Haití. Violencia de pandillas: Más de 2.600 personas nuevamente desplazadas en 7 días en Carrefour, Cité Soleil y Tabarre, según la OIM

AlterPresse, Resumen Latinoamericano, 13 de febrero de 2024.

2.686 personas, o 629 hogares, se vieron obligados a desplazarse en los municipios de Carrefour (sur de la capital, Puerto Príncipe), Cité Soleil (norte ) y Tabarre (noreste), con los ataques de bandas armadas, perpetrados del lunes 5 al domingo 11 de febrero , contó la Organización Internacional para las Migraciones (OIM), en un boletín del que informa la agencia online AlterPresse.

Varios barrios de los municipios mencionados han comenzado, desde el 5 de febrero , a sufrir ataques de bandas armadas.

Se contabilizaron 1.819 personas desplazadas tras los ataques en el municipio de Carrefour y 867 en los barrios fronterizos con los municipios de Cité Soleil y Tabarre, precisó la OIM.

La mayoría de los desplazados, el 94%, se refugiaron en familias de acogida y el 6% en dos sitios.

Un centenar de desplazados se instalaron en la plaza Clercine, en el municipio de Tabarre, que ya existía antes de estos incidentes, elevando el número a 480 personas.

De hecho, en la plaza Clercine ya se encontraban alojadas 380 personas.

Además, 54 personas se refugiaron en un sitio recién creado en la escuela Ramoth de Marin en la comuna de Croix-Des-Bouquets, informa la OIM.

Desde hace varios días se producen enfrentamientos armados entre bandas rivales en la llanura de Cul-de-Sac, en las zonas de Terre Noire y Blanchard, en la comuna de Cité Soleil (al norte de la capital, Puerto Príncipe).

Varios campos de caña que suman 8 hectáreas fueron quemados , lo que obligó a la empresa de ron Barbancourt SA a suspender sus actividades públicas.

Este incendio no afectó la producción de Rhum Barbancourt SA, asegura la empresa Rhum Barbancourt SA, en nota del domingo 11 de febrero.

Afirma haber anunciado, como medida de precaución, la suspensión de sus actividades públicas en beneficio de las comunidades vecinas, incluyendo, entre otras cosas, la distribución gratuita de agua tratada, el centro de atención médica gratuita, el uso de parques infantiles, canchas de fútbol y baloncesto.

Los vecinos de Rivière Froide, 11.º tramo municipal de Carrefour, se han visto obligados, en los últimos días, a abandonar sus hogares a causa de los violentos ataques de bandas armadas en la zona.

Anteriormente, varios miles de familias de los barrios de Solino (en el centro de Puerto Príncipe), Carrefour-Feuilles (en las afueras del sudeste) y Mariani (sur) huyeron de sus hogares, ante ataques de bandas armadas que intentaban expandir sus territorios.

Se encontró que los actos de brutalidad aumentaron en más de la mitad de las oleadas de desplazamiento forzado de más de 310.000 personas en 2023 en Haití , señaló la Organización Internacional para las Migraciones (OIM) en una evaluación de los desplazamientos internos.

La mayoría de los desplazados por el terror de las bandas armadas en Haití en 2023 son mujeres y niños, informó la OIM.

Durante el año 2023, más de 8.400 personas fueron asesinadas, heridas y/o secuestradas , subrayó la Oficina Integrada de las Naciones Unidas en Haití (Binuh).

Ha habido violencia sexual sistemática por parte de bandas armadas en el territorio nacional.

“Las múltiples crisis prolongadas han llegado a una etapa crítica en Haití”, indicó la representante especial del secretario general de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) y jefa de la Oficina Integrada de las Naciones Unidas en Haití (Binuh), la ecuatoriana María Isabel Salvador, durante una sesión informativa sobre Haití, el jueves 25 de enero de 2024, en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas (ONU).

Más de 5.000 personas han muerto a causa de la violencia de las bandas armadas que asolan Haití , afirmó el secretario general de las Naciones Unidas, el portugués Antonio Guterres, en un informe publicado el martes 23 de enero de 2024.

 

Fuente: Resumen Latino Americano

Toda solidariedade ao Haiti!

Camille Chalmes, da PAPDA, no encontro em solidariedade ao Haiti. Fotos: Flaviana Serafim e Juce Rocha/Jubileu Sul Brasil

Confira a declaração de apoio ao país caribenho que há anos passa por múltiplas crises e está prestes a enfrentar mais uma ocupação militar

Por Redação – Jubileu Sul Brasil

Representantes de movimentos populares, organizações, sindicatos, partidos e ativistas de 16 países da América Latina e Caribe participaram do encontro em solidariedade ao Haiti, com a presença de Camille Chalmers, da Plataforma Haitiana para o Desenvolvimento Alternativo – PAPDA. O ato político ocorreu no último dia 25 de outubro, no auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), no centro da capital paulista. 

Publico de 16 países durante o ato político no Sindicato dos Jornalistas

A atividade contou com apoio do Comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmo”, e fez parte da programação da Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências”, promovida na cidade de São Paulo entre os dias 23 e 25 de outubro, numa iniciativa numa iniciativa da Rede Jubileu Sul/Américas (JS/A), do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM-AYNA) e do Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL). 

No debate no SJSP, Chalmers alertou para a gravidade das múltiplas crises enfrentadas pelo povo haitiano há anos: insegurança alimentar, crise humanitária, intervenção militar, instabilidade político-econômica e institucional. Ele denunciou a gangesterização do Haiti por milícias financiadas com apoio dos Estados Unidos, e ainda o papel das políticas impostas por organizações, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), no cenário vivido pela população haitiana. 

Rosilene Wansetto (ao microfone), secretária executiva da Rede Jubileu Sul Brasil

Ao final do encontro, as entidades organizadoras da conferência de soberania financeira divulgaram um documento em apoio ao povo haitiano, confira a íntegra na versão em português: 

Declaração de Apoio e Solidariedade com o Povo do Haiti

Da Conferência Internacional “Soberania Financeira, Dívida, Exploração e Resistências”, nos manifestamos em solidariedade com o povo haitiano na luta pelas suas vidas e por soberania e contra a nova invasão e ocupação planejada pelos Estados Unidos com o apoio da Organização das Nações Unidas –  ONU.

O Haiti atravessa uma grave crise econômica, política e institucional. O país vive cinco anos consecutivos de recessão econômica e enfrenta uma crise de inflação, que ultrapassa os 50% anuais, e uma grave crise cambial com a perda de 3000% do valor da moeda nacional face ao dólar. Tudo isso acompanhado de um congelamento do salário mínimo. Os governos de extrema-direita, impostos pela chamada “comunidade internacional”, destruíram as instituições democráticas. Há dois anos que não existe parlamento e o poder judiciário não funciona. Está claro que as desigualdades se agravaram e 50% da população está em situação de insegurança alimentar.

Esta situação dramática se deve à ação das forças de extrema-direita que controlam o sistema político do país e todas as instituições do Estado desde 2011. A ação das sucessivas missões das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos – OEA, presentes desde 1992, – e incluindo uma ocupação militar em grande escala entre 2004 e 2017 – a MINUSTAH -, foi um fracasso retumbante. Estas missões contribuíram para agravar a crise na sociedade haitiana, enfraquecendo as instituições do Estado, aumentando a dependência política do país. A aplicação das políticas neoliberais impostas pelo Fundo Monetário Internacional – FMI contribuiu para o enfraquecimento do sistema produtivo, criando uma perigosa dependência alimentar e a destruição de empregos, criando as condições objetivas para o florescimento de gangues que exploram a desesperança de um grande número de jovens desempregados e sem perspectivas. Além disso, a MINUSTAH foi autora de graves violações dos direitos básicos do povo haitiano, incluindo violações massivas de mulheres e crianças e a introdução da cólera que matou 40.000 pessoas e infectou 800.000, com enormes danos à economia e ao tecido social.

Esses crimes contra o povo haitiano não devem ficar impunes. Mais do que uma nova ocupação, o Haiti precisa e tem direito à punição dos responsáveis ​​e a indenizações e reparações proporcionais aos crimes cometidos.

Desde 2019, testemunhamos a presença crescente de gangues armadas que exercem violência feroz contra os moradores dos bairros populares da região metropolitana. O recente relatório do Grupo de Peritos do Comitê de Sanções das Nações Unidas, mandado pelo Conselho de Segurança, confirma que estes bandos foram armados por líderes políticos para destruir as mobilizações populares e excluir as classes populares do jogo político. O crescimento do poder destas milícias foi favorecido pelo contexto de privatização e destruição das instituições do Estado, impulsionado pelas opções políticas do FMI e pelas orientações da extrema direita que mantêm laços estreitos com o tráfico de drogas e a economia do crime organizado. Os países imperialistas, a OEA e a ONU, ofereceram apoio total aos sucessivos governos do Partido Haitiano Tèt Kale – PHTK, simultaneamente com a crescente gangsterização do sistema político, que levou ao assassinato do ex-presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021.

Toda luta contra a insegurança deve procurar soluções políticas com a participação da população que, em abril de 2023, lançou processos de autodefesa bem-sucedidos através do movimento “Bwa Kale”. Um elemento estrutural confirmado por vários relatórios de organizações de direitos humanos é que estas gangues recebem um fluxo constante e massivo de armas de guerra e munições dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que este mesmo país aplica um embargo e não vende armas às Forças Públicas haitianas. Existem dois elementos-chave: o fornecimento de armas e munições desde os Estados Unidos e por meio da fronteira com a República Dominicana, e o benefício da impunidade total que os atuais líderes do governo de fato garantem aos membros e líderes destes grupos armados, apesar de todas as evidências da sua responsabilidade na organização de mais de 12 massacres durante o período 2018-2023.

Juntamente com o povo haitiano, queremos soluções reais para os problemas mais urgentes. Isto implica a cessação do apoio oferecido ao PHTK e aos seus aliados que produziram a atual situação caótica, e não uma transição de continuidade garantindo o monopólio do PHTK com o Doutor Ariel Henry. Denunciamos o apoio do FMI ao poder atual e salientamos que as orientações impostas pelas instituições financeiras internacionais – IFIs, particularmente pelo FMI, têm desempenhado um papel determinante na criação do caos com que o poder hegemônico procura impor a aceitação nacional e internacional desta nova ocupação.

Em 2 de outubro, o Conselho de Segurança da ONU adotou a resolução 2699, autorizando o envio de uma “Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti”, repetindo os erros cometidos nas últimas duas décadas. Nós nos opomos a esta nova ocupação militar. A solução para os problemas de insegurança passa pela destruição dos laços orgânicos que existem entre os atualmente responsáveis ​​pelo Executivo de fato, e pela eliminação do fornecimento de armas e munições a partir do território norte-americano.

A ocupação militar visa apoiar o poder de Ariel Henry, primeiro-ministro de fato, oferecer a possibilidade de organizar uma mudança arbitrária na Constituição de 1987 e avançar para a organização de eleições fraudulentas totalmente controladas pela extrema direita.

A polícia queniana, anunciada como a que vai liderar esta nova missão, vai fazê-la de fato sob o controle do governo dos Estados Unidos. Sabemos também que a polícia queniana é conhecida pelas múltiplas violações cometidas contra a população do seu país, incluindo o assassinato de cidadãos quenianos durante manifestações pacíficas.

O Haiti necessita da solidariedade ativa do povo latino-americano para superar as múltiplas crises que o afetam gravemente.

As organizações sociais e políticas do Haiti, no contexto de uma consulta muito ampla, desenvolveram uma proposta coerente e viável conhecida como “Acordos de Montana”, para a implementação de uma transição de ruptura. Exigimos respeito pela autodeterminação do povo haitiano e apoio às soluções elaboradas pelos atores haitianos.

Por um Haiti Livre e Soberano!

São Paulo, Brasil, 25 de outubro de 2023″

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Llamado No a la Ocupación de Haití

Desde el Comité Defender o Haiti é Defender a Nosotros Mismos, de Brasil, llegan el anuncio de un Debate de Solidaridad con el dirigente haitiano Camille Chalmers, el 25.10 en São Paulo (19hs., R. Regó Freitas,530 – Sobreloja República) y el pedido a sumar firmas al siguiente Llamado:

Nosotres firmantes, responsables de organizaciones, de asociaciones del Caribe y de las Américas, reunides este día en una videoconferencia, a iniciativa de la Asociación de los trabajadores y los pueblos del Caribe, ATPC. Después de haber analizado la situación en HAITÍ.

LANZAMOS ESTE LLAMADO AL MOVIMIENTO OBRERO Y DEMOCRÁTICO

Estimados Camaradas y amigos: Desde hace meses, ver años, los trabajadores y el pueblo de Haití viven una situación catastrófica. Lejos de mejorar, la situación empeora, la inseguridad se amplifica, la población vive aterrorizada: violaciones, asesinatos, extorsiones, secuestros, miseria y pobreza, etc…

El gobierno y los gobiernos llamados “amigos de Haití” parece que se adaptan a esta tragedia.

Esta catástrofe es la consecuencia de la política criminal impuesta a los trabajadores y al pueblo de Haití por el imperialismo y los gobiernos del CORE GROUP con los gobiernos fantoches a su servicio. ¿No están buscando crear las condiciones de caos para justificar una intervención militar en el país?

• Caos ya preparado ampliamente por las tropas de la MINUSTAH y de la MINUJUSTH a través de las desigualdades y la violencia que dejan.

• Caos al cual se agrega la provocación fomentada por el gobirno dominicano en la frontera.

• Caos fomentado también: • Por el apoyo a las pandillas armadas y las municiones que provienen de los EU en particular. • Por el bloqueo económico impuesto a la población haitiana.

DENUNCIAMOS:

• EL racismo insidioso que muestra la ONU enviando tropas negras de Kenia a Haití, dando así la ilusión de una ocupación mas aceptada.

• Las maniobras de ciertos países de la CARICOM, dispuestos a participar en la ocupación militar de Haití.

Nuestros camaradas, amigos y la mayor parte de las organizaciones obreras y populares de Haití que han combatido siempre “Por una solución haitiana por un Haití sin ingerencia externa: Fuera BINUH, Fuera CORE GROUP, Por un gobierno de transición encargado de organizar elecciones democráticas en el mas breve plazo” hacen un llamado a nuestra solidaridad. Ellos nos piden echar abajo el muro de silencio sobre la situación criminal de la cual son victimas los trabajadores y el pueblo de Haití.

Estimados camaradas y amigos del movimiento obrero y democrático: A nombre de la amistad entre los trabajadores y los pueblos, hacemos un llamado a uds a fin de adoptar esta solidaridad hacia los trabajadores y el pueblo de Haití bajo la forma como más les convenga. ¡VIVA LA SOLIDARIDAD INTERNACIONAL!

PD : El Consejo de Seguridad de la ONU acaba de dar luz verde, el lunes 2 de octubre, al envío a Haití de una misión multinacional liderada por Kenia. . . .Por nuestra parte, continuamos liderando la “campaña de solidaridad con Haití» y diciendo “¡Fuerzas extranjeras, fuera de Haití»!

Por la ATPC, Robert y Jocelyn

30 de septiembre de 2023

Nom : Prénom : Organisation : Pays

Fabert Robert, Association des Travailleurs et des Peuples de la Caraïbe, ATPC (Guadeloupe)

Lapitre Jocelyn, Association des Travailleurs et des Peuples de la Caraïbe, ATPC (Guadeloupe)

Evariste Max, Union Départementale des Syndicats FORCE OUVRIÈRE (UDFO Guadeloupe)

Domota Elie, Liyannaj Kont Pwofitasyon, LKP, (Guadeloupe)

M’Toumo-Hubert Maïté, Union générale des Travailleurs de Guadeloupe, (UGTG)

Barbara Corrales, Comite Defender o Haiti é Defender a Nós Mesmos, (Brasil)

Fedo Bacourt, Coordenador União Social dos Imigrantes Haitianos (Brasil)

Monica Riet, Coordinadora por el Retiro de las Tropas de Haití y en Defensa de su Soberanía. (Uruguay)

Petitot Jacqueline, Alliance Ouvrière et Paysanne, AOP, (Martinique) membre de ATPC

Serge Aribo, Union Générale des Travailleurs Martiniquais, UGTM (Martinique)

SAE Robert, CNCP ( Martinique) membre de APC,

Assemblée des Peuples de la Caraïbe Kandis Sebro, OWTU Oifield Workers Trade Union, membre de APC,

Assemblée des Peuples de la Caraïbe (Trinidad and Tobago)

Bauvert Gérard, Comité International Contre la Répression, Cicr Afro Dominicana, (République Dominicaine)

Alberto Salcedo, Coordinadora Nacional Autónomo Independiente De Trabajadores – CAIT (Venezuela)

Vasquez Luis, Comité de dialogue du (Mexique)

Contacto y para sumar adhesiones:

E-mail: comitedefenderhaiti@uol.com.br | WhatsApp: +55 11 99245-0300

apelo-solidariedade-ao-haiti-30-set-2023-espanhol

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Haití, ¿una nueva afrenta?

-Mireille Fanon Mendes Francia, Fundación Frantz Fanon, EX Experta de la ONU

La suerte está echada: en octubre de 2023, la comunidad internacional decidirá el destino de un país soberano, con el pretexto de restablecer la seguridad, mientras que el pueblo reclama su derecho a la autodeterminación consagrado en la Carta de las Naciones Unidas. Una gran parte de este pueblo ha trabajado, asumiendo su soberanía política, en la construcción de una alternativa presentada en los Acuerdos de Montana ( http://www.akomontana.ht ) que contienen un conjunto de medidas que proponen una transición democrática. Todo ello con el fin de asumir su responsabilidad cívica y contribuir a la solución de la crisis.

A pesar de su voluntad de hacer oír su voz de forma constructiva, el grupo CORE, que está representado esencialmente por una unión de embajadores -algo que no existe en ningún otro país, quizás en Palestina en el período posterior a los Acuerdos de Camp David-, no ha tenido otra propuesta que apoyar a un Primer Ministro, Ariel Henry, que no es legítimo porque fue elegido por este mismo Grupo Central, y hacer posible la intervención de una fuerza extranjera. El objetivo de este Grupo Central es reducir la autonomía del país sofocando todas las voces alternativas y críticas, y haciendo que el pueblo haitiano dependa de su amo, Estados Unidos. Muchos Estados deberían estar preocupados: ¿quién será el próximo en perder su soberanía política?

Esto revive algunos momentos muy extraños de la historia, como cuando Francia doblegó a Boyer para obtener el pago de una deuda ilegal e ilegítima, o cuando Estados Unidos se marchó saqueando el oro haitiano contenido en las cajas fuertes de los bancos del país, o cuando numerosos presidentes haitianos se aferraron al poder utilizando bandas que hoy controlan más del 80% de la ciudad de Puerto Príncipe… La comunidad internacional tiene una percepción fluctuante de sus obligaciones en relación con el «Pueblo de las Naciones». Este Pueblo ya no existe, y sólo queda el mercado financiero y la «ley y el orden» para garantizar la prosperidad de unos pocos. El oro de Haití es motivo de envidia y celos, y ¿quién puede reclamarlo para sí?

Así, de las violaciones del derecho internacional a las violaciones del derecho a la vida, el envío de una fuerza de intervención -Multinational Security Support (MSS)- completa la desestructuración y la deslegitimación del derecho internacional y del derecho internacional humanitario. Esto comenzó con Palestina y se ha visto reforzado por las intervenciones militares ilegítimas en Afganistán, Irak, Libia y Yemen dirigidas por el imperial Estados Unidos con el apoyo de varios países, entre ellos Francia.

Quienes insisten en que es importante restablecer el «orden democrático» en Haití, entre ellos Antony J. Blinken, harían bien en recordar los argumentos utilizados para justificar las operaciones militares exteriores que han llevado a los países al caos sin resolver ninguna de las razones por las que algunos países se quedaron con el dedo índice en el botón del «misil». Su orden y su ley son los que emplea la mafia financiera, cuyas fortunas se construyen sobre el comercio ilegal, el blanqueo de dinero y la corrupción.

¿Se convertirá Haití, por decisiones tomadas desde el exterior, en lo que era Cuba antes de la llegada de Castro? Un centro de ocio a gran escala, donde todo está permitido para el placer de los norteamericanos y sus aliados, pero antes el Tío Sam habrá vaciado este país culto, prolífico y curioso de todos sus intelectuales ofreciéndoles facilidades de emigración negadas a muchos emigrantes. Una vez más, me trae extraños recuerdos: ¡eliges a tu emigrante de un catálogo! Estamos comprando cerebros útiles.

Esta decisión, presentada como «histórica» por el centro de prensa de la ONU, es por el contrario peligrosa para los pueblos y Estados reducidos a ser el juguete de los que toman las decisiones financieras o de los que hacen la guerra. Además, pedir a Kenia que tome el mando de esta fuerza es absolutamente cínico. ¿Piensa realmente el Grupo Central que las bandas, armadas por ciertas potencias occidentales, van a renunciar al maná que representan la importación y el tráfico de drogas del que se benefician esos mismos países occidentales?

Los jóvenes pandilleros no tienen nada que perder; nunca han tenido nada. Hoy son temidos y adulados por unos, envidiados por otros, aunque despierten un terror muy legítimo. Fatalistas, saben que su vida depende de una sola bala. 

Una vez más, esto nos remite a la época en que el propietario esclavizado delegaba la gestión cotidiana de los Bossales en los criollos, nacidos del acto de la violación y que podían hacerlo por ser mestizos. Aquí está claro que la ONU está jugando un juego deletéreo, cínico y cruel; ella misma está produciendo racismo institucional y lavándose las manos de lo que está en proceso de producir.

En lugar de regular a los belicistas, está impulsando una intervención que sólo puede acabar en derramamiento de sangre. Ni siquiera ha respondido a su crimen contra la humanidad al introducir el cólera -todas las peticiones enviadas por los haitianos han sido desoídas- antes de embarcarse en un nuevo proyecto cínico e ilegal. La ONU, fundada para mantener la paz y regular el equilibrio de poder, se ha sumido ahora en el estupor del dinero fácil y sucio.

Haití no necesita lágrimas, ni palabras de autocompasión, ni ningún grupo Core, sino que le dejen hacerse cargo de su propio futuro obligando a Francia a devolver la deuda que le exigió ilegalmente, la repatriación del oro robado por Estados Unidos y la anulación de la deuda pública. A ellos les corresponde restaurar Haití como Estado y como nación. La ONU debería exigir que el proceso de reparaciones políticas sea un punto esencial de su agenda, en lugar de ir a la guerra contra el pueblo. Un día, el pueblo de Haití podría despertar y pedir cuentas a esta comunidad internacional, que está tan en bancarrota como el gobierno de Ariel Henry.

Haití necesita la instauración de una solidaridad sin fisuras, necesita «romper con este tipo de apartheid que no dice su nombre, que quiere que varios haitianos vivan uno al lado del otro sin conocerse». Haití ya no debe ser el país convulso descrito por Aimé Césaire, sino «el Haití del amor, de la solidaridad con los demás pueblos, de la generosidad y de la emoción».

Con esta injerencia decidida, «se aleja la perspectiva de un país de risa, de danza, de fuerza sacada de la burla» .¿Vamos a dejar que este país sea presa de los depredadores? Todos debemos estar hombro con hombro con el pueblo haitiano para que pueda levantar la cabeza y no se encuentre de rodillas una y otra vez .La solidaridad internacional debe trabajar con el pueblo haitiano para que recupere la dignidad que le ha robado el sistema capitalista liberal racista. Debemos compartir nuestra fuerza de resistencia, debemos luchar por la aceptación del plan alternativo, el único que permitirá a Haití recuperar su soberanía política y su autodeterminación. Debemos hacernos eco de la lucha de estos hombres y mujeres desafiando la indignidad y la cobardía de la comunidad internacional. Ya que la comunidad internacional ha decidido, por un lanzamiento de dados, el futuro fratricida del pueblo haitiano, debe recordar que ningún «lanzamiento de dados puede abolir el azar» (Poema; 1914; Stéphane Mallarmé).

No nos limitemos a indignarnos, levantémonos, pongámonos al lado de los haitianos contra la ocupación y el sometimiento que están a punto de producirse.

Estando al lado del pueblo haitiano soberano, estamos salvando la dignidad que nos ofrecieron cuando se liberaron de la esclavitud y establecieron la primera república negra.

Texto recibido de su autora. Traducción del francés gentileza M. Acosta.

 

Fuente: Haiti no MINUSTAH