Ações em defesa de ativistas da terra marcam Abril Vermelho

Massacre de Eldorado dos Carajás marcou a luta camponesa em todo o mundo transformando abril em um mês de resistência no campo e na cidade.

O Abril Vermelho é responsável por trazer ao destaque a memória e intensificação da luta dos povos indígenas e sem-terra pela demarcação de territórios e o fim da violência no campo. A Rede Jubileu Sul Brasil e suas organizações membro em diversas regiões do país estão envolvidas nas mobilizações especialmente neste mês em que a pauta indígena se destaca.

Entre as ações está um projetaço em cidades brasileiras, como Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O foco, além da lembrança do Abril Vermelho e o grito pela demarcação de terras indígenas, é chamar atenção para o aprofundamento da desigualdade durante a pandemia, com o aumento de bilionários em um país que se vê retornando ao mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em São Paulo o projetaço acontece na noite desta terça-feira (13), no Rio de Janeiro na noite de quarta-feira (14). As imagens do projetaço nas quatro cidades poderão ser vistos nas redes sociais do Jubileu Sul Brasil.

É no mês de abril que se lembra o massacre dos 21 trabalhadores rurais Sem Terra, a mutilação de outros 69, provocado pelo próprio estado do Pará, na época governado por Almir Gabriel, em uma tentativa de retomar posse de terras ocupadas por trabalhadores sem-terra, no dia 17 de abril de 1996.

Esse acontecimento, reconhecido até hoje como o Massacre de Eldorado do Carajás, é uma das ações mais agressivas do estado brasileiro contra a própria população já registradas. A violência virou notícia nos veículos de comunicação e levou o mundo a conhecer os eventos daquela manifestação, onde trabalhadores foram executados com os seus próprios instrumentos de trabalho.

A data foi transformada no Dia Internacional da Luta dos Camponeses e das Camponesas, para que sua memória fique marcada como símbolo para resistência dos ativistas que discutem a questão agrária e são vítimas de violência em todo o mundo. A questão se tornou ainda mais forte agora. Se antes o governo não dava atenção a essa violência no campo, agora é um dos principais incentivadores da violência contra ativistas da terra.

Segundo dados do Centro de Documentação da Comissão Pastoral da Terra, divulgados no final de 2020, foram registradas mais de 1.083 ocorrências de violência contra a ocupação e a posse, que atingiram 130.137 famílias. Os dados de invasão de territórios são mais alarmantes ainda quando comparados com o ano anterior. Em 2019, a CPT havia registrado, em números absolutos, 9 invasões envolvendo 39.697 famílias. Um ano depois, foram registradas 178 ocorrências de invasão, os indígenas foram as maiores vítimas dessa violência.

Como forma de prestar apoia a essa luta, a Rede Jubileu Sul Brasil organizou a live “Reconhecendo Raízes – Com as indígenas Pankararu de Francisco Morato/SP”, no último domingo (11). Conduzida pelas mulheres Pankararu, que abriu essa semana importantíssima na memória das populações que sofrem violência por territórios.

Entre os temas debatidos estiveram a educação, identidades, resistência dos povos, saúde no contexto de pandemia, dívidas sociais históricas e construção coletiva para garantia de direitos, além da afirmação identitária, especialmente no contexto urbano.

Em sequência, dos dias 12 a 17 de abril temos uma série de eventos organizados pela 6ª Semana Social Brasileira (SSB), na chamada Semana do Ativismo, com o foco na luta do “Mutirão pela vida: por Terra, Teto e Trabalho”, lema da 6ª SSB.

A situação dos pescadores também é parte dessa semana de lutas pelo território. A 6ª SSB, em conjunto com o Conselho Pastoral dos Pescadores e entidades parceiras debateram na última terça a defesa do Território Pesqueiro.

Como pauta está o Projeto de Lei 131/2020 pelo Território Pesqueiro que pede o reconhecimento, proteção e garantia do direito ao território de comunidades tradicionais pesqueiras. Tidas como patrimônio cultural material e imaterial sujeito a salvaguarda, proteção e promoção, bem como o procedimento para a sua identificação, delimitação, demarcação e titulação.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Inscríbase en el seminario virtual “Una mirada al Cono Sur: luchas y desafíos actuales

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El primer panel virtual del trío de charlas Deuda, Privatización y Libre Comercio: ¿qué hemos aprendido de nuestras luchas? ¿Qué perspectivas tenemos? Será el 5 de abril (lunes), a las 17:00 horas, con el tema “Una mirada al Cono Sur: luchas y desafíos actuales”. Libre comercio y privatizaciones. El evento será transmitido en vivo por Facebook de Jubileo Sur Brasil.

En este 1er panel se propone analizar, con la participación de diferentes expertos invitados, cómo se desarrollan los procesos económicos, históricos, ambientales, sociales y de lucha en los países de la subregión del Cono Sur.  Inscríbase gratuitamente en el primer seminario haciendo clic en http://bit.ly/ConeSulJSA1 (habrá un certificado para quienes participen, a través de la plataforma Zoom, en al menos dos de los tres seminarios).

Entre los panelistas confirmados para este primer día de conversación se encuentran Ana Agostino (Uruguay), doctora en estudios de desarrollo y profesora de la Universidad Centro Latinoamericano de Economía Humana (Universidad CLAEH), la socióloga Martha Flores (Nicaragua), de la secretaría general de la Red Jubileo Sur/Américas y coordinadora general de la organización Intipachamama, y el parlamentario del Mercosur Ricardo Canese (Paraguay). La moderadora es la economista Sandra Quintela, articuladora de la Red Jubileo Sur Brasil.

Iniciativa de la Red Jubileo Sur/Américas, la serie de eventos del trío tiene como objetivo promover un espacio de conocimiento, reflexión sobre las realidades de los países del Cono Sur (Argentina, Brasil, Chile, Paraguay y Uruguay) y experiencias en la región. Otro objetivo de la actividad es mapear los movimientos y organizaciones sociales basados en las luchas de la región, centrándose en las luchas históricas y actuales para construir una agenda articulada.

El segundo y tercer panel tendrán lugar, respectivamente, el 12 y el 26 de abril. Consulta los detalles del programa, haga su inscripción y participe:

Programa

5 de abril – 17 horas

Panel 1: Una mirada al Cono Sur: luchas y desafíos actuales. Libre comercio y privatizaciones.

Luchas, acciones y procesos sociales.

12 de abril – 17 horas

Panel 2: Las deudas y su centralidad: una mirada a las deudas sociales, ambientales y financieras en el Cono Sur.

Deuda y modelo de desarrollo; demanda social generalizada por parte del agronegocio y la minería; genocidio de los pueblos originarios y devastación de los bosques; mujeres y deuda.

26 de abril – 17 horas

Panel 3 – Esperanzas, perspectivas, caminos y organización popular.

Movimientos indígenas, quilombolas, campesinos, de mujeres y de derechos humanos.

SERVICIO

Ciclo de debates Deuda, privatización y libre comercio: ¿qué hemos aprendido de nuestras luchas?

Fecha: 5, 12 y 26 de abril

Hora: 5 pm

Inscripción para el primer panel: http://bit.ly/ConeSulJSA1

Boletim informativo REDE JUBILEU SUL BRASIL – Março/2021

DOSSIÊ BERTA CÁCERES No contextual atual em que os povos originários das Américas estão entre os mais afetados pela profunda negligência dos governos nacionais em relação à pandemia de covid-19, relembrar a trajetória de luta ✊ de uma mulher indígena, do povo Lenca, em Honduras, revigora nossa resistência e nossa luta por um modelo de sociedade anticapitalista. Leia mais em “Você tem a bala, eu tenho a palavra” – Um dossiê sobre Berta Cáceres

 

 

DOSSIÊ MARIELLE FRANCO
Completou-se três anos que a pergunta “Quem mandou matar Marielle Franco?” segue sem resposta. A revolta diante da impunidade e o temor pela perda de uma militante dos direitos humanos, não são maiores do que a nossa gratidão pelo legado que Marielle nos deixou. Leia mais em A cria da Maré que enfrentou os poderosos do Rio – Dossiê sobre Marielle Franco.

Entre os dias 1º e 7 de março, o Coletivo de Mulheres da Rede Jubileu Sul Brasil promoveu uma semana de ativismos. foi postado nas nossas redes sociais, vídeos da série “Nós, mulheres, na defesa e na luta por direitos”, produzido pelas integrantes do coletivo. Para saber mais acesse: Coletivo de Mulheres do Jubileu Sul lança série de vídeos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O último 8 de março, Dia Internacional da Mulher, foi mais um dia de lutas em torno da caminhada delas em busca de igualdade em todos os setores da sociedade. Coletivos de todo o país se manifestaram, buscando discutir as principais formas de combater as injustiças de gênero, ainda mais aprofundadas com a crise causada pela pandemia de Covid-19. Leia o texto completo Luta pelo direito à vida e renda marcam o Dia Internacional da Mulher.

Fuente: Jubileu Sul Brasil

A cria da Maré que enfrentou os poderosos do Rio – Dossiê sobre Marielle Franco

Arredores da praça Floriano Peixoto, Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Nesse endereço está localizado o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal da capital fluminense.

Dentro daquele prédio, em 8 de março de 2018, ouvia-se: “as rosas da resistência nascem do asfalto. Nós recebemos rosas, mas também estaremos com os punhos cerrados, falando do nosso lugar de vida e resistência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas. Até porque não é uma questão do momento atual”.

Da galeria, num tom de voz elevado, um homem que acompanhava a sessão legislativa manifestava afirmações em defesa da Ditadura Militar, como forma de atrapalhar o discurso feito naquele momento. Em resposta, a oradora foi enfática: “não serei interrompida, não aturo interrupção dos vereadores desta Casa, não aturarei de um cidadão que vem aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher eleita”.

Seis dias depois, na rua Joaquim Palhares, também região central do Rio, há menos de 10 km do Palácio Pedro Ernesto, quatro balas atingiam a cabeça da autora daquele discurso. Assim, na noite daquela quarta-feira, 14 de março de 2018, Marielle Francisco da Silva, conhecida por Marielle Franco, era interrompida.

Mas se os tiros que tiraram a sua vida e do seu motorista, Anderson Gomes, a interromperam, não foram suficientes para silenciá-la. Marielle virou semente crioula que, enfrentando a dureza das estruturas racistas e patriarcais, se multiplica em sementes ainda mais resistentes, diversas e coloridas.

Uma dessas sementes é Mônica Benício, arquiteta, pesquisadora de temas relacionados ao Direito à Cidade, eleita vereadora do Rio de Janeiro no pleito de 2020, também pelo PSOL, sendo a terceira mulher com mais votos.

Viúva de Marielle, Mônica dissemina o legado da ex-esposa na sua ação cotidiana. “Marielle é um símbolo de representatividade, resistência, de luta para as mulheres, sobretudo as mulheres negras, de uma luta antirracista, contra a LGBTfobia. Eu rodei o mundo inteiro cobrando Justiça das autoridades, para que respondam quem os mandou matar, e para que levam a julgamento os executores. É uma luta muito dura, dolorosa, porque é diariamente reviver e relembrar a tragédia que atravessou as nossas vidas. Sem dúvida nenhuma isso foi uma coisa que me colocou em outro lugar politicamente, e a decisão de vir candidata veio com muita escuta dessas pessoas que acreditavam que o projeto pode melhorar o Rio de Janeiro, que o mandato pode voltar a dar esperança para as pessoas nessa cidade”, declarou em entrevista à Carta Capital.

Cria da Maré

Complexo da Maré, maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro e um dos maiores centros populacionais do país, formado por 16 comunidades, numa extensão de 800 mil metros quadrados, em que vivem cerca de 140 mil pessoas

“Olhando os dados do Censo, é alarmante como um espaço pode ser tão negligenciado pelo Estado, e não só pela Política de Segurança. O desconhecimento que muitos moradores têm sobre quais são seus direitos também é preocupante, muitos acham que não podem reclamar de coisas – como moradia e saneamento básico – por morar na favela”.

O depoimento de Joelma de Souza sobre o levantamento censitário feito pela organização Redes da Maré é emblemático de como aquele território escancara a perversidade do Estado orientado na lógica do favorecimento de concentração de riqueza e produção de vulnerabilidades em larga escala.

Os indicadores sobre educação sustentam a denúncia de Joelma: a taxa de analfabetismo dos moradores da Maré é de 6%, mais que o dobro da cidade (2,8%); 37,6% da população mareense completou apenas o Ensino Fundamental; quase 20% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Apenas 2,4% chegaram ao Ensino Superior.

Na difícil batalha entre a importância de estudar e a necessidade de trabalhar cada vez mais cedo para contribuir na renda da família, Marielle Franco foi uma dessas poucas cidadãs da Maré que conseguiram cursar uma faculdade.

Do pré-vestibular comunitário, Marielle foi aprovada na graduação em Ciências Sociais na PUC Rio. Com bolsa integral do início ao fim do curso, Marielle e outra colega eram as únicas mulheres negras do departamento.

Anos depois, a seleção e conclusão do mestrado em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense, com a dissertação que apenas o título – UPP: a redução da favela a três letras” – era uma demonstração do seu compromisso com a vida e a dignidade das mulheres, homens, meninas e meninos que resistem nas favelas cariocas.

A própria vida como inspiração

Antes de ingressar na PUC, Marielle se tornou mãe aos 19 anos. Esse é outro fato que revela como Marielle era uma expressão real do local em que nasceu e foi criada: 56% das mulheres com até 29 anos do Complexo da Maré são mães. E como a própria Marielle disse: “ser mãe na favela não é fácil”.

Se viva estivesse, Marielle sentiria orgulho de Luyara Santos, sua única filha, estudante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que leva as ideias e mensagens da mãe para todas as partes do mundo através do Instituto Marielle Franco, uma “organização sem fins lucrativos, criada pela família de Marielle, com a missão de inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade por um mundo mais justo e igualitário”, conforme consta no site oficial.

A maternidade ainda jovem, para Marielle, foi um impulso para a sua luta em defesa das mulheres negras e demais segmentos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Isso me ajudou a me constituir como lutadora pelos direitos das mulheres e debater esse tema nas favelas”, escreveu certa vez no site do seu mandato.

Além da maternidade, a própria existência enquanto mulher, negra, bissexual, socialista e de favela contribuiu para a definição da trajetória de Marielle. Também ainda na juventude, Marielle teve uma amiga da Maré morta por uma das incontáveis balas perdidas que atingem as “peles alvo”, como canta Emicida, no Rio de Janeiro.

Uma voz contra os poderosos do Rio

Essa trajetória alcançou um patamar mais expressivo quando Marielle decidiu disputar as eleições municipais de 2016. Em depoimento à BBC Brasil, o vereador Tarcizio Motta, ex-colega de Marielle na Câmara do Rio, disse que “Ela se lançou candidata em 2016 motivada pela necessidade de que as mulheres estejam na política, pela necessidade de combater o racismo, para mostrar que uma mulher negra e favelada pode e deve ocupar os espaços de poder”.

Pois foi o chão de onde veio e a sua própria história de vida que guiaram a (curta) atuação parlamentar de Marielle. Para além dos 16 projetos de lei que apresentou em apenas 13 meses de mandato, quase todos com foco em políticas públicas para mulheres, população negra e LGBTQIA+, Marielle incomodava os poderosos.

No período do assassinato da vereadora do PSOL, o Rio de Janeiro, que atravessava uma escalada de violência, estava sob intervenção federal na área da Segurança Pública, algo que Marielle acompanhava de perto, já que assumiu, no final de fevereiro, a relatoria da comissão criada na Câmara do Rio para monitorar a intervenção.

Uma das formas de Marielle expressar a sua defesa dos direitos humanos e denunciar os abusos do Estado era através das redes sociais.

Na semana antes de ser assassinada, compartilhou que policiais do 41º Batalhão da Polícia Militar, no Irajá, teriam agido com truculência na comunidade de Acari, “aterrorizando e violentando moradores”. Na mesma publicação ela disse que “o que está acontecendo agora em Acari acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”.

Dias depois, na véspera do crime que tirou a sua vida, Marielle protestou contra a morte de mais um jovem na cidade. “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja”. Na postagem, a vereadora questionou: “quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”.

Um dia depois, era a própria Marielle que morria. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Antônio Franco, pai, demonstrou não ter dúvidas sobre a motivação do crime: “só tinha uma maneira de calar a minha filha: é o que eles fizeram com ela. Porque se eles não matassem, ela ia alçar voos mais altos. Ela ia chegar muito mais longe”.

Logo após o assassinato de Marielle, as redes sociais de Norte a Sul do país foram inundadas com conteúdos mentirosos que atentavam contra a biografia da vereadora. A título de exemplo, uma pesquisa feita pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP (Universidade de São Paulo), com respostas de 2.520 pessoas a um questionário online mostrou que 1.145 pessoas disseram ter recebido variações de textos dizendo que Marielle era ex-mulher do traficante Marcinho VP e que havia engravidado dele aos 16 anos, ou, em menor quantidade, uma foto que supostamente mostrava Marielle sentada no colo de Marcinho VP (não eram ela nem ele na imagem).

Emblemática neste sentido foi a mensagem postada por Marília Castro Neves, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “a questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’, ela estava engajada com bandidos” Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores”.

No último dia 03 de março, Marília Castro Neves foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça da ação penal de calúnia por esse comentário. A decisão escancara que Marielle não teve o “privilégio” de morrer apenas uma vez.

Enquanto isso, prestes a completar três anos do assassinato da cria da maré que virou semente, algumas perguntas seguem necessárias: Quem mandou matar Marielle? Quanto tempo será preciso para que o caso seja completamente solucionado? Quantas pessoas mais serão assassinadas por denunciar os poderosos?

Para saber mais sobre a vida e a história de Marielle Franco

Sementes: Mulheres pretas no poder

Dirigido por Éthel Oliveira e Júlia Mariano, o longa metragem acompanha, escuta e revela quem são algumas das mulheres negras na política brasileira, sobretudo as que conquistaram espaço após o assassinato de Marielle.

Link: www.youtube.com/c/EmbaubaFilmes/vídeos

Respeitem a nossa dor

Minidocumentário que relembra os atos de moradores da comunidade carioca em homenagem a Marielle.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=Fd6qz2_zYnE

A Voz de Marielle

Filme que conta parte da trajetória de Marielle Franco, a partir de uma entrevista concedida por ela à pesquisa “Emergência Política na América Latina” do Instituto Update.

Link: http://maranha.com.br/portfolio/a-voz-de-marielle/

UPP: a redução da favela a três letras

Dissertação de Marielle Franco sobre a política de segurança pública no Rio de Janeiro.

Link: https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFF-2_cb9b1f2357cfc51dafe5fabead0084f2

Instituto Marielle Franco

Site do Instituto criado pela família de Marielle como forma de manter viva a sua memória e história.

Link: https://www.institutomariellefranco.org/

A Verdade sobre Marielle Franco

Site que reúne algumas das ações de Marielle quando vereadora e desmente conteúdos falsos que circulam pelas redes sociais a seu respeito

Link: https://www.mariellefranco.com.br/averdade

WikiFavelas

Página colaborativa que reúne informações sobre a vida de Marielle Franco, publicadas por organizações de defesa dos direitos humanos

Link: https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Marielle_Franco

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Joaquin Piñero provou que o sonho da comunicação popular é possível

Joaquin foi um dos principais responsáveis pela criação do Brasil de Fato em formato tablóide no Rio de Janeiro (RJ)

Vivian Virissimo
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |

Ao fundo, Joaquín posa com a equipe do Brasil de Fato RJ em 2019 – Brasil de Fato RJ

A sexta-feira (12) amanheceu mais triste com a notícia da despedida de Joaquin Piñero, apaixonado militante das causas sociais e da luta pela comunicação popular.

Joaquin foi um dos principais responsáveis pela criação do Brasil de Fato em formato tablóide na cidade do Rio de Janeiro, iniciativa pioneira do campo popular e que foi lançada posteriormente em diversas capitais do país.

:: Joaquin Piñero: MST perde um incansável companheiro de luta pela classe trabalhadora ::

Um projeto extremamente ousado que distribuiu, de graça, milhares de exemplares de jornais para a classe trabalhadora. O objetivo era mostrar uma visão popular do Brasil e do mundo, radicalmente diferente da apresentada pelo monopólio da imprensa brasileira.

No início, em maio de 2013  – ou seja, às vésperas das manifestações de junho de 2013 – , chegou a ter 100 mil exemplares distribuídos gratuitamente, sobretudo para os passageiros que chegavam de trem ou metrô na Central do Brasil.

Tal iniciativa só havia sido concretizada pela esquerda no Rio de Janeiro em períodos ditatoriais, jamais em tempos democráticos, e Joaquin trabalhou duro para realizar esse feito.

Antigo sonho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o jornal gratuito lançou a esquerda no grande desafio de sair da sua bolha e dialogar diretamente com a classe trabalhadora.

Nunca foi fácil a escolha dos temas e do tom a ser usado para debater as ideias de esquerda com uma linguagem mais próxima do povo. Para isso, Joaquin e os demais conselheiros e conselheiras se revezam para fazer o exercício da análise da conjuntura e também na elaboração de editoriais sobre pautas da semana.

O projeto prosperou e chegou a ter duas edições semanais, uma na segunda-feira e outra na quinta-feira, dias escolhidos não à toa, mas para contemplar os resultados das partidas de futebol na contracapa – uma forma de iniciar a prosa sobre as pautas da semana com a perspectiva da esquerda.

Porém, em diversos momentos o projeto cambaleou com períodos de suspensão de circulação devido aos custos de impressão e passou a centrar sua produção jornalística na internet.

A última edição impressa do jornal circulou em fevereiro de 2020 logo após a decretação da pandemia. Ao longo desses anos, o jornal resistiu com apoio de sindicatos de trabalhadores petroleiros e também da Prefeitura de Maricá.

Joaquin escrevia semanalmente e de forma disciplinada sobre a conjuntura na América Latina em sua coluna que era publicada no jornal, reproduzida na internet e locutada para o programa de rádio do Brasil de Fato, veiculado de segunda a sexta-feira na rádio Band AM por mais de um ano.

Muitas vezes escrevia nas madrugadas, direto da Escola Florestan Fernandes, após as aulas dos cursos de formação ou também de países da América Latina em função de suas viagens em missões internacionalistas representando o MST.

Mas se engana quem pensa que a participação de Joaquin nos projetos de comunicação se restringia ao Brasil de Fato RJ. Antes disso, participou da construção do Brasil de Fato em formato standard, fundado em 2003, do jornal Sem Terra, da Agência Notícias do Planalto (ANP) e mais recentemente do CPMídias. Também colaborou regularmente com diversos veículos da América Latina, sobretudo a Telesur da Venezuela.

No Brasil de Fato RJ, Joaquin sonhou junto com os saudosos militantes Vito Gianotti, Alvaro Neiva e Mario Augusto Jakobskind criar um veículo de comunicação para expressar os anseios e demandas da classe trabalhadora.

Testemunhei os grandes esforços e sacrifícios realizados pelo MST e pela Consulta Popular para colocar esse projeto nas ruas e só tenho a agradecer a honra de ter tido a chance de sonhar e também de ter certeza que um projeto popular de comunicação é possível.

Joaquin, presente!

*Vivian Virissimo é jornalista e atuou como editora na fundação do Brasil de Fato RJ de 2013 até 2020.

Edição: Leandro Melito

Fuente: Brasil de Fato