O Fora Bolsonaro e o resgate de um projeto popular para o Brasil

Foto original: Marina Oliveira/APIB. Arte divulgação: Talita Ai Lô

Conviver com a morte e o adoecimento se tornou uma rotina insuportável para a população brasileira. As vacinas estão chegando com meses de atraso e de forma insuficiente, por isso a perspectiva é que um grande número de pessoas ainda sejam vitimadas, aumentando mais o já alarmante e inaceitável número das mais de 513 mil mortes.

Derrotar Bolsonaro antes das eleições de 2022 é importantíssimo pelo que ele representa: o Brasil do atraso, do ódio aos povos, à diversidade, à justiça social. O Brasil em liquidação e vulnerável à exploração econômica, ao mercado financeiro e à irracionalidade do moralismo religioso fundamentalista.

O Brasil representa hoje o segundo país mais letal por Covid-19 do mundo, abaixo somente dos Estados Unidos, e acumula também a maior contagem de casos confirmados de coronavírus, atrás dos Estados Unidos e da Índia.

O cenário de morte por Covid-19 nos absorve, mas é preciso ter atenção e estratégia pautadas no fortalecimento das lutas de forma descentralizada para que ninguém fique sozinho. Enquanto as manifestações pelo Fora Bolsonaro crescem nas ruas e nas redes sociais, uma série de outras lutas seguem na Câmara dos Deputados, no Senado e no Supremo Tribunal Federal. A mais emblemática delas, popularizada como “marco temporal”, revela que é preciso unir as forças para impedir que passem bois e boiadas e que direitos conquistados não sofram retrocessos.  Como tem denunciado incansavelmente o Conselho Indigenista Missionário (CIMI),  “o PL 490/2007 é inconstitucional até em sua forma e tem por objetivo a exploração e a apropriação das terras indígenas”.

Enquanto realizavam atos pacíficos em Brasília na última semana, indígenas foram fortemente atacados por forças policiais. O que se viu foram povos indígenas sozinhos e vulneráveis, mas firmes na luta! Onde estão as forças populares que não se unem por essa causa tão essencial para o país que enfrenta 521 anos de genocídio indígena, da população jovem negra e periférica,  das mulheres, e agora das pessoas idosas e adultas pobres, no contexto da Covid-19?

Lutas históricas e essenciais, como o fortalecimento de um projeto popular para o Brasil não podem ser sequestradas pelo jogo eleitoral, não podem ser negligenciadas ou abafadas pelo grito Fora Bolsonaro. É preciso gritar e construir, propor, organizar, mobilizar e estruturar um projeto concreto para dialogar imediatamente com as forças políticas que se apresentam ávidas por 2022.

As manifestações nas ruas e nas redes são importantes para ressignificar o cenário turvo que vivemos das privatizações, como a da Eletorbras que é um verdadeiro assalto ao patrimônio público.  Bolsonaro continua fortalecendo seus pactos de morte com uma política externa que envergonha o povo brasileiro e nossa diplomacia.

Desde 2019 com a chegada do Bolsonarismo ao governo, o Brasil mudou uma posição histórica sobre a resolução que condena o embargo a Cuba na Organização das Nações Unidas (ONU) há quase seis décadas. A resolução este ano foi aprovada no último dia 23 de junho, ao todo foram 184 votos a favor. Brasil, Colômbia e Ucrânia se abstiveram e Estados Unidos e Israel votaram contra. Basta de bloqueio contra Cuba e seu povo!

Bolsonaro vai cair, mas o que virá depois? O que vamos fazer com o bolsonarismo que seguirá influenciando os três poderes e praticando uma política racista, misógina, patrimonialista que pensa o país desde uma elite que se locupleta a partir da ocupação dos espaço de poder há séculos?

Vamos ocupar as ruas sim! Vamos continuar respirando o ar das bases, pisando o chão das periferias das cidades, das organizações populares do campo, dos movimentos das mulheres, da população negra, indígena e comunidades tradicionais. Como bem diz a canção que tanto já embalou as lutas populares: “Esse é o nosso país, essa é a nossa bandeira, é por amor a essa pátria Brasil que a gente segue em fileira”.

No dia 3 de julho nos encontraremos nas ruas! Não esqueça, use máscara, álcool em gel e colabore mantendo o distanciamento necessário para garantir a segurança de todas as pessoas.

Não devemos! Não pagamos!

Somos os povos, os credores!

Rede Jubileu Sul Brasil, 28 de Junho de  2021

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Jubileu Sul Brasil lança estudo sobre Circuitos Econômicos Solidários

Lançamento ao vivo é neste 21 de junho, às 19h30, nas redes sociais. Publicação digital traz exemplos práticos de circuitos econômicos solidários no Brasil, Guatemala, México e República Dominicana

Por Flaviana Serafim – Jubileu Sul Brasil

Jubileu Sul Brasil e o Jubileu Sul/Américas lançam nesta segunda-feira (21) o estudo “Experiências Econômicas Autogestionadas na América Latina e Caribe”. O evento, em parceria com a Semana Social Brasileira, tem transmissão ao vivo a partir das 19h30 na página do Facebook das organizações e também no YouTube.

A publicação (baixe a íntegra em espanhol no final do texto) traz exemplos práticos de experiências de circuitos econômicos solidários no Brasil, Guatemala, México e República Dominicana, como estratégia de liberação ao modelo de endividamento que subjuga os povos e os bens da natureza do sul global.

Participam do lançamento os pesquisadores responsáveis pelo estudo Celina Valadez, do Dinamismo Juvenil (México), Euclides Mance, da Solidarius Brasil (Brasil), e Nicolas Cruz Tine, do IDEAC (República Dominicana), e ainda Martha Flores, secretária geral do Jubileu Sul/Américas e coordenadora da Intipachamama (Nicarágua). A mediação é da economista Sandra Quintela, articuladora do Jubileu Sul Brasil.

Além de discutir os problemas do modelo de endividamento público e privado que afeta os países da região, o estudo traz uma série de recomendações e visa gerar acúmulo teórico para ação transformadora na realidade, com estratégias para reprodução da riqueza de forma coletiva, a partir da economia solidária como alternativa ao capitalismo.

Acesse o estudo em espanhol (formato PDF) clicando aqui.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Está no ar o site da campanha Mulheres Territórios de Luta!

A campanha Mulheres Territórios de Luta é uma dentre tantas expressões de uma história viva e coletiva que está presente em diversas mulheres. São corpos que, submersos em sentimentos, reflexões e dores, se veem como parte de lutas e conflitos. São mulheres que vivem situações que parecem bem maiores que elas mesmas, mas em realidade são a continuação e o eco de seus corpos-territórios. São histórias, reflexões, sentimentos, expropriações e reapropriações, artes, sonhos, encontros, coletividades, natureza, violências, lutos, indignação, encantamentos e muitas formas de viver e (re)existir.

Mulheres, comunidades e coletividades que se veem, sem consulta, permissão ou diálogo, atravessadas por megaprojetos de morte, vendidos como megaprojetos de desenvolvimento. E que, diante dessa realidade, precisam reafirmar seus corpos-territórios como espaços de luta.

Nessa trajetória, foram publicadas mais de 20 entrevistas, cartilhas, livros, artigos, pesquisas e um Ciclo de Debates, com doze programas ao vivo no Youtube com mulheres lutadoras do Brasil e outras partes da América Latina. No site, é possível encontrar todos estes conteúdos, além de materiais de organizações, coletivos, movimentos sociais e grupos parceiros da campanha.

As mulheres e os territórios resistem!

Convidamos a todas e todos a visitarem o site: pacs.org.br/mulheresterritoriosdeluta/

 

Fuente: Instituto PACS

Política e religião: vamos falar sobre isso?

Diante do cenário de entrega do patrimônio publico, de perdas de direitos sociais, de destruição ecológica e da política ambiental, de fome e miséria crescentes, dos cofres públicos sendo delapidados pelas aves de rapina do capital financeiro não podemos deixar de lado a esfera “religiosa” que envolve a vida política no Brasil. Vale nesse momento de nossa história voltar o olhar para a íntima e antiga relação: política e religião.

Como afirma o antropólogo Clifford Geertz , “na verdade a religião nunca desapareceu”. Embora as ciências sociais tenham se afastado dessa reflexão e aprofundado outros fenômenos da modernidade como secularismo, nacionalismo, racionalização e globalização, por entender que vivemos o declínio da hegemonia das religiões sobre os povos, o que vemos, especialmente na América Latina, é o fenômeno crescente das igrejas pentecostais e alianças políticas partidárias fundamentadas no moralismo que se hospeda na comunidade cristã evangélica pentecostal e católica conservadora. 

É nesse ambiente que crescem e se alimentam os fundamentalismos que se aprofundam e podem ser normalizados na cultura de nossos povos. De onde vem o fenômeno do ódio dirigido à população negra, do preconceito violento com as populações LGBTI, da histórica discriminação com as mulheres?

Como não discutir religião e política num país em que a bancada católica autodeclarada da Câmara dos Deputados é de 53% e a evangélica representa 21%? Chama também atenção o fato de que esses números são maiores do que, por exemplo, a presença de mulheres deputadas que representa apenas 15%. Vale lembrar que as mulheres são mais de 51,8% da população brasileira.

O governo brasileiro, liderado por Bolsonaro, vive um momento político pautado no controle dos corpos, no discurso moralista que se protege na cultura religiosa, na defesa do que chamam de bons costumes, na negação da ciência, sempre apostando na fé cega de pessoas que, capitaneadas especialmente por líderes religiosos, acreditam estar do lado do bem, em heroica oposição ao mal.

Desrespeitando normas sanitárias estaduais e municipais para o combate ao coronavírus, acompanhando pelo o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, Bolsonaro voltou a provocar aglomeração neste domingo (23), desta vez no Rio de Janeiro. Sem constrangimento, pudor ou responsabilidade pública, a cena e os discursos revelam que o governo banaliza as quase 450 mil mortes, abomina o uso de máscara, insiste na propaganda de medicamentos sem efeito para o tratamento de Covid-19 e ignora a campanha de vacinação. Nos discursos, Bolsonaro não abre mão de referências a valores relacionados à cultura religiosa. “Temos que agradecer à nossa direita, àqueles que defendem a família, a Pátria e que têm Deus no coração”, disse neste domingo. É ou não é importante falarmos sobre religião e política?

Nesse ambiente sem abertura para diálogos, a religião cumpre um papel social tanto para a elite burguesa quanto para as periferias sofridas: “aguentar”, “suportar”. Paulo Leminski retrata bem essa realidade em sua poesia “Um homem com uma dor”. Os versos dizem que são três os remédios para quem está sofrendo: “Ópios, édens, analgésicos. Não me toquem nessa dor. Ela é tudo o que me sobra sofrer. Vai ser a minha última obra”.

Sonho, paraíso e analgésico é o que procuram as pessoas quando aderem às narrativas com promessas de salvação dos corpos na Terra e no céu, seja na Igreja, seja na hora de escolher seus governantes. Assim testemunhamos a ascensão de um Estado patriarcal, racista, capitalista, patrimonialista (o público é o privado de poucos), monoteísta (Cristo centrista ou Cristo fascista), militarista e grande incentivador da propriedade privada da terra, dos territórios e da natureza.

E se numa roda de conversa escutar a máxima “Política e religião não se discute”? Esse era um modo de nos proteger de enfrentamentos “desnecessários” e manter um ambiente sem confrontos. Diante da ameaça de um sistema político que usa o sentimento religioso do povo para legitimar ações que ferem a democracia, destrói a natureza e mata os pobres de fome, de tiro ou de Covid-19, não há outro caminho possível que não seja abrir esse diálogo e superar enganos históricos que nos fazem acreditar que o confronto de ideias é ruim, que a revolução politica é apenas uma utopia que não se aplica mais aos nossos tempos.

Não devemos! Não pagamos!

Somos os povos, os credores!

                                                      Rede Jubileu Sul Brasil, 24 de Maio de 2021

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Territórios e povos organizados, realidade e esperança no Chile

Queremos cumprimentar os lutadores e lutadoras chilenos, movimentos sociais e populares, e todos os povos que coabitam o território do Chile que desencadearam a rebelião popular de outubro 2019 em resposta à grande crise de representação e de legitimidade que viveu e ainda vive no país, obrigando as classes dominantes a gerar uma saída institucional para a crise, por meio da Convenção Constitucional que escreveria uma nova Carta Magna.

No último fim de semana, o povo chileno expressou suas posições nas urnas, derrotando a direita conservadora e os partidos neoliberais, conseguindo obter a maioria na Convenção Constitucional. Desta forma, a Convenção será composta em grande parte por candidatos independentes de partidos políticos subservientes ao empresariado.

As 83 listas de candidatos independentes conquistaram mais cadeiras do que as três listas dos maiores partidos do país. Juntas, as candidatas e candidatos independentes somam 47 cadeiras na Assembleia. É uma vitória! E, claro, encoraja e dá esperança para aqueles e aquelas que lutam em nossa América Latina e Caribe.

Uma mudança que vem sendo exigida em um processo coletivo de organização popular que no fim de semana pôde ver resultados positivos, a necessidade de uma mudança na constituinte foi confirmada no Chile com a entrega de poder efetivo a quem pode liderar melhor o país, quem está na linha de frente que impulsiona a mudança: os independentes e os de esquerda. Uma esquerda que é fruto dos novos movimentos sociais que aí estão crescendo e que nunca deixaram de estar nos territórios.

Por isso, também queremos celebrar junto com o povo chileno este resultado que tem sido celebrado por todas, todes e todos em nossa América Latina e Caribe. Sabendo que a direita não atingiu um terço das cadeiras, a população pede mudanças votando em candidatos e candidatas, deputados e deputadas independentes, permitindo a construção de uma nova constituição, efetivamente abandonando a Constituição herdada pela ditadura de Pinochet.

Vontade de mudar que não se traduz apenas no voto, mas principalmente nas organizações sociais e populares que se encarregam de resolver as necessidades das comunidades, que se mobilizam e lutam contra o extrativismo predatório e a precariedade da vida, com as quais denunciam a violação de direitos humanos e exigem prisão e punição para os responsáveis ​​políticos por essas violações.

As convenções independentes eleitas são 32% dos 155 membros da Convenção. Onde a maioria das mulheres foi eleita, mas sob o sistema de paridade, elas tiveram que ceder cargos a alguns candidatos do sexo masculino. Os indígenas são 11%. Onde está a dirigente e Machi Mapuche Francisca Linconao, que alcançou o maior número de votos expressos segunda-feira (17) nesta comunidade ancestral durante a eleição dos membros da Convenção Constituinte.

Os independentes tinham orçamentos apertados e quase não tinham tempo de televisão, mas conseguiram um terço dos votos, demonstrando a corrosão do sistema partidário dentro da convenção. Entre as cadeiras dos povos indígenas, os da direita foram derrotados e os indígenas da esquerda venceram.

Esperamos que uma nova Constituição possa garantir que as vozes dos povos sejam ouvidas e garantir a vida digna, a soberania e autodeterminação.

Assim como também esperamos que este processo democrático possa se desenvolver, não sem antes encontrar justiça para as vítimas do terrorismo de Estado de Sebastián Piñera e a liberdade dos presos políticos, porque nenhuma democracia pode ser construída sem antes acabar com tal impunidade.

Julgamento e punição de Piñera!
Liberdade aos presos políticos!
Adiante a organização e a luta dos povos do Chile!

A Vida acima da dívida!
Nós somos os povos, os credores!
Não devemos, não pagamos!

Jubileu Sul/Américas
Jubileu Sul Brasil

Fuente: Jubileu Sul Brasil

13 de Maio, Jacarezinho e as dívidas do Estado com o povo negro e pobre

4 de abril de 2019. O músico e segurança Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, levava a família para um chá de bebê de uma amiga quando recebeu mais de 80 balas em sua direção, disparadas por militares do Exército no bairro de Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. Em referência a este caso, o rapper Emicida escreveu, na música Ismália, que “80 tiros fazem lembrar que existe pele alva e pele alvo”.

6 de maio de 2021. Pouco mais de dois anos depois, ao menos 29 pessoas são assassinadas na favela do Jacarezinho. O “ao menos” deve-se ao fato de que a cada dia novos corpos são encontrados.

Corpos, em sua maioria, negros. Assim como o de Evaldo. Corpos negros assim como o da maioria das 944 pessoas mortas em operações policiais no Rio de Janeiro, desde junho de 2020, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu as operações em favelas, por ocasião da pandemia.

A chacina do Jacarezinho, na zona Norte do Rio de Janeiro, retrata uma violência que a Rede Jubileu Sul Brasil e a 6ª Semana Social Brasileira “Mutirão pela Vida, por Terra, Teto e Trabalho” repudiam veementemente e que denunciam há décadas: há uma política de militarização deliberada no Estado para criminalização da pobreza e do povo pobre trabalhador, entrelaçada com o racismo que é estrutural e estruturante das relações sociais, políticas e econômicas do nosso país. Para além do Brasil, o que se observa é uma ofensiva na região, a exemplo da Colômbia, de Honduras e do Haiti, com a militarização crescente dos Estados nacionais para matar e reprimir a população mais vulnerabilizada. 

À época do assassinato de Evaldo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que o fato havia sido um “incidente” e que “o Exército não matou ninguém”. Agora, o seu vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou “ter quase certeza” de que as pessoas assassinadas no Jacarezinho eram “marginais”.

As declarações de Bolsonaro e Mourão espelham com fidelidade o caráter genocida da gestão atual do Governo Federal e escancaram algo mais amplo, que são as milícias buscando ampliar seu controle territorial, eleitoral e seus “negócios” criminosos, articulados com grupos políticos do Rio de Janeiro. Vinculados ao Estado, diretamente organizadas por servidores da segurança pública, os grupos armados de milícias vêm crescendo no Rio e estariam em pelo menos 57% das comunidades fluminenses (confira o mapa), contando com apoio de prefeituras e setores do governo estadual alinhados com a política genocida federal.

Não por acaso, mesmo com a decisão do STF mencionada acima, as operações policiais continuam no Rio de Janeiro, onde o Estado não respeita a vida nem as leis. O que se vê é uma violência policial estrita às comunidades onde é preciso expulsar uma facção narcotraficante para que a milícia se amplie, não importando quantas vidas serão perdidas.

Mais do que nunca, vemos territórios deliberadamente abandonados pelo Estado, com as polícias agindo ao arrepio das leis e dos direitos humanos para que as milícias ganhem espaço e lucrem com seus crimes. As populações vivem à mercê das milícias criminosas e ainda sofrem com a chegada de outra facção do tráfico, a que vende drogas e que aceita pagar pela autorização dos milicianos.

Violência frequente, coronavírus, falta de vacina, uma pandemia que ultrapassa 420 mil mortes, fome, desemprego e o genocídio do povo negro, pobre e periférico, que segue naturalizado por parcela da opinião pública com apoio das mídias tradicionais propagando a falácia de que são “suspeitos”, são “criminosos” e, portanto, devem morrer.

Como diz Emicida, na mesma música Ismália, “porque um corpo preto morto é tipo o hit das paradas, todo mundo vê, mas essa p**** não diz nada”.

A história oficial diz que 13 de Maio é aniversário da abolição da escravatura no Brasil. Como falar em Abolição quando os corpos negros continuam sendo alvos prioritários do genocídio?

Como falar em abolição quando o Estado segue atuando como braço armado da violência financiada pelo capital corporativo e pelas burguesias? Como falar em abolição quando as dívidas históricas do Estado com a população negra seguem apenas se acumulando?

Que esse 13 de maio também seja de reflexão sobre o privilégio branco, que lamentavelmente contribui para que toda essa dívida histórica se mantenha, pois é fundamental sairmos da zona de conforto e privilégios para nos unirmos por transformação contra toda essa barbárie. Além da ação cotidiana, é essencial a participação das manifestações que acontecem hoje por todo o país.

Nem tiros, nem chacina, nem fome, nem Covid, nem a doutrina de choque do Estado contra os povos e territórios!
Vidas negras importam, vidas faveladas importam! Basta de militarização e violência!
Não devemos, não pagamos. Somos os povos os credores. A vida acima da dívida!

Rede Jubileu Sul Brasil
Semana Social Brasileira

São Paulo, 13 de maio de 2021.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil