13 de Maio, Jacarezinho e as dívidas do Estado com o povo negro e pobre

4 de abril de 2019. O músico e segurança Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, levava a família para um chá de bebê de uma amiga quando recebeu mais de 80 balas em sua direção, disparadas por militares do Exército no bairro de Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. Em referência a este caso, o rapper Emicida escreveu, na música Ismália, que “80 tiros fazem lembrar que existe pele alva e pele alvo”.

6 de maio de 2021. Pouco mais de dois anos depois, ao menos 29 pessoas são assassinadas na favela do Jacarezinho. O “ao menos” deve-se ao fato de que a cada dia novos corpos são encontrados.

Corpos, em sua maioria, negros. Assim como o de Evaldo. Corpos negros assim como o da maioria das 944 pessoas mortas em operações policiais no Rio de Janeiro, desde junho de 2020, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu as operações em favelas, por ocasião da pandemia.

A chacina do Jacarezinho, na zona Norte do Rio de Janeiro, retrata uma violência que a Rede Jubileu Sul Brasil e a 6ª Semana Social Brasileira “Mutirão pela Vida, por Terra, Teto e Trabalho” repudiam veementemente e que denunciam há décadas: há uma política de militarização deliberada no Estado para criminalização da pobreza e do povo pobre trabalhador, entrelaçada com o racismo que é estrutural e estruturante das relações sociais, políticas e econômicas do nosso país. Para além do Brasil, o que se observa é uma ofensiva na região, a exemplo da Colômbia, de Honduras e do Haiti, com a militarização crescente dos Estados nacionais para matar e reprimir a população mais vulnerabilizada. 

À época do assassinato de Evaldo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que o fato havia sido um “incidente” e que “o Exército não matou ninguém”. Agora, o seu vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou “ter quase certeza” de que as pessoas assassinadas no Jacarezinho eram “marginais”.

As declarações de Bolsonaro e Mourão espelham com fidelidade o caráter genocida da gestão atual do Governo Federal e escancaram algo mais amplo, que são as milícias buscando ampliar seu controle territorial, eleitoral e seus “negócios” criminosos, articulados com grupos políticos do Rio de Janeiro. Vinculados ao Estado, diretamente organizadas por servidores da segurança pública, os grupos armados de milícias vêm crescendo no Rio e estariam em pelo menos 57% das comunidades fluminenses (confira o mapa), contando com apoio de prefeituras e setores do governo estadual alinhados com a política genocida federal.

Não por acaso, mesmo com a decisão do STF mencionada acima, as operações policiais continuam no Rio de Janeiro, onde o Estado não respeita a vida nem as leis. O que se vê é uma violência policial estrita às comunidades onde é preciso expulsar uma facção narcotraficante para que a milícia se amplie, não importando quantas vidas serão perdidas.

Mais do que nunca, vemos territórios deliberadamente abandonados pelo Estado, com as polícias agindo ao arrepio das leis e dos direitos humanos para que as milícias ganhem espaço e lucrem com seus crimes. As populações vivem à mercê das milícias criminosas e ainda sofrem com a chegada de outra facção do tráfico, a que vende drogas e que aceita pagar pela autorização dos milicianos.

Violência frequente, coronavírus, falta de vacina, uma pandemia que ultrapassa 420 mil mortes, fome, desemprego e o genocídio do povo negro, pobre e periférico, que segue naturalizado por parcela da opinião pública com apoio das mídias tradicionais propagando a falácia de que são “suspeitos”, são “criminosos” e, portanto, devem morrer.

Como diz Emicida, na mesma música Ismália, “porque um corpo preto morto é tipo o hit das paradas, todo mundo vê, mas essa p**** não diz nada”.

A história oficial diz que 13 de Maio é aniversário da abolição da escravatura no Brasil. Como falar em Abolição quando os corpos negros continuam sendo alvos prioritários do genocídio?

Como falar em abolição quando o Estado segue atuando como braço armado da violência financiada pelo capital corporativo e pelas burguesias? Como falar em abolição quando as dívidas históricas do Estado com a população negra seguem apenas se acumulando?

Que esse 13 de maio também seja de reflexão sobre o privilégio branco, que lamentavelmente contribui para que toda essa dívida histórica se mantenha, pois é fundamental sairmos da zona de conforto e privilégios para nos unirmos por transformação contra toda essa barbárie. Além da ação cotidiana, é essencial a participação das manifestações que acontecem hoje por todo o país.

Nem tiros, nem chacina, nem fome, nem Covid, nem a doutrina de choque do Estado contra os povos e territórios!
Vidas negras importam, vidas faveladas importam! Basta de militarização e violência!
Não devemos, não pagamos. Somos os povos os credores. A vida acima da dívida!

Rede Jubileu Sul Brasil
Semana Social Brasileira

São Paulo, 13 de maio de 2021.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

No 1º de Maio: a transformação do Brasil passa por garantia de vida, trabalho digno e democracia

Arte: Mateus Leal. Fotos: https://fotospublicas.com

Texto: Paulo Victor Melo | Rede Jubileu Sul Brasil

“Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”. Quando pronunciou essas palavras em junho de 2019, durante exposição na Cúpula Pan-Americana de Juízes, o papa Francisco sintetizava os problemas fundamentais do nosso tempo.

Dois anos depois, e com uma pandemia que já retirou mais de três milhões de vidas, as palavras do Papa Francisco são ainda mais necessárias. Tomemos a realidade brasileira.

Como garantir justiça num país que tem 11 novos bilionários enquanto 55% da população vive em insegurança alimentar? Como pensar em desenvolvimento num país em que 12,8% da população vive com menos de R$ 246 por mês? Como falar em democracia num país em que 20 milhões de adultos, crianças e idosos passam fome todos os dias?

Para Jardel Nunes, coordenador da Pastoral Operária, esses dados escancaram as consequências da lógica do modo de produção capitalista e de um Estado orientado aos interesses desse modelo. “Essa ofensiva do capital sobre o trabalho, o Estado e o meio ambiente já era crescente antes da pandemia, mas se agravou na última década com a resposta favorável do Estado ao capital, implementando medidas que retiram ou minimizam direitos, desfavorecendo a classe trabalhadora”.

Análise semelhante é feita por Carmela Zigoni, assessoria política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Em seu entendimento, esse quadro “revela que o projeto de exclusão dos mais vulneráveis está cada vez mais avançado” e evidencia o racismo estrutural, já que “as pessoas mais afetadas neste cenário são negras”.

O sociólogo Clemente Ganz Lúcio enfatiza que o aumento das desigualdades, especialmente a partir de 2016, resultam de políticas de precarização do trabalho e da diminuição da presença industrial na economia do país. “A saída e o fechamento de empresas, portanto, a perda de empregos de melhor qualidade no setor industrial, tem um reflexo muito negativo sobre toda a estrutura do mundo do trabalho”, avalia.

Alguns índices da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, realizada pelo IBGE, confirmam o dito pelo sociólogo: 14,3% milhões de brasileiras e brasileiros estão desempregados; a taxa de desemprego no país está acima de 14%; aproximadamente 40% dos trabalhadores com empregos estão na informalidade; quase 6 milhões de pessoas estão “desalentadas”, ou seja, estão desempregadas, mas não buscaram trabalho porque não veem nem mesmo possibilidade de conseguir.

De acordo com Clemente, esses números demonstram a gravidade da crise sanitária, mas, acima de tudo, a situação de desigualdade socioeconômica que caracteriza o Brasil. “Com a pandemia, isto se agravou de maneira muito acentuada. Desemprego crescente, nível de inatividade e desalento muito alto e também a geração de postos de trabalho precarizados, jornadas extensas, baixos salários, péssimas condições de trabalho.  Tudo isso contribuindo para que a desigualdade cresça no Brasil, para que a situação de pobreza e miséria volte a crescer”, aponta.

As vulnerabilidades que se entrecruzam

Numa espécie de “efeito avalanche”, este cenário sobre o trabalho, emprego e renda amplifica outras vulnerabilidades, a exemplo do aumento de despejos, remoções e reintegrações de posse.

Segundo levantamento do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), sem trabalho e sem auxílio emergencial, muitas famílias não conseguiram continuar pagando aluguel e, ao serem despejadas, procuraram ocupações precárias, tornando-se alvos de processos de reintegração de posse, remoções e ameaças.

Analisando especificamente a situação da Região Metropolitana de São Paulo, o estudo indicou que 2.726 famílias foram afetadas em 28 remoções e outras 7.141 famílias sofreram ameaça de remoção.

A perversidade do Governo Federal com a classe trabalhadora

Além de questões estruturais da formação do Brasil, a exemplo do racismo, citado por Carmela, importa ressaltar que todo este contexto é consequência direta de políticas estabelecidas pelo Governo Federal. Não há como esquecer, por exemplo, as afirmações do presidente da República , em agosto de 2019, de que “tudo o que é demais atrapalha. É tanto direito que os patrões, os empreendedores, contratam o mínimo possível e pagaram o mínimo possível” e que os trabalhadores deveriam escolher entre “menos direito e mais emprego ou todos os direitos e o desemprego”.

Indo além das suas próprias palavras, a realidade estimulada pelo presidente é ainda mais grave: menos direito e menos emprego. Aliada aos dados sobre desocupação no país, destacados no início deste texto, a edição das Medidas Provisórias 1.045 e 1.046, na semana em que o país registrou mais de 400 mil mortes por Covid-19, não deixa dúvidas a respeito disso.

Pela MP 1.045, publicada no Diário Oficial da União da última quarta (28), as empresas privadas podem reduzir a jornada de trabalho com redução de salário, em até 75%, e suspender os contratos trabalhistas, como forma de “evitar” demissões. Mesmo trabalhadoras gestantes podem ser impactadas por essas medidas, vale mencionar.

Já a Medida Provisória (MP) 1.046, editada no mesmo dia, flexibiliza regras trabalhistas referentes a direitos como férias, feriados, banco de horas e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Pela MP, as empresas podem, por exemplo, conceder férias coletivas sem necessidade de comunicação aos sindicatos da categoria; adiar o pagamento do FGTS; antecipar férias individuais, precisando notificar o trabalhador com antecedência de apenas 48 horas; podem antecipar ou utilizar feriados para compensar saldo em banco de horas.

Também pela MP 1.046, para “garantir a permanência do vínculo empregatício”, a celebração de acordos individuais entre empregadores e trabalhadores supera legislações trabalhistas.

Quais caminhos?

“Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”. Se em 2019 o papa Francisco demarcava as contradições que caracterizam a sociedade atual, anos antes, em 2014, durante encontro com movimentos sociais populares de todo mundo, o pontífice anunciava a agenda central para a construção de um novo tipo de sociedade.

“Não é possível conceber um resultado diferente do que está aí sem a pauta da garantia dos direitos e da dignidade humana. Por isso, é preciso garantir a vida primeiro, depois o trabalho para combater a miséria e a fome, além de vacina, urgente para todos e todas e auxilio emergencial justo para quem necessita”, frisa Jardel Nunes, da Pastoral Operária.

Na mesma perspectiva, Carmela Zigoni, do Inesc, entende ser essencial um conjunto de medidas em diferentes áreas, como “revogação do teto de gastos, recomposição do orçamento para gastos sociais por meio de créditos extraordinários, garantia de um auxílio emergencial digno, de R$ 600 até o fim da pandemia, e investimentos em vacina, saneamento básico, transporte e educação de qualidade”.

Em sintonia com os caminhos apontados pelo papa Francisco e a partir dos desafios da realidade nacional e global, a 6ª Semana Social Brasileira, a Rede Jubileu Sul Brasil e Pastoral Operária, dentre outras, têm realizado uma série de iniciativas em torno do direito à vida, da democracia e do direito à terra, ao teto e ao trabalho.

Neste 1º de maio, sábado, às 19h30, acontece o segundo momento Ao Vivo “Mutirão pela Vida – por Trabalho e Democracia”, com transmissão ao vivo pelos canais da Rede Jubileu Sul Brasil e da Semana Social Brasileira no Facebook e no Youtube.

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Dia Internacional da Mãe Terra: Organizações da sociedade civil divulgam manifesto em defesa dos Direitos da Terra, dos Povos ao Território

Em nota, conjunto de 60 entidades clamam mobilização diante governo brasileiro “servidor de uma economia da exclusão que estimula a violência”. 

Por ocasião do Dia Internacional da Mãe Terra, 22 de abril, mais de 60 entidades – entre igrejas, pastorais sociais e movimentos populares – lançam o Manifesto por uma  Economia do Bem Viver. Em defesa: Dos Direitos da Terra,  dos Povos ao Território. No texto, o grupo denuncia o atual governo brasileiro por ser “divisionista, servidor de uma economia da exclusão que estimula a violência”, que violam a dignidade humana e da Natureza. 

“O Governo Federal, sequestrado pelo capital financeiro estrangeiro e seus princípios da maximização do lucro, despreza a ciência e a vacinação em um contexto epidêmico que ultrapassa diariamente a morte de quatro mil brasileiras e brasileiros pela Covid-19”, denuncia a nota. 

manifesto aponta iniciativas a serem assumidas pelas entidades para uma coerência ética em cuidado da Casa Comum. As entidades assumem a continuidade das mobilizações para reconhecimento e instituição de mecanismos de garantia e proteção do direito à terra, ao território e o saber ancestral. Entre os compromissos, a aliança de entidades chama à revisão de investimentos e relações com bancos que investem em mineração, “um dos braços do sistema econômico vinculado a uma lógica ocidental fragmentada, que se orienta pela dominação da natureza”. 

O texto foi construído após a Semana de Ativismo, de 12 a 17 de abril de 2021, que pautou a temática; Mutirão pela Vida: Por Terra, Território e Economia. A Semana de debates foi uma mobilização da 6ª Semana Social Brasileira, animada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e diversas entidades parceiras. O Manifesto traz à reflexão os direitos da natureza, dos povos ao território  e a uma economia do Bem Viver. 

Leia o manifesto na íntegra

Parcerias da Semana de Ativismo

Construíram a Semana de Ativismo: Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Movimento de Mulheres Camponesas, Comissão Pastoral dos Pescadores, Rede Jubileu Sul Brasil, Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara, Fórum Nacional Permanente em Defesa da Amazônia, Conselho Indigenista Missionário, Rede Igrejas e Mineração, Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário, Articulação das Pastorais do Campo, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

As ações se deram por meio de debates ao vivo, via plataformas da internet e ações nas redes sociais. 

A 6ª SSB

A 6ª Semana Social Brasileira, uma promoção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em união com os movimentos populares, pastorais sociais e igrejas cristãs, é realizada desde 2020 e segue até 2022 com o tema principal;  Mutirão Pela Vida: Por Terra, Teto e Trabalho, com destaques nos eixos: economia, soberania e democracia. A proposta do tema vem da provocação do papa Francisco, em outubro de 2014, no encontro Mundial de Movimentos Populares: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

CARTA EN SOLIDARIDAD CON EL QUERIDO PUEBLO DE HAITÍ EN SU LUCHA POR DEMOCRACIA, JUSTICIA Y REPARACIONES DE LA MINUSTAH

29 de marzo de 2021

Al Secretario General de la ONU, António Guterres

Secretario General de la OEA, Luis Almagro

A los gobiernos de los países miembros de la ONU y la OEA

Al pueblo de Haití y sus organizaciones

De nuestra consideración

Haití atraviesa una vez más una crisis muy profunda. Actualmente, un elemento central de la misma es la lucha contra la dictadura impuesta por el expresidente Jovenel Moïse.

Desde el año pasado este señor, luego de decretar el cese del Parlamento, gobierna mediante decretos, violando de manera permanente la Constitución del país. Así́, por ejemplo, se rehúsa a abandonar el poder a pesar de que su mandato venció́ el 7 de febrero de 2021, alegando que éste termina el 7 de febrero del año próximo, sin ningún sustento legal. Esto lo hace a pesar de los múltiples pronunciamientos en contra por parte de las principales instancias jurídicas del país, tales como el CSPJ (Consejo Superior del Poder Judicial), la Federación que agrupa a las Asociaciones de Abogados Haitianos, así́ como también de las Federaciones Religiosas y numerosas instituciones representativas de la sociedad. En ese momento, además, hay una huelga de funcionarios judiciales lo que deja al país sin ningún organismo del poder judicial funcionando.

Al mismo tiempo, esta crisis institucional se enmarca dentro de una inseguridad que afecta prácticamente a todos los sectores de la sociedad haitiana. Una inseguridad que se expresa a través de salvajes represiones de las movilizaciones populares por parte de la PNH (Policía Nacional Haitiana) domesticada por el Ejecutivo, ataques a periodistas, distintas masacres en barrios populares, asesinatos y detenciones arbitrarias de opositores, detención de un juez de la Corte de Casación bajo pretexto de fomentar un supuesto complot contra la seguridad del Estado y para asesinarlo, revocatoria ilegal y arbitraria de tres jueces de esta Corte, creación de centenares de grupos armados que siembran el terror sobre todo el territorio nacional y que responden al poder, transformando al secuestro de personas en una industria bastante próspera para esos criminales.

Los 13 años de ocupación militar por las tropas de Naciones Unidas a través de la MINUSTAH, así́ como las operaciones de prolongación de una situación de tutela a través de la MINUJUSTH y de la BINUH han agravado la crisis haitiana, apoyando a los sectores retrógrados, antidemocráticos y mafiosos. Además, cometieron graves crímenes contra la población haitiana y sus derechos fundamentales (como la introducción del cólera) que merecen procesos ejemplares de justicia y reparación. El pueblo de Haití́ pagó cara la intervención de MINUSTAH: 30 MIL MUERTOS por el cólera llevado por los soldados, miles de mujeres violadas, que ahora tienen hijos huérfanos de padres vivos, los soldados que regresaron a sus países. Nada cambió positivamente en 13 años, más desigualdad social, más pobreza, más dificultades para el pueblo y ausencia de democracia.

Las condiciones de vida de los sectores populares se han agravado de manera dramática como consecuencia de más de 30 años de políticas neoliberales impuestas por las instituciones financieras internacionales (IFIs), una severa crisis cambiaria, la congelación del salario mínimo y una inflación superior al 20% durante los 3 últimos años.

Ahora cabe recalcar que, a pesar de esta situación tan dramática, el pueblo haitiano sigue firme y se moviliza de manera constante para impedir la consolidación de dicha dictadura exigiendo la partida inmediata del expresidente Jovenel Moïse. Recientemente los días 14 y 28 de febrero centenares de miles de ciudadanos/ciudadanas expresaron claramente en la calle su rechazo a la dictadura y su firme compromiso para el respeto de la Constitución.

Teniendo en cuenta la importancia de esta lucha y que este régimen dictatorial goza todavía del apoyo de gobiernos imperialistas tales como los de Estados Unidos, Canadá́, Francia y de organismos internacionales como la ONU, la OEA, la UE y el FMI, llamamos a escuchar al pueblo de Haití que exige el fin de la dictadura así́ como también el respeto a su soberanía y autodeterminación y la instauración de un régimen de transición político controlado por los actores haitianos que tenga suficiente espacio como para lanzar un proceso de auténtica reconstrucción nacional.

Reclamamos en especial a la ONU y la OEA – que ciertamente no tiene derecho ni moral a inmiscuirse en las elecciones y otros asuntos internos de los países miembros -, a los gobiernos de todos los países, sobre todo los que se prestaron para “ocupar humanitariamente” a Haití durante 13 años, a través de la MINUSTAH-, que dejen de comportarse como si Haití fuera su colonia. ¡Basta de injerencia! Su deber es otro: asegurar justicia y reparaciones por todos los crímenes que han cometido contra ese pueblo y país, incluyendo la introducción del cólera, la violación y los abusos sexuales, la impunidad de su manipulación electoral y el uso de la “cooperación” para sus propios fines.

Solo el pueblo haitiano puede decidir sobre su futuro, pero en ese caminar cuenta con nuestra solidaridad y disposición a apoyarle con todas las acciones a nuestro alcance. Apoyamos al pueblo y los movimientos de Haití para que pueden elegir un gobierno popular de transición y una Constituyente de forma democrática.

Por una Haití Libre y Soberana.

FIRMAN ESTA CARTA:

REDES INTERNACIONALES

AIP – Asamblea Internacional de los Pueblos
ALBA Movimientos
FDIM – Federación Democrática Internacional de Mujeres
Foro de São Paulo
Jornada Internacional de Lucha Antiimperialista
Jubileo Sur
La Via Campesina
MMM – Marcha Mundial de las Mujeres
PIE – Partido de la Izquierda Europea

AMÉRICA LATINA y CARIBE

Argentina, ALBA Movimientos/ Frente Patria Grande/ Jubileo Sur Argentina
Argentina, Amigos de la Tierra Argentina
Argentina, Así Cultural IMPA La Fábrica
Argentina, CAPOMA Bs As
Argentina, Casa de la Amistad argentino-cubana-venezolana de La Matanza
Argentina, Cátedra Libre Salvador Allende. UBA
Argentina, CEMIDA (CENTRO DE MILITARES PARA LA DEMOCRACIA ARGENTINA)
Argentina, ChavismoSUR
Argentina, Colectivo Sanitario Andrés Carrasco/ALAMES Argentina

Argentina, Comité argentino de solidaridad por el fin de la ocupación de Haití
Argentina, Corriente Nacional Emancipacion Sur
Argentina, Corriente Nacional Martín Fierro

Argentina, Diálogo 2000-Jubileo Sur Argentina
Argentina, Encuentro de Profesionales Contra la Tortura
Argentina, Envar El Kadri
Argentina, Estudiante
Argentina, Familiares de desaparecidos y detenidos x razones políticas de Córdoba
Argentina, Frente Patria Grande
Argentina, Grupo de Estudios sobre America Latina y el Caribe
Argentina, Haiti, EE.UU., Camerùn, Tanzania, Italia, Francia, Bèlgica,, Gran Bretaña, Irlanda, La Santa Unión de los Sagrados Corazones
Argentina, Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora Nora Cortiñas

Argentina, Marabunta Corriente Social y Política
Argentina, Movimiento Centroamericano 2 de Marzo
Argentina, Movimiento Patriótico Revolucionario Quebracho
Argentina, Negras(si)Marronas
Argentina, Nuestramerica Movimiento Popular
Argentina, ORGANIZACIONES LIBRES DEL PUEBLO-RESISTIR Y LUCHAR
Argentina, Partido de la Liberación PL

Argentina, Premio Nobel de la Paz Adolfo Pérez Esquivel
Argentina, RESUMEN LATINOAMERICANO
Argentina, Servicio Paz y Justicia, SERPAJ
Argentina, Todo en sepia asociación de mujeres afrodescendientes en la Argentina
Argentina, Unidad Popular, clozano
Brasil, Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD
Brasil, Central de Movimentos Populares do Brasil / C M P – BRBR
Brasil, Comitê Anti-imperialista general Abreu e Lima
Brasil, CONEN – COORDENAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES NEGRAS
Brasil, Conselho Pastoral dos Pescadores
Brasil, Consulta Popular
Brasil, FUP – Federação Única dos Petroleiros
Brasil, Jubileu Sul Brasil
Brasil, Levante Popular da Juventude
Brasil, Movimento Camponês Popular – MCP
Brasil, Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Brasil, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Brasil, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Brasil, Movimento Pela Soberania Popular na Mineração
Brasil, Pastoral da Juventude Rural
Brasil, SPM
Brasil, União da Juventude Socialista
Chile, Angie
Chile, Izquierda Libertaria
Colombia, Coordinación Política y Social Marcha Patriótica
Colombia, Corporaciòn Josè Martì Pèrez
Ecuador, ACCIÓN ECOLÓGICA
Ecuador, Instituto de Estudios Ecologistas del Tercer Mundo
El Salvador, Movimiento por la Salud Dr Salvador Allende-ALAMES
El Salvador, RACDES
Honduras, CONAMINH
México, Cátedra Libre de Pensamiento Latinoamericano «Ernesto Che Guevara»
México, Comité de Derechos Humanos de Base de Chiapas Digna Ochoa
México, Observatorio Latinoamericano de Geopolítica
México, Partido Popular Socialista-Agrupación Política Nacional Popular Socialista
Perú, CENTRO DE DESARROLLO ETNICO – CEDET
Perú, Federación de Trabajadores de Lambayeque CTP
Puerto Rico, Colectivo Ilé
Puerto Rico, COMUNA Caribe
Puerto Rico, Plena Combativa
República Dominicana, Accion Afro Dominicana
República Dominicana, Coonadeco
Trinidad & Tobago, Assembly of Caribbean People
Trinidad & Tobago, Oilfields Workers’ Trade Union
Uruguay, Coordinadora en defensa de la Autodeterminación del pueblo Haitiano HAITÍ
Uruguay, PCR-Partido Comunista Revolucionario
Venezuela, Coalición de Tendencia Clasista (CTC-VZLA)
Venezuela, Coordinadora Simón Bolívar
Venezuela, Frente Francisco de Miranda
Venezuela, Mala madre
Venezuela, OCV. Organización Comunitaria Venezuela

AMÉRICA DEL NORTE

Estados Unidos, Anti-Imperialist Action Committee
Estados Unidos, Grassroots Global Justice Alliance
Estados Unidos, Latin America Solidarity Coalition of Western Massachusetts
Estados Unidos, Massachusetts Peace Action

ÁSIA

Timor-Leste, Conselho Nacional da Ressureicao de Maubere (CNRM)

EUROPA

España, Comunidad Cristiana Vanguardia Obrera
España, Ongd AFRICANDO
Francia, France Insoumise Amérique Latine
Italia, Potere al Popolo!

NoDictatorshipInHaiti #DownWithUSImperialism #LongLiveHaiti

 

Fuente: Haiti no MINUSTAH

El agua en la bolsa de valores y en los bolsillos de los especuladores y empresarios

A principios de diciembre de 2020 el agua comenzó a cotizarse en las bolsas de valores, levantando una alarma generalizada por las implicaciones que esto tendría para el derecho humano al agua, y en general, para el sostenimiento de la vida.

¿Qué es exactamente lo que se va a negociar, a comprar y vender? Según la información que ha circulado en los medios de comunicación, es el precio del agua lo que entró al mercado de futuros. Esta mercancía es negociada en forma de derivados (productos especulativos de alto riesgo que dominan enormemente las transacciones en el sector financiero), poniendo también en juego el precio futuro de los derechos de uso del agua.

Según la información disponible, el precio fijado el 7 de diciembre en los mercados de Wall Street, es de 0,40 centavos de dólar por metro cúbico de agua, base desde la que empezará la especulación del precio del agua a futuro. En este tipo de negocios, los especuladores no necesitan poseer el agua, o la tierra donde ella esté, para apostar sobre su costo en los próximos años. Pero para que sea rentable este mercado de precios futuros del agua, los inversionistas y el sistema financiero necesitan que haya poca disponibilidad de agua.

Entre las principales afectaciones al agua en el mundo están: la destrucción de ecosistemas relacionados con el ciclo del agua, procesos industriales, el extractivismo, el uso de agrotóxicos, la expansión salvaje de las urbes, el vertido de desechos en ríos, lagos y vertientes, o el cambio climático, situaciones que ya están creando escasez de agua limpia y disponible para la reproducción de la vida. Al dejar que el mercado global, los especuladores y el sistema financiero adquieran injerencia en asuntos relacionados con el agua, se debilitan aún más las capacidades comunitarias y públicas para protegerla y para garantizar la prelación en su uso -que favorece el consumo humano, el riego para la soberanía alimentaria y los caudales ecológicos por sobre las ganancias.

Así, como ocurre con otras mercancías en esta fase financiera del capitalismo, el mercado de futuros del agua puede provocar un aumento del precio del agua, o del derecho de su uso, haciendo más difícil el acceso por parte de la mayoría de la población. Cada click en las computadoras de las bolsas de valores tendría un efecto en el agua que se encuentra en la naturaleza y en los territorios donde viven las comunidades, atentando contra el derecho de los campesinos o de la población urbana a acceder al agua para la supervivencia.

Con el agua en la bolsa de valores podrían aumentar las amenazas a las fuentes de agua y los conflictos derivados de estas. De hecho, seguramente se agravarán los escenarios de concentración del agua en favor, por ejemplo, de los sectores agroexportador y extractivista, mientras se debilita la atención a los sistemas públicos y comunitarios de agua potable y riego, que han demostrado, de todas maneras, tener mayor capacidad para gestionar su protección y cuidado, así como para garantizar el derecho fundamental al agua.

Los pueblos del Ecuador han dado luchas emblemáticas por el agua y los territorios. Inspirada en ellas, la Constitución del Ecuador de 2008 reconoce al agua como un derecho humano fundamental; contempla 14 artículos y tres disposiciones sobre el agua, a más de aquellos que reconocen derechos a la naturaleza y que garantizan la soberanía alimentaria, el Buen Vivir y los derechos colectivos, en los que se destaca la importancia del cuidado, protección y defensa del agua.

Esa lucha por el agua no se ha detenido. Organizaciones y movimientos sociales están permanentemente interponiendo medidas ante el Estado para exigir justicia en el acceso al agua, frente a acciones u omisiones del poder público o de personas naturales o jurídicas no estatales que vulneran el ejercicio del derecho humano al agua.

Luchar en defensa del agua es luchar en defensa de la vida. Lo saben el movimiento anti-minero, las miles de familias afectadas por la explotación petrolera, los numerosos colectivos que trabajan por la agroecología, los sectores urbanos excluidos de las redes de abastecimiento.

Es la hora de poner la vida por delante.

Por: Acción Ecológica / Colectivo Voces Ecológicas COVEC

 

Fuente: Radio Temblor