Dia da Consciência Negra aponta para a longa luta antirracista no país

Data foi oficializada em 2011, mas dia da morte de Zumbi é rememorada pelo movimento negro desde a década de 1970

Nara Lacerda

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

Monumento homenageia Zumbi dos Palmares em Salvador (BA) – Gorivero / Wikicommons

Na década de 1970, um grupo de militantes, incentivado pela descoberta histórica da data de morte de Zumbi dos Palmares, celebrou pela primeira vez o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. A trajetória do líder do quilombo de Palmares inspirou a criação de um momento que relembrasse a luta contra o racismo no Brasil. Oficialmente, a data só seria inserida no calendário do país em 2011. A demora soa quase irônica, frente à lentidão histórica para a inclusão real das pessoas pretas no Brasil.

Nesta semana o BdF Explica como essa história começou e qual é a importância dela hoje.

Embora seja um personagem centenário, pouco se sabe sobre a história de Zumbi dos Palmares. Há divergências entre historiadores sobre sua infância e sua vida. Boa parte do que foi documentado está sob o ponto de vista dos autores dos diversos ataques contra Palmares. Há um fato que parece ser consenso, no entanto. O líder discordou de tentativas de acordo com a coroa portuguesa. 

Uma carta resgatada pelo historiador Décio Freitas no livro República de Palmares, assinada pelo rei de Portugal, tentava negociar com o quilombo. No texto a coroa dizia que iria “perdoar todos os excessos” de Zumbi em troca de lealdade e fidelidade ao reino. “o faço por entender que vossa rebeldia teve razão nas maldades praticadas por alguns maus senhores em desobediência às minhas reais ordens”, dizia o rei. 

Leia mais:20 de novembro: aquilombados, resistiremos!

Zumbi não aceitou o acordo. O fato do personagem histórico negar negociar com os responsáveis diretos pela escravidão e não admtir a ideia de lealdade a essas pessoas fala muito sobre o líder . Liga Zumbi diretamente ao espírito da luta do povo preto até a atualidade. O fim da escravidão no Brasil não significou inclusão na política, na economia e a garantia de direitos humanos básicos.

Não é exagero afirmar que os trabalhos forçados dos cidadãos africanos, que foram obrigados a migrar para o Brasil, estão na base da construção do país. Entre os séculos XVI e XIX cerca de 11 milhões de pessoas de diferentes países da África foram trazidas para as Américas de maneira forçada, como escravos. O Brasil recebeu seis milhões desses cidadãos.

O trabalho dessa gente em lavouras de cana-de-açúcar e café, minas de ouro e diamante e como serviçais domésticos sustentou os lucros do país por séculos. Foi da escravidão que vieram os ganhos de latifundiários e fazendeiros, os produtos para exportação, a criação e educação dos filhos da elite branca. A economia brasileira cresceu completamente dependente do crime da escravidão.

Ainda assim, mais de 100 anos após o fim da escravidão, a marginalização do povo preto é parte da realidade. O racismo é uma marca colonial persistente. Nesse contexto, Palmares é visto como símbolo da possibilidade real de uma comunidade com economia própria e vida independente do pensamento e do poder colonizador.

No Brasil hoje, os índices de desempregro, violência, pobreza, pouco acesso à educação, entre muitos outros problemas estruturais ainda atingem mais a população preta. Não é possível negar a conexão dessas realidades e o fato de que, por séculos, os povos africanos foram vistos como ferramenta para trabalhos forçados. Corrigir o racismo exige uma revisão histórica e social.

Edição: Rogério Jordão

 

Fuente: Brasil de Fato

Jubileu Sul Brasil: Campanha ‘Raízes para Futuro’ incentiva crianças e jovens a plantar árvores e flores

A Rede Jubileu Sul Brasil está apoiando a ação solidária Raízes para o Futuro, que incentiva crianças e jovens a plantarem árvores, flores e outras sementes como forma de expressão sobre a importância da proteção ambiental, ressaltando que o bem-estar da infância e da juventude estão conectados a um meio ambiente saudável.

Para participar, o Jubileu Sul Brasil convida às crianças e jovens ao plantio simbólico de árvores, flores, jardins e arbusto na primavera de 2020, e a enviar as fotos da atividade pelo e-mail projeto.ods@jubileusul.org.br até o próximo dia 16 de novembro (segunda-feira), Dia Internacional dos Direitos da Criança. As imagens vão se unir a outras enviadas por vários países que se somam à campanha. Quem preferir, também pode publicar nas redes sociais junto com as hashtags #raizesparaofuturo e #jubileusul.

Quem preferir também pode fazer desenhos ou gravar pequenos vídeos (cerca de 45 segundos) sobre a temática. Organizações, escolas e famílias também podem realizar atividades de sensibilização com escrita, pintura, gravação de áudio ou vídeos nas quais as crianças reflitam sobre questões norteadoras, que são: 1) Como você imagina o mundo daqui 10 anos? 2) O que você sente falta no mundo? 3) Como seria o mundo ideal para vocês?

Entre os dias 10 e 20 de novembro, o Jubileu Sul Brasil promove uma ação nas redes sociais e no site divulgando os conteúdos recebidos. Com o lançamento da campanha, em setembro, a rede realizou um debate interno sobre a campanha e as questões em debate, além de incentivar suas organizações membro a participar.

De iniciativa da DKA Áustria, organização que integra o Movimento de Crianças Católicas do país da Europa Central, a campanha dialoga com Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas – o ODS 2 (fome zero e agricultura sustentável) e o ODS 13 (ação contra a mudança global do clima), ambos monitorados pelo Jubileu como parte da ação Protagonismo da Sociedade Civil nas Políticas Macroeconômicas, e ainda o ODS 12 (consumo e produção responsáveis).

O tema da justiça socioambiental é outra questão prioritária do Jubileu Brasil que se conecta com a campanha, assim como o combate ao racismo estrutural que criminaliza e vitimiza meninos e meninas pobres de nossas cidades. A rede luta e defende um modelo de desenvolvimento que respeite os povos e a natureza, além de rechaçar o endividamento e a perda de soberania que também impactam no futuro das crianças e adolescentes dos países da América Latina e Caribe.

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Instituto PACS: “Arte, Comunicação e Cultura como Resistência” é tema do podcast Saberes em Autogestão

Está no ar o terceiro episódio do podcast Saberes em Autogestão, com o tema “Arte, Comunicação e Cultura como resistência”!

Ouvimos as experiências em autogestão de Deysi Ferreira (Teia dos Povos da Bahia), Pedro Stilo (Coletivo Pão e Tinta) e Yane Mendes (Rede Tumulto), que utilizam a arte e a comunicação para fortalecer seus territórios, transformar e potencializar as realidades locais.

Nesta primeira temporada, contaremos com cinco episódios de diferentes temas a partir da perspectiva da autogestão nos territórios. O podcast está disponível em todas as plataformas de áudio e no nosso canal no Youtube.

“Saberes em Autogestão” é uma realização do Instituto Pacs em parceria com o Coletivo Autogestão. O programa tem o apoio de Pão Para o Mundo, Fundação Rosa Luxemburgo e União Europeia, através do projeto “Protagonismo da Sociedade Civil em Políticas MacroEconômicas”, junto com a Rede Jubileu Sul Brasil e Jubileu Sul / América.

Episódio #3:

Apresentação: Alex Hercog

Convidadas/o: Deysi Ferreira, Pedro Stilo e Yane Mendes

Roteiro: Alex Hercog, Isabelle Rodrigues e Rafaela Dornelas

Edição: Alex Hercog

Ilustração: Gabriel Kieling (@kielingg) / Coletivo Etinerâncias

 

Fuente: Instituto PACS