Chamado para campanha de mulheres da Zona Oeste do Rio: faça sua doação!

Chamado para campanha de mulheres da Zona Oeste do Rio: faça sua doação!

Por que doar para a campanha da Teia de Solidariedade da Zona Oeste?

A campanha de financiamento Mulheres da ZO: Saúde Comunitária e Cuidado Radical é um desdobramento das ações políticas e sociais desenvolvidas pela Teia de Solidariedade da Zona Oeste, que permitiu a doação de mais de 3500 cestas básicas e agroecológicas, além de itens de segurança sanitária, produtos de higiene e de autocuidado em várias comunidades da região. Agora, a campanha busca a implantação de estratégias em saúde comunitária, partindo da noção de cuidado radical que pensa o tema em sua integralidade e que compreende as imensas dificuldades estruturais de saúde encontradas nas periferias do Rio. 

A Teia de Solidariedade Zona Oeste é uma articulação política de Coletivas, Coletivos e Instituições que atuam nos bairros de Campo Grande, Bangu, Santa Cruz, Sepetiba, Pedra de Guaratiba, Vargens, Quilombo do Camorim, Recreio e Jacarepaguá, gestada e gerida por mulheres pretas e periféricas e que visa diminuir a vulnerabilidade das famílias impactadas pela pandemia através da ação emergencial em saúde articulada à luta pela assistência social, a moradia popular e a soberania alimentar como direitos.

Através da colaboração com a campanha, é possível auxiliar agricultores familiares e garantir a soberania e segurança alimentar de moradores(as) da Zona Oeste do Rio. 

O Instituto Pacs convida a todos(as) a doarem e ajudarem na ampliação da Teia de Solidariedade da ZO! Venha com a gente nesta luta!

Conheça a campanha!

Trabalhadoras do mundo revelam em e-book as faces do isolamento social causado pela pandemia do Coronavirus

Obra coletiva, o livro “Expandir o presente, criar o futuro” foi pensado por 16 trabalhadoras de diversas nacionalidades, com diferentes culturas e profissões, para refletir o isolamento social – tão necessário-, defender o seu espaço como mulher e respeitar a vida no planeta.

Para tanto, cada autora escolheu entre março e maio, dias que refletiam seu cotidiano em tempos de pandemia de coronavírus. Surpresa, frustração, insegurança, revolta, descoberta, carinho e busca. O encadeamento entre essas expressões ficou a cabo das professoras Fabíola Notari e Mirlene Simões, e da artista visual Priscila Bellotti.

“A ideia da obra era dar voz ao que estava represado e que foi mais agravado em tempos de pandemia. No caso brasileiro, especificamente, pela ausência de políticas públicas e de direitos, baixos salários, sobrecarga e stress”, explica Mirlene Simões. Na avaliação da doutora em sociologia, “o encontro de mulheres jovens, indígenas, afrodescendentes e de outros países nos permitiu pensar coletivamente e avançar contra a opressão”.

O questionamento aos padrões estabelecidos pela grande mídia sobre a temática feminina também está presente no ebook, acredita, “porque mesmo que tenhamos tido avanços no último período em relação à divulgação e à denúncia de temas como a violência contra as mulheres, a abordagem ainda deixa cada uma por si”. “A questão é que problemas como o machismo estrutural, o feminicídio, a violência e principalmente o aumento de trabalho em casa não são individuais e se aprofundaram com Bolsonaro, necessitando ser enfrentados. Em relação às mulheres dos outros países não sentimos este nível de tensão, elas se manifestam de outras formas”, acrescentou.

Reunindo textos, desenhos, fotografias, filmagens, costuras, remendos, fissuras e bordados, o livro reflete, entre outras vozes, professoras de escolas e universidades, uma poetisa cubana, uma escritora finalista do Jabuti, uma psicanalista, artistas e doutoras.

“A seu modo, cada uma de nós procurou elevar o tom e colorir de vida a crítica ao cinza de dificuldades e opressões de sociedades em que as mulheres ainda não são suficientemente valorizadas”, declarou a professora Monica Fonseca Severo. Na sua avaliação, “infelizmente no nosso país, isso ainda está escancarado nos grandes meios de comunicação, que retroalimentam uma visão extremamente machista, conservadora e alienante, que conduz a um apequenamento das mulheres”. “Acredito que a obra é um grito poético contra isso”, concluiu.

Na obra, Célia Maria Foster Silvestre, pós-doutora em Estudos sobre Democracia afirma que “no Brasil, o vírus repercute a ausência de humanidade presente na boca que escancara a necropolítica e ri das mortes anunciadas”.

ACOMPANHE – O sarau virtual e bate-papo de lançamento acontecerão no próximo dia 27 de junho, sábado, a partir das 15 horas, pelo aplicativo Zoom, https://zoom.us/j/96613874717, ID da reunião: 966 1387 4717

O e-book será vendido a preço popular, a partir do dia 27/06, pela Banca Vermelha https://www.abancavermelha.com/

Acompanhe em https://www.instagram.com/expandiropresente/ e https://www.facebook.com/expandiropresentecriarofuturo

 

Fuente: Barao de Itarare

Jubileu Sul Brasil: Militarização cresce e agrava violações durante pandemia de COVID-19 nas favelas do Rio de Janeiro

Apesar da proibição pelo Supremo Tribunal Federal, operações policiais aumentaram mesmo com a pandemia de coronavírus. No Complexo da Maré, a comunicação comunitária é uma das armas contra a militarização e o coronavírus

Protesto das comunidades no Rio de Janeiro. Foto: Daiene Mendes

Protesto das comunidades no Rio de Janeiro. Foto: Daiene Mendes

No início de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu operação policial nas favelas do Rio de Janeiro durante a pandemia, numa decisão liminar que restringe as operações às situações “absolutamente excepcionais”, com autoridade competente justificando por escrito e comunicado ao Ministério Público estadual.

Apesar da decisão do STF, na manhã de 17 de junho houve tiroteio entre policiais e traficantes na Favela da Maré, com um porta-voz da Polícia Militar alegando que havia “uma tropa em deslocamento” à cidade de Angra dos Reis que tomou tiros vindos do Parque União, levando a tropa a entrar na comunidade emergencialmente.

A violência militarizada e o controle dos corpos pelo governo nas favelas são crescentes nas últimas décadas e ainda piorou na gestão do governador Wilson Witzel (PSC).

Em 2019, as 16 comunidades que formam o complexo da Maré, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, foram alvo de 39 operações policiais: uma a cada 9,4 dias ou quase 300 horas, resultando em 49 mortes por armas de fogo (uma morte a cada 7 dias), das quais 34 devido à ação policial e 15 por grupos armados, além de 45 feridos, aponta o Boletim Direito à Segurança Pública na Maré elaborado por organizações não governamentais. O índice aumentou 100% no governo Witzel – em 2018, foram 24 mortes por violência armada e 11 feridos.

O estado do Rio de Janeiro está em 14º no país em apreensão de armas, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e está em 1º lugar no Brasil no índice de vítimas de letalidade violenta: em 2018, das 6.714 vítimas no Rio, 81% (5.453) foram mortas por armas de fogo, segundo dado Instituto de Segurança Pública (RJ).

Pandemia agrava violações em comunidades cariocas

Foto: Kati Tortorelli/RioOnWatch

Foto: Kati Tortorelli/RioOnWatch

Em 2020, nem a pandemia de coronavírus (COVID-19) nem a recente decisão do STF cessam a militarização e as violações contra os favelados praticada pelo Estado. Ao contrário, as intervenções militares aumentaram, como relata a moradora da Maré e jornalista Gizele Martins, 34, comunicadora comunitária e ativista há 20 anos.

“Num contexto como esse de pandemia, em que os governantes deveriam estar resguardando, salvando nossas vidas, é o momento que eles mais atiram, em que há mais operações policiais e mais homicídios cometidos nas favelas pelas polícias do Rio de Janeiro, com mais jovens negros assassinados, número que aumenta se comparado ao mesmo período do ano passado. Ou seja, as dificuldades que temos enfrentado nas favelas e periferias neste momento no Rio são inúmeras”.

Entre os casos emblemáticos ocorridos neste período, está o de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, assassinado dentro de casa com um tiro pelas costas de fuzil calibre 5,56, o mesmo usado durante a operação das polícias Federal e Civil que levou à morte do menino em 18 de maio, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. 

Apesar da COVID-19, três meses se passaram e o governo não organizou nem estruturou o básico para enfrentamento da crise sanitária e socioeconômica. Hospitais e serviços de pronto atendimento estão sucateados, sem máscaras, remédios e unidades de terapia intensiva e, enquanto as operações policiais continuam, os moradores seguem sem sequer ter garantia de abastecimento de água que é uma das principais formas de evitar o contágio pelo vírus. 

Com uma população majoritariamente favelada, periférica, negra, nordestina, a jornalista conta que o Rio de Janeiro vem sendo historicamente laboratório de uma política de genocídio, racista, chamada de “política da morte”, onde a riqueza da cidade, que tem um dos metros quadrados mais caros do mundo, vive da mão de obra barata dos que residem nas favelas e periferias, numa desigualdade imensa e visível.

“A favela já é criminalizada desde sua existência, há 120 anos, e nas últimas décadas viramos laboratório, com governantes que gastam mais dinheiro na criminalização, militarização e controle dessa população do que em investimentos em saúde, educação, habitação, cultura, lazer, memória, comunicação”, critica Gizele.

A ativista explica que os primeiros caveirões, os carros blindados usados pela polícia fluminense, chegaram no Rio vindos do apartheid da África do Sul, e os novos blindados da política de apartheid e racista militarizada de Israel, país onde a Polícia Militar fluminense também fez treinamento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Os governos atuais trouxeram os helicópteros blindados, o caveirão aéreo – o mesmo que leva o corpo de João Pedro a uma base aérea depois do tiro da polícia.

“É uma estrutura racista, que novamente nos exclui de qualquer direito e de tentarmos salvar nossas próprias vidas durante a pandemia. É o histórico de uma política que já não funciona para nós”, pontua a jornalista.

Comunicação comunitária para ações de luta e solidariedade

A jornalista e ativista Gizele Martins

A jornalista e ativista Gizele Martins

Mestre em cultura, educação e comunicação, Gizele Martins organiza e lidera formações sobre a história das favelas, comunicação comunitária e antirracista. É autora do livro “Militarização e censura – A luta por liberdade de expressão na Favela da Maré”.

A obra é resultado não só da pesquisa de mestrado, mas da experiência de vida da ativista sobre a atuação do exército em 2014 e 2015 na Favela da Maré para a realização da Copa do Mundo no Brasil, e trata dos impactos da militarização em meios de comunicação comunitários do conjunto de favelas da Maré, trazendo vivências e resistências.

E é exatamente a comunicação comunitária que tem sido ferramenta de ação para enfrentamento à militarização e também à pandemia nos territórios da Maré, com planos de comunicação interna e externa para que as informações cheguem a todos, pois nem todos os moradores têm acesso à energia e à televisão, rádio, internet. 

“Temos atuado também de uma forma midiática, fazendo uma assessoria de imprensa tanto para divulgar os trabalhos que temos feitos na favela, como a Frente de Mobilização da Maré e no Morro do Alemão, Santa Marta, Rocinha. E uma assessoria de comunicação que coloque nossa realidade como causa. Na maioria das vezes, há uma comunicação que não nos serve porque não coloca nossas particularidades, uma comunicação comercial que não nos comunica”, explica a jornalista.

Contra a COVID-19, vídeos, podcasts, cartazes e faixas espalhados em locais públicos das favelas, carro de som e também bicicletas pelas ruas, becos e vielas diariamente falando sobre cuidados e orientações para prevenir o coronavírus, com conteúdos produzidos seguindo as recomendações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foi criado o Painel #CoronaNasFavelas, que monitora os casos confirmados e mortes decorrentes da COVID-19 nas favelas do Rio de Janeiro – com 2.214 contágios e 448 mortes até o fechamento desta reportagem, dos quais 285 infectados e 70 óbitos na Maré.

E pelo site da Frente de Mobilização da Maré, da qual Gizele faz parte, foi criado um cadastro para levantamento das necessidades das famílias na pandemia, onde também é possível fazer doações para garantir as ações de solidariedade. Atualmente, são 3 mil cestas básicas distribuídas mensalmente, além de kits de higiene e ajuda para fornecimento de gás, com quase 100 voluntários envolvidos e usando máscaras, equipamentos de proteção individual, providenciando tanto a entrega como a higienização prévia dos produtos.

“É um trabalho enorme e somos todos voluntários, todos moradores da favela. Sofremos também com os tiros, violações, falta de direitos e tentamos fazer esse trabalho que é gigantesco, não é um trabalho fácil. Precisamos sempre de apoio porque somos uma favela com 140 mil moradores, é muita gente nas dezenas de favelas no Complexo da Maré”, conclui.

O lugar da Maré

Favela do Complexo da Maré. Foto: Marco Derksen/Flickr/CC

Favela do Complexo da Maré.
Foto: Marco Derksen/Flickr/CC

Os quase 140 mil habitantes do complexo da Maré, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, estão num bairro com um conjunto de 16 comunidades que surgiram e se consolidaram entre 1940 e 2000, às margens da Baía de Guanabara, por movimentos de ocupações e intervenções públicas do governo. A mais antiga é o Morro do Timbau (1940) e a mais recente Novo Pinheiros (2000).

De acordo com o Censo da Maré, 51% dos moradores são mulheres; 62,1% se declaram negros e pardos;  61,8% vivem na Maré desde que nasceram; quase 10% têm entre 25 e 29 anos.

Vivem sem água canalizada 0,3% dos moradores e 26,4% têm que levar o lixo até o local de coleta; 37,6% da população estudou até o ensino fundamental e, dos adolescentes entre 15 e 17 anos, quase 20% estão fora da escola.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Rede Jubileu Sul Brasil parabeniza Nora Cortiñas pelo seu aniversário

Nora Cortiñas completará 90 anos hoje, como presente, ela deseja apenas o cancelamento de todas as dívidas que estão empobrecendo, escravizando e matando tantos povos no planeta.

A Rede Jubileu Sul Brasil parabeniza e apoia Nora!

Juntas e juntos, podemos divulgar seu pedido, adicione suas assinaturas no formulário: https://forms.gle/i9X6HpV3v6Gw69tK6

#AVidaAcimaDaDívida #AnulaçãoDaDívidaJá #ApoiamosOPedidoDeAnulaçãoDaDívida #FelizAniversárioNoraCortinãs

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Posted by Jubileu Sul Brasil on Sunday, March 22, 2020

Brasil de Fato: Contra Bolsonaro, por Marielle e pela vida, 8M reúne milhares de mulheres pelo Brasil

Manifestações ocorrem em diversas cidades do país, ao longo de todo o domingo (08)

Redação

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
 

Ouça o áudio: Download

 

Manifestantes mantiveram ato de 8 de Março na Avenida Paulista, mesmo após forte chuva na capital. – Elineudo Meira

Milhares de mulheres, espalhadas por todo o Brasil, saíram às ruas durante todo o domingo (08) por igualdade de direitos e contra a violência. Os atos aconteceram em diversas cidades do país desde o início da manhã. Os principais temas foram o fim da violência contra a mulher, fora Bolsonaro e direitos iguais. O assassinato da vereadora Marielle Franco, que completa dois anos no dia 14 de março, também foi relembrado em diversas manifestações. 

Em São Paulo (SP), mesmo debaixo de chuva, 50 mil pessoas, de acordo com a organização, se reuniram na avenida Paulista e seguiram em marcha pela região central da cidade, para afirmar o movimento feminista como importante base de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Sob o mote “Mulheres contra Bolsonaro, por nossas vidas, democracia e direitos! Justiça para Marielles, Claudias e Dandaras”, a manifestação foi convocada por mais de 40 coletivos, movimentos sociais, partidos e sindicatos e juntou mulheres de todas as idades e diferentes histórias na mesma luta pelo direito à vida.

Algumas das bandeiras que as manifestantes levantavam diziam respeito ao combate à violência, à legalização do aborto e ao direito aos seus corpos. As mulheres que participaram do ato também criticaram a violência machista contida nas falas do presidente Bolsonaro.

Manifestantes apontam violência machista nas falas de Bolsonaro / Elineudo Meira

“Não é possível que, em pleno século XXI, a gente volte a ter governos autoritários na América Latina. Então, as mulheres estão dando uma aula de luta pela democracia, por aquelas que vieram antes e pelas que virão”, disse Simone nascimento, jornalista e integrante do Movimento Negro Unificado.

A atividade começou com um piquenique agroecológico e apresentações culturais pelo lançamento da 5ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), no fim da manhã. Em seguida, a quantidade de pessoas começou a aumentar na concentração no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para o ato unificado.

O protesto teve como seu principal alvo o governo de Jair Bolsonaro, com críticas à retirada de direitos, exemplificada pelo desmonte das legislações trabalhista e previdenciária, e ao autoritarismo. “Esse ano a gente resolveu expressar que esse governo é quem dirige toda a agenda neoliberal, antidemocrática e conservadora, além de trazer temas caros para a luta das mulheres, como o combate à violência e a legalização do aborto”, disse Nalu Faria, da coordenação nacional da MMM.

Agenda conservadora do governo é alvo de protestos em São Paulo / Gui Frodu

Com participação das mulheres do MST, ato combate o desmonte em Brasília

Em Brasília, cerca de 5 mil mulheres estiveram na marcha do 8 de março, levando para as ruas palavras de ordem contra a violência de gênero e o machismo do governo Bolsonaro e em defesa da descriminalização do aborto. Com o mote “Pela vida das mulheres, em defesa da democracia, contra o racismo e por direitos”, o ato percorreu as ruas da capital, fazendo parada em frente ao Palácio do Buriti, e depois seguiu em direção à Praça da Torre.

:: Acompanhe a cobertura minuto a minuto do 8M em todo o Brasil ::

Acompanhada da filha, a estudante de doutorado Fernanda de Oliveira disse que sempre participa de manifestações de rua quando a pauta é o direito das mulheres. Para ela, nesse contexto político, a mobilização é mais importante do que nunca.  

“Todos os avanços de políticas públicas que tiveram nas últimas décadas estão sendo desmontados. Então, não podemos ficar dentro de casa, é importante demonstrar nossa insatisfação. Enquanto a gente se mantiver calada, vai ter impunidade e vai estar perdendo direito. Então, quanto mais sairmos na rua, melhor”, disse.

Em Salvador (BA), centenas de mulheres ocuparam as ruas da capital baiana em luta por direitos e em defesa da democracia. / Gabrielle Sodré

O ato contou com a participação de mais de 3,5 mil mulheres sem-terra, que estão participando do I Encontro de Mulheres Sem Terra na capital federal, com pautas sobre a reforma agrária popular e a violência de gênero no campo. Para Kelly Mafort, da direção nacional do MST, a participação da marcha em Brasília é uma oportunidade de integrar as pautas das mulheres do campo e da cidade. 

“Essa marcha de hoje ocorre justamente em um período de morte para as mulheres. No campo, as mulheres sofrem os impactos dessa política, que é machista, misógina, que violenta e assassina as mulheres. E são principalmente as mulheres que sofrem na ponta essas contradições das reintegrações de posse e dos despejos e dessa força do latifúndio. Nós estamos aqui denunciando isso”, afirmou a militante.

O ato em Brasília foi finalizado por volta das 14h com falas políticas de representantes de partidos e movimentos sociais no gramado da Praça da Torre.

Ato em Belém tem protesto contra ataques às mulheres indígenas

A concentração também começou por volta das 9h em Belém (PA). Mais de 4 mil mulheres se reuniram na Praça Waldemar Henrique, para participar do ato político-cultural organizado pela Frente Feminista do Pará. Para Mãe de Nangetu, liderança afro religiosa, a manifestação foi necessária para pontuar que as mulheres estão contra os desmontes do governo.

“Nós não concordamos com este governo que está nos massacrando. Nós não concordamos com os maus tratos, com os assassinatos de mulheres, da educação perversa como está, nós não concordamos. Por isso que nós estamos na rua nos manifestando e dizendo #ForaBolsonaro”, afirmou.

Em Belém (PA), mulheres encerraram o ato com o manifesto “O estuprador és tu”, inspirado na manifestação de mulheres contra a violência no Chile e que se espalhou pelo mundo. / Catarina Barbosa

Para a professora da Universidade Federal do Pará (Ufpa) Rosa Acevedo o momento pelo qual passa o país pede que as mulheres se mobilizem e partam para a luta. “Neste 8 de março de 2020, as mulheres brasileiras precisam estar na rua. É necessário darmos a cara para contestar contra todos os ataques que se têm lançado contra as mulheres, as mulheres das comunidades tradicionais, as mulheres indígenas. As decisões do governo que têm atacado direitos fundamentais, direitos ao território, direito à vida, à saúde, à saúde, direito à educação, que têm desconhecido a participação política das mulheres”, diz. 

Militantes pedem fim da violência e saída de Bolsonaro e Zema

Ainda durante a manhã, o ato de 8 de Março em Curitiba (PR) ocorreu no bairro Parolin, periferia da cidade, e pediu por paz na favela. Maria Aparecida mora no local há 27 anos e relembrou das mães que choram por seus filhos devido à violência na região. 

Já em Belo Horizonte (MG), o Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres saiu da Ocupação Pátria Livre colorindo as ruas de lilás contra o machismo, contra a violência e contra a retirada de direitos. Elas pediram pela saída do presidente Jair Bolsonaro e do governador Romeu Zema (Partido Novo). 

Mulheres de diversas organizações, movimentos sociais e partidos também saíram em luta por direitos, democracia e justiça por Marielle Franco, em Palmas (TO).

Mulheres reforçam a luta para ocupar espaços de liderança

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, as atividades ocorreram no Parque Tom Jobim. Diferentes grupos e coletivos montaram uma programação que colocou em foco a luta feminina pela ocupação dos espaços de liderança e pelo fim da violência de gênero. Atividades como yoga, aula de defesa pessoal, dança circular, contação de histórias para mulheres, intervenção poética e oficina de cartazes e de bordado foram oferecidas ao público.

Além disso, durante todo o evento os coletivos ofereceram tendas de apoio jurídico, médico e psicológico às mulheres. O ato contou, também com uma exposição fotográfica sobre diversidade e a tenda da campanha “Não quero veneno no meu prato”, sobre o elevado uso de agrotóxicos nos alimentos.

Em Maceió o 8 de março está sendo marcado pelo Festival Cultural Mulheres em Luta, que começou às 14h conta com apresentações de artistas e grupos locais e avançou pela noite com arte, cultura e resistência feitas por mulheres.

Com o tema “Pela Vida das Mulheres contra o Fascismo, Machismo, Racismo e LGBTfobia, os atos do 8M reuniram cerca de 10 mil mulheres em Fortaleza (CE), no entorno do Centro Dragão do Mar. As atividades incluem rodas de conversa e oficinas, seguidas de um cortejo pela orla da capital cearense. 

Em João Pessoa a concentração começou às 15 horas com um ato político-cultural no Busto de Tamandaré, com o lema “Mulheres na Luta por Direitos!”.

Trabalhadoras do campo e da cidade tomaram as principais ruas de Cametá (PA), em denúncia a violência e em defesa da vida e direitos das mulheres. / Weslley Marques | Levante Popular da Juventude

Entidades e personalidades também publicaram ao longo do dia notas em apoio à luta das mulheres. Confira:

Nota do Movimento dos Atingidos por Barragens

Neste 8 de março, dia de luta das mulheres, as atingidas por barragens se colocam firmes contra a violência de gênero e na defesa da democracia e dos direitos. 

Sabemos que a data, carregada de significado histórico para a organização das mulheres no mundo, não é motivo algum de comemoração, mas, sim, um momento de denúncia das injustiças.

O Brasil, infelizmente, ainda é um país extremamente machista onde há muitas questões a serem pautadas, desde a grave desigualdade salarial até o feminicídio – nosso país amarga o quinto lugar no ranking dos que mais matam mulheres.

Neste sentido, no contexto de violação de direitos das populações atingidas, as mulheres também são afetadas de forma mais profunda, com a falta de reconhecimento na interlocução com as empresas, o fim dos laços familiares e comunitários, além do aumento da violência doméstica e exploração sexual. 

Nós, mulheres, queremos ficar vivas. Em defesa da vida, lembramos de nossas companheiras lutadoras que se foram: Dilma Ferreira, Nicinha, Berta Cárceres, Marielle Franco e tantas outras mortas de forma violenta na luta por um mundo mais justo. 

Com o atual governo, a vida das mulheres se torna, cada dia, mais difícil com aumento do desemprego, cortes em saúde e educação, além dos claros ataques e demonstrações de ódio pela existência feminina.  

Sinal claro do amplo retrocesso que estamos vivendo é a latente necessidade em pautar a democracia, cotidianamente ameaçada pelo próprio presidente. 

Não descansaremos até que todas sejamos livres. Somos mulheres, somos atingidas, somos resistência, estamos em luta. E que este 8 de março inspire nossas próximas batalhas.

Mulheres, água e energia não são mercadoria! 

:: Veja também: “Vocês simbolizam milhares de Rosas Luxemburgos”, diz Lula às mulheres do MST ::

Nota Oficial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Hoje, milhões de mulheres vão às ruas em todo o mundo lutar por bandeiras de igualdade. Elas estão nas ruas por igualdade de direitos, de salário, de oportunidades e, sobretudo, pelo direito à própria existência. Uma coisa tão cara como a vida é negada a uma mulher a cada 7 horas no Brasil. Uma mulher a cada 7 horas. Esse é o número de feminicídios em nosso país, onde, apenas em 2019, o machismo assassinou 1.314 mulheres, incentivado por um governo que naturaliza a violência.

Neste dia que nos convoca à reflexão e à luta, quero lembrar de uma mulher que há 725 dias teve a vida encerrada justamente por encarnar a luta e os ideais das mulheres que sonham com um mundo mais igual: Marielle Franco.

Buscar justiça para Marielle e por todas as Marielles que incomodam por sua força, que incomodam por saber seu lugar e fazer questão de ocupa-lo, é um dever de todos nós.

Eu me somo, ao lado de nosso partido que já levou uma mulher ao mais alto posto da República e é presidido por uma, na luta por um mundo onde as pessoas não sejam subjugadas por seu gênero. Em nossa busca permanente e inegociável por igualdade e justiça social.

Lula

Contra Bolsonaro, por Marielle e pela vida, 8M reúne mulheres em São Paulo (SP) – Créditos: Julia Chequer/Brasil de Fato

Edição: Aline Carrijo e Cris Rodrigues

 

Fuente: Brasil de Fato