo Sul é a salmonicultura, a produção de salmões. Isso também degradou territórios, gerou fontes de contaminação em um lugar muito importante na chamada Ilha Chiloé. Dessa forma, estou tratando de fazer caracterizações territoriais. Há uma mistura, no Norte também há agronegócio e etc. Aponto apenas o mais emblemático nesse percurso.

Pacs: E qual a relação das empresas com o Estado chileno?

Francisca: Algo muito importante a ser sublinhado: no Chile, o reconhecimento constitucional determina que o Estado é subsidiário. O que isso significa? Subsidia empresas privadas para explorar os bens comuns e exportá-los para obter seus próprios lucros, ou seja, um salário. O Estado subsidia essas empresas extrativistas através de decretos, leis e acordos. Por exemplo, temos um decreto-lei 701, por meio do qual o Estado subsidia empresas florestais para incentivar o plantio de monoculturas. Mas, além disso, volto a insistir, trata-se do monocultivo de madeira para exportação, para geração de lucros para essa empresa. Isto é, aqui estamos no extrativismo puro em sua máxima razão de ser, como agente do capital. Portanto, é um Estado subsidiário, um Estado que não assume a proteção da água e de outros bens comuns como um direito humano. Isso é muito importante salientar. Assim, delega tudo, subcontrata tudo e ainda investe nos lucros das empresas privadas. Tudo se relaciona com a Constituição de 1980. Por isso, hoje no Chile estamos nos dando tanto à luta por uma nova constituição via Assembleia Constituinte, porque, na realidade, a Constituição de 1980 é o que nos amarra ao neoliberalismo em todas suas esferas, que possibilita a privatização da água, da saúde, da educação; possibilita a privatização de tudo.

Pacs: E há impactos principais sobre a dinâmica da vida, das comunidades, com o meio ambiente?

Francisca: Sim, absolutamente. Por exemplo, um dos grandes impactos é a migração forçada. Por uma parte a privatização já havia gerado uma migração forçada do campo à cidade, dada à falta de acesso à terra e à água. No Chile, o Código de Água te permite uma coisa monstruosa: a água e a terra estão separadas. Sendo assim, você pode ser dono da terra, mas não dos direitos de água, os quais podem ser comprados por uma empresa. Logo, você vive na sua terra, mas a água pertence a uma empresa. Então há uma migração por conta da pressão, no próprio território, das empresas florestais, da agroindústria e da mineração e, de outra parte, há uma migração forçada oriunda do fato de que, embora você possa ter terra, não tem água, pois outro sujeito a tem monopolizada pelos direitos de água.

E, por outro lado, também aparece uma migração que chamamos “migração extrativista”, que são todos efeitos do despojo e contaminação dos territórios, o que faz com que as comunidades tenham que sair, porque a vida é insustentável; porque é insustentável respirar nesses lugares. Chamamos isso de “zonas de sacrifício”, ontem as chamamos “territórios em sacrifício”, onde há presença, por exemplo, de termelétricas, que matam todo tipo de vida, tudo.  Portanto, essa migração forçada, essa migração extrativista, também está gerando maiores cadeias de pobreza no contexto urbano. Porque, para onde estão migrando? Vão migrando, no contexto urbano, para onde não há política sanitária, onde há superlotação. E atenção! No Chile existem mais de 30 comunas[2] sem água potável. Há mais de 150 com escassez hídrica. Assim, falamos aqui de um problema de saúde pública, para além de uma problemática socioambiental.

Falamos disso agora na pandemia. Uma das principais campanhas da pandemia é para lavar as mãos. Aqui, no Chile, há comunidades inteiras que nem sequer podem fazê-lo, pois não têm água. Nós estamos trabalhando com uma categoria – com que outras feministas já trabalharam, mas estamos recuperando – chamada “soberania sanitária dos povos”. Assim como existe a soberania alimentar, através da agroecologia, das hortas familiares, também buscamos a soberania sanitária, do cuidado, da saúde comunitária. Essa soberania, portanto, é também super importante, porque, no fundo, é ela que, hoje, está permitindo a assistência de comunidades e não o Estado.

Pacs: Como as mulheres estão em meio a esses conflitos, em termos de impactos e resistências? Como você enxerga o patriarcado nesse contexto? E como elas são impactadas, como resistem?

Francisca: São essas contradições: mulheres e meninas – também acontece muito com as meninas – somos as mais expostas ao estrago do neoliberalismo, por conta do que expliquei, mas ao mesmo tempo isso possibilitou que fôssemos as mais mobilizadas. No entanto, ao sermos as mais mobilizadas, também somos as mais criminalizadas. Tem havido um movimento de criminalização, por exemplo, de autoridades espirituais Mapuche que são mulheres, as Machis. Temos muitos casos de Machis presas, justamente por causa da diferença de seus corpos de água, seus rios, como o próprio território Mapuche. Nessa área, então, existe essa contradição, há uma sorte de despertar de consciência, de despertar da luta pelos próprios direitos da natureza, em que água não é nem sequer um direito humano, mas um elemento vital para a manutenção e equilíbrio do ecossistema e, no fundo, a manutenção da própria vida de todos os seres que habitam o planeta. Ao mesmo tempo, esse despertar de consciência gerou uma existência bastante problemática, porque, precisamente: existe uma feminização do extrativismo, mas simultaneamente há uma feminização da luta, o que nos torna mais expostas, por exemplo, à criminalização, mas também a cyberbulling.

Temos um caso, recente, de uma companheira do MAT que estava sendo sistematicamente agredida por whatsapp. Tínhamos um grupo coletivo de informação socioambiental, no qual uns sujeitos entraram e começaram a enviar fotos de pornografia, de arma… E agora, como estamos em quarentena, não nos permitem fazer a denúncia porque essa tem de ser presencialmente. Bizarro! Estamos realizando uma rede de campanha para visibilizar que as defensoras, em quarentena, estão igualmente expostas ao assédio, ao abuso, à intimidação. Dessa forma, o lugar das mulheres é complexo, pois é um lugar em que temos, primeiro, de assumir essa condição de opressão, assumir que o extrativismo nos afeta, e que intensifica-se ao máximo em nós; e assumir que, sendo um lugar de resistência, é onde devemos gerar políticas de cuidado às mulheres e às dissidências sexuais e de gênero.

[1] https://www.brasildefato.com.br/2020/06/22/pl-que-permite-privatizacao-dos-servicos-de-saneamento-pode-ser-votado-nesta-quarta

[2] Uma comuna trata-se da menor divisão administrativa espacial do Chile. Equivaleria aos municípios brasileiros.

CHILE: COMO EN DICTADURA. REPRESIÓN POLICIAL EN LAS POBLACIONES

Debido a los acontecimientos de represión y violaciones a los Derechos Humanos ocurridos en el sector de La Pincoya (Huechuraba), compartimos con ustedes la siguiente declaración realizada por pobladores, pobladoras y organizaciones comunitarias que hacen vida en el territorio

Denunciamos la brutal represión en La Pincoya

Antes los graves hechos de represión ocurridos en las últimas semanas, los pobladores y pobladoras de La Pincoya (comuna de Huechuraba) declaramos lo siguiente:

1 – Desde el 18 de octubre del 2019 los pobladores y pobladoras de La Pincoya hemos debido afrontar graves y sistemáticas violaciones a nuestros Derechos Humanos por parte de agentes del Estado (Ejército, Carabineros y la PDI) solo por el hecho de manifestarnos y luchar por un futuro mejor para nuestra comunidad y nuestras familias.

2 – La violencia injustificada de los organismos represivos se ha manifestado en:

– los ataques con bombas lacrimógenas, perdigones de acero, balines (disparados por pistolas de aire comprimido), postones, piedras y fragmentos de bolitas (canicas) lanzadas con hondas desde el interior de la 54 Comisaría fuera de todo protocolo, afectando a manifestantes, transeúntes y niños y niñas;
– los ataques al SAPU del sector (el que ha sido gaseado más de tres veces con pacientes en su interior) y a las brigadas de primeros auxilios constituidas por vecinos y vecinas para prestar ayuda a heridos y afectados por la represión;
– las bombas lacrimógenas lanzadas intencionalmente a los techos de nuestras casas, con el objeto de provocar incendios, los cuales han estado a punto de consumir por completo algunas de las viviendas afectadas;
– los controles de identidad basados en la mera sospecha discriminatoria, las detenciones injustificadas en contra personas que nada tenían que ver con las manifestaciones, los ingresos ilegales a viviendas en busca de manifestantes y las golpizas a detenidos; como el caso de un vecino que tras ser detenido fue abandonado en Ciudad Empresarial, u otros casos similares donde se les dejó abandonados en lugares alejados;
– los ataques a menores de edad, incluyendo a los estudiantes secundarios y a niños y niñas, que han debido soportar bombas lacrimógenas en sus escuelas, la persecución de vehículos de Carabineros al grito de “corre más rápido o te atropellamos”,  o las amenazas de ser internados en el Sename para no ver más a sus padres;
– los intentos de atropellos a manifestantes, el uso de vehículos policiales con lacrimógenas amarradas para gasear pasajes con y sin manifestaciones y la presencia permanente de drones y helicópteros que atentan contra nuestra salud física y mental y nuestro derecho a la privacidad;

– la misoginia en contra de las mujeres de La Pincoya, a las cuales Carabineros de manera permanente tratan de prostitutas u otros apelativos similares, cargados de sexismo discriminatorio (por decirlo de manera suave) y realizan comentarios denigrantes refiriéndose a su aspecto físico, como su peso, edad, apariencia;
– el robo y/o destrucción de cedulas de identidad y pases escolares, la aplicación de gas pimienta en los espacios públicos para evitar que se reúna la comunidad, el uso de agentes  y vehículos de civil para vigilar y detener a vecinos y vecinas, entre otros ejemplos del accionar represivo.

Lo anterior es una muestra de una realidad cotidiana en los últimos 4 meses y medio y que demuestran que existe una política planificada para acabar con las manifestaciones en La Pincoya a través de la represión y el miedo, es decir, a través de la aplicación del “Terrorismo de Estado”.

3 – En estos meses, los grandes medios solo se han referido a nuestra población para tacharnos de delincuentes e intentar vincularnos al narcotráfico, desconociendo las reales causas del descontento social. Por otra parte, ningún organismo estatal ni internacional de Derechos Humanos se ha hecho presente para escuchar nuestra voz, por lo que los pobladores y pobladoras hemos debido constituir nuestras propias brigadas de Derechos Humanos, estableciendo vínculos y relaciones con grupos de abogados para buscar la orientación necesaria en estos momentos de tanta violencia policial. A lo anterior debemos sumar la existencia de un municipio y un alcalde ausente que ha preferido encerrarse en los sectores acomodados de la comuna, dejando a los y las pobladoras a su suerte. Ni el alcalde, ni la OPD, ni nadie ha hecho nada por resguardar nuestros Derechos Humanos, al contrario, han trabajado de la mano con Carabineros para fortalecer la vigilancia sobre los manifestantes (con las cámaras, por ejemplo), impedir las protestas estudiantiles y fomentar la impunidad represiva (con un SAPU que se ha rehusado en varias ocasiones a completar en los datos el detalle específico de “lesiones provocadas por carabineros” aun cuando las heridas o contusiones son observables a simple vista).

Abandonados por el Estado, el municipio y la institucionalidad en general, los pobladores y pobladoras de La Pincoya resistiremos y seguiremos en las calles peleando por nuestros derechos y hacemos directamente responsables al Presidente Sebastián Piñera, al Ministro del Interior Gonzalo Blumel, al General Director de Carabineros Mario Rozas, al alcalde de Huechuraba Carlos Cuadrado Prats y a los miembros del Consejo Municipal, por todos los abusos, atropellos, maltratos y violaciones a nuestros derechos políticos, sociales y humanos.

¡Ni sus balas ni su represión podrán acallar la voz del pueblo!
¡Seguiremos resistiendo!

Asamblea Movilizada de La Pincoya
Asamblea de Estudiantes y Jóvenes de La Pincoya
Brigada de Primeros Auxilios Luchando Por la Dignidad

Por: Prensa Opal

 

Fuente: Radio Temblor

Telesur: Mujeres chilenas realizan nueva jornada de protestas masivas

Este domingo las mujeres chilenas exigieron el cese de la violencia de género. | Foto: EFE

 

Veinticuatro horas después de la concentración que tuvo lugar en Plaza de la Dignidad, las mujeres chilenas están convocadas a llenar nuevamente las calles de todo el país.

La Huelga General Feminista en Chile se desarrolla este lunes con algunas manifestaciones en Santiago, y otras ciudades del país, previo a una concentraciónmasivaque se realizará a las 11H00 horas locales en la Plaza Italia, rebautiza como Plaza de la Dignidad en la capital chilena..

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En varios puntos de Santiago, contingentes de mujeres realizan manifestaciones, y se han colocado barricas en varios puntos de acceso, mientras el cuerpo de Carabineros han reprimido algunas protestas, de acuerdo con reportes de la prensa local.

La Coordinadora 8M, una de las organizaciones surgidas al calor de las protestas que se suceden en Chile desde octubre pasado y que se encarga de aglutinar los esfuerzos del sector femenino, convocaron para este lunes a una concentración en Santiago y otras ciudades a lo largo del país.

Coordinadora Feminista 8M@Coordinadora8m

[🔴Actividades 9 de marzo en Santiago – La Huelga General Feminista Va! ]

Mañana continúa la Huelga General Feminista! además de la marcha convocada para las 11:00 desde plaza Dignidad, más actividades que son parte de la huelga. Participa!

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La convocatoria busca dar continuidad a la marcha registrada este domingo en varias regiones del país, además de la capital, donde se calcula que 1 millón de personas se concentró en la Plaza de la Dignidad.

La vocera de Pueblo Libre, Victoria Herrera, señaló a La Radio que de esta forma se suman a la huelga feminista para darle visibilidad a las mujeres trabajadoras y exigió que ellas estén incluidas en el proceso constitucional.

La formación de un bloque educacional, una gran marcha, ollas comunes y cacerolazos, son algunas de las actividades previstas para la jornada.

Honorarios Uchile@honorariosuch

Las trabajadoras de la Chile nos sumamos a la huelga feminista. Este lunes 9 de marzo con nosotras. Juntémonos en torre 15 a las 11 horas y salgamos a marchar mujeres y disidencias sexuales✊💜

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El cesede las actitudes patriarcales, el respeto social e institucional a la condición femenina, la igualdad, persecución y castigo a las expresiones de violencia de género, son algunas de las demandas que motivan a las chilenas a ejercer su derecho a la protesta, según declaró Javiera Manzi, vocera de 8M.

La coordinadora reiteró el llamado a la Huelga General Feminista en Chile, que hasta la fecha ha encontrado respuesta en decenas de miles de personas que han acudido a las convocatorias, fundamentalmente en el presente mes, donde se han intensificado las manifestaciones de protestas feministas.

Esto se produce en el marco de la ola de reclamos sociales que ya cumplen cinco meses en Chile, y que incluye, además de las demandas propias del sector femenino, otras reivindicaciones sociales. Incluso han llegado a solicitar la renuncia del presidente Sebastián Piñera

 

Fuente: TeleSur

 

LA CUMBRE DE LOS PUEBLOS Y DEL CLIMA REACCIONA ANTE LAS FALSAS SOLUCIONES DEL CAPITALISMO EN DEFENSA DEL MEDIO AMBIENTE

Las mujeres lideran actividades y denuncian la violencia de los estados patriarcales y opresivos contra sus “cuerpos-territorios”.

Por Comunicación | Jubileo Sur / Américas

Jubileo Sur/Américas participó en la Cumbre de los Pueblos, que tuvo lugar del 2 al 7 de diciembre en la Universidad de Santiago de Chile (USACH). Realizada desde 2005, la Cumbre de los Pueblos reúne a cerca de 40 organizaciones y articulaciones sociales de diversos territorios y sectores del mundo para compartir experiencias y promover soluciones alternativas al sistema actual que se dirige hacia una catástrofe social y ambiental.

El objetivo del encuentro fue denunciar las falsas soluciones del mercado, presentadas en el mismo período en la Conferencia de la ONU (COP 25), que estaba previsto a ser realizada también en Chile, pero debido a las intensas manifestaciones, se trasladó a Madrid, España.

En Chile, la Cumbre fue también un espacio de análisis de coyuntura para apoyar a las manifestaciones y denuncias contra el modelo neoliberal con sus falsas soluciones que profundizan la crisis social y ambiental mundial e ignoran las demandas de las sociedades.

“Hablar de la crisis como un negocio generado por el capitalismo y sus trucos que privatizan la naturaleza y nuestros bienes comunes es también hablar de falsas soluciones que el sistema elabora para engañar, explotar y asesinar a los pueblos. Los territorios están militarizados y las poblaciones son involucradas por los gobiernos que dicen que la seguridad es la solución. De hecho, tratan de desalojar a la gente de sus territorios por la fuerza y por medio de las armas, masacrando a mujeres, hombres, jóvenes y niños. Las personas están siendo perseguidas y violadas por este sistema que mata. Estamos pagando una deuda que no es nuestra con un discurso que está generando crisis y deudas en los países. Por lo tanto, la militarización también es una falsa solución”, dijo Francisco Vladimir, articulador del Cono Sur del Jubileo de las Américas presente en la Cumbre.

Vladimir participó en la mesa “Las crisis como negocio, mecanismos de mercado y privatización de la naturaleza”, organizada por Amigos de la Tierra América Latina y el Caribe (ATALC), el 5 de diciembre, y lanzó la campaña Reparaciones Ya para Haití y Puerto Rico.

¡Mujeres, presentes!

El feminismo tuvo su protagonismo en el encuentro. Cada día, en la Tienda de las Mujeres, organizada por la Marcha Mundial de las Mujeres de Chile, hubo un intenso programa, con intervenciones culturales y politizadas, entre ellas, el grupo Comparsa Jardinera que hizo versiones feministas de canciones tradicionales chilenas, y bailes en honor a mujeres luchadoras como Macarena Valdés, lideresa ambientalista chilena que lideró la lucha contra la instalación de una planta hidroeléctrica y fue asesinada en 2016, en un crimen aún no resuelto por las autoridades.

Durante las actividades se habló mucho de la violencia contra las mujeres que están en la primera línea de la resistencia contra el extractivismo, tanto en las zonas rurales como en las urbanas, dice la Marcha Mundial de las Mujeres. La declaración final de la carpa de las Mujeres y la Cumbre de los Pueblos ya están disponibles en línea.

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=wLCURW_DGS0

Las mujeres de Jubileo Sur / Américas estuvieron representadas en la Cumbre de los Pueblos por Lourdes Contreras de la Marcha Mundial de Mujeres Macronorte Perú, Lourdes compartió sus impresiones sobre las falsas soluciones propuestas por el sistema para enfrentar los problemas climáticos y como estas medidas afectan a los territorios y comunidades.

“Mientras los pueblos, las organizaciones sociales resisten en los territorios, las mujeres también resisten con sus cuerpos y sus organizaciones. Hay una disociación de generar, de dialogar prácticas de solidaridad en este proceso que necesita hacerse visible, y es ahí donde el trabajo de la red Jubileo Sur / Américas entra como un espacio articulador, donde las organizaciones de base hablan en América Latina”, dijo Lourdes en un video enviado desde Chile.

También destacó que “Jubileo Sur / Américas es la única organización en América Latina que está haciendo este trabajo de exigir la denuncia, la justicia, nuestros derechos, porque no debemos, luego no pagamos”. Son más de 500 años de resistencia en América Latina y nos están haciendo pagar, pero nosotros somos los acreedores”, concluyó la joven peruana.

Cumbre del Clima

La Cumbre del Clima, realizada del 7 al 13 de diciembre en Madrid, España, con el objetivo de dar visibilidad a las soluciones alternativas que son ignoradas en la COP 25, contó también con una representante del Jubileo Sur/Américas: Ivonne Yánez de Acción Ecológica. Ivonne participó en la ceremonia de apertura de la Conferencia y habló de la lucha y resistencia del pueblo ecuatoriano contra las políticas neoliberales.

“En octubre, estuvimos en las calles luchando contra las políticas neoliberales de Ecuador. Esta fue la primera lucha en este año en América Latina, y luego tuvimos Chile y muchos otros países y espero que sigamos contagiando al mundo. Obviamente, el movimiento indígena lideró esta lucha”, dijo la ecuatoriana.

Para ella, la manifestación que tomó las calles de Ecuador tradujo el grito de tres grandes luchas. “Una lucha contra el neoliberalismo, una lucha anticolonial y antipatriarcal”, dijo Ivonne.  La única solución para enfrentar el cambio climático es detener la explotación petrolera añadió.

En la Cumbre Social por el Clima, participaron alrededor de 15 mil personas, el evento incluyó más de 350 actividades en la Universidad Complutense de Madrid. La Cumbre contó con la presencia de Minga Indígena, Greta Thunberg, Laura Zúñiga, hija de Berta Cáceres, Mafalda Galdames, del equipo coordinador de la Cumbre de los Pueblos. En total, más de 850 organizaciones participaron.

Echa un vistazo a la declaración final de la Cumbre.

FINAL DECLARATION – PEOPLE’S SUMMIT 2019

FINAL DECLARATION – PEOPLE’S SUMMIT 2019

En español

Between 2-7 December 2019, hundreds of organizations, women, men, Indigenous and Afro-descendant peoples, migrant communities, farmers, peasants, workers, young people and children – from Chile, Latin America and the world – were part of the Peoples Summit held at the University of Santiago de Chile.

Amid a country in a state of rebellion, mobilised against an unjust and predatory neoliberal system, and in the face of a violent and abusive state, the public University, fully fulfilling its role, opened the doors for us to debate about the planetary crisis and its multiple expressions – social and environmental, national and territorial; to share our struggles, our denunciations and demands; and to imagine together the possibility of another world.

More than 40 activities – panels, workshops, councils, conversations and other formats – self-organised by participating organizations, two permanent spaces – the Women’s Tent and the Village of Peace – artistic-cultural activities as well as the panels and plenaries of the Peoples’ Summit welcomed the active participation of around 1,500 accredited compañeros and compañeras (comrades).

From the fraternal experience lived and shared during these 5 days, the organizations of the People’s Summit declare the following:

  1. We reiterate our commitment to the peoples of Chile and other Latin American countries that have risen against structural injustices, the usurpation and privatization of common goods, social precariousness, structural violence against women, systemic racism, and the violation of rights of the neoliberal system; and we demand justice in cases of deaths and human rights violations with which states have responded to these mobilizations.

  1. We support the demands of social movements and territorial assemblies demanding a true Constituent Assembly in Chile, made up entirely of citizens, and without privileges for political parties, which considers gender parity and significant quotas for indigenous peoples.

  1. We do not conceive of a constitutional process that answers to the rules of a political-electoral system that has been one of the pillars of the Chilean neoliberal model, and whose political class has shown a new demonstration of subordination to business interests through the actions of the Chamber of Deputies and the creation of the so-called “anti-looting” law, which includes articles that openly criminalize the legitimate social protest.

  1. We support the aspirations of organizations and communities in Chile to establish a political constitution endowed with the principles of plurinationality, feminism, and the recognition of the rights of nature.

  1. In the framework of the climate negotiations at the COP25 climate talks in Madrid:

  • We condemn the fact that the COP25 presidency was retained by the Government of Sebastian Piñera, responsible for assassinations, torture, rapes, mutilations, injuries, humiliation, arbitrary detentions and other human rights violations committed by State agents.

  • We reject the promotion of false solutions to climate change which deepen the crisis and strengthen the model that created it – such as carbon markets, hydroelectricity and other corporate-based energies, carbon sinks based on tree monocultures and agrofuels, industrial energy from forest biomass, incineration, geoengineering and hydraulic fracturing or fracking.

  • We demand that effective measures be taken to avoid the corporate capture of the negotiations, as well as for large corporations and the most polluting countries to radically reduce their greenhouse gas emissions, and pay their fair share for the damages caused, predominantly in the most vulnerable territories.

  • We call for greater visibility to climate migration and for the promotion of migration policies through a human rights approach.

  • We call for the implementation of a real just transition and truly sustainable solutions, outside of market mechanisms and extractivism, and based on territorial sovereignty, local practices, cultures and economies, on decent working and living conditions, as well as on continuous exchange and solidarity between towns and communities.

  1. We reject the imposition and expansion of extractivism by governments and international organizations, in collusion with corporate power, which conceive all territories as potential areas of sacrifice, destroys ecosystems, displaces communities, affecting their lifestyles and local economies. This includes the promotion of, and subsidies for, metallic or non-metallic mining, forest plantations, agribusiness and conventional livestock, which also carries a high dose of cruelty towards animals.

  1. We echo and elevate the demands and claims of Indigenous and Afro-descendant peoples, for the demilitarization of their territories – particularly the Wallmapu; the return of their ancestral lands and the full exercise of their political, social and cultural rights.

  1. Citing the statement of the Women’s Tent, “we claim the feminist economy as a strategy of resistance and transformation for the lives of women and their communities, as a way of recognizing and valuing the knowledge, domestic work and care that sustains life but which, in this capitalist system, falls on women.”

  1. We celebrate the strength and active participation of young people and children in the Summit spaces, and recognize the leading role they have played in denouncing the crisis and promoting structural changes.

  1. We demand the deprivatization of water in Chile, the effective and integral protection of glaciers, the recovery of land for peasants and the promotion agroecological models in territories, and through public policies; free of GMOs and chemical pesticides, based on food sovereignty and the recovery and exchange of products and seeds, as well as prioritizing conservation, regeneration and ecosystem restoration.

  1. We demand policies and promote community initiatives aimed at generating fairer and friendlier cities, harmonizing the city-countryside relationship, deprivatizing basic services, promoting broad and participatory territorial planning, implementing zero-waste models and sustainable urban mobility systems.

  1. We demand the radical transformation of energy models to ones based on sovereignty, sufficiency and solidarity; in order to construct clean, decentralized and distributive energy-generation systems through diverse community-based sources.

  1. We reject the signing of free trade and investment treaties that benefit corporations, violate social rights and undermine local economies and food sovereignty. We demand the final and definitive withdrawal of Trans Pacific Partnership 11 from the Chilean parliament.

  1. We call for the construction of Latin American and international movements and articulations, integrating ecological and climatic justice organizations, feminists, Indigenous and Afro-descendant peoples, migrants, workers, peasants, young people, children, in order to stop the model privatising the commons and to raise alternative paradigms like buen vivir and others that flourish from the comsovisions of the peoples.

  1. Finally, citing the declaration of the Village of Peace, “we invite ourselves to collective co-create ways to relate to nature, and a conscious and loving way to relate to each other. […] We understood the need to incorporate the rights of nature and of all living beings that sustain the planetary fabric, as constituents of our lives and the laws of the peoples.”

Santiago, December 7, 2019

SAVE THE EARTH, CHANGE THE SYSTEM”