Rede Jubileu Sul/Américas realiza sua VI Assembleia Regional

Momento foi de definição do plano estratégico 2023-2027 , de avaliação do período anterior e de celebração dos 24 anos da Rede JS/A. Encontro das organizações da América Latina e Caribe ocorreu de 26 a 29 de outubro, na cidade de São Paulo

Participantes da VI Assembleia Regional no encontro realizado na Zona Sul da cidade de São Paulo. Fotos: Juce Rocha/Jubileu Sul Brasil

Por Comunicação – Jubileu Sul/Américas*

De 26 a 29 de outubro (quinta a domingo), foi realizada na cidade de São Paulo a VI Assembleia Regional da Rede Jubileu Sul/Américas (JS/A), com a participação das organizações membros que compõem o JS/A em 20 países da América Latina e do Caribe. 

A assembleia teve início renovando forças e o esperançar nos 24 anos de caminhada conjunta desde o nascimento da Rede JS/A, dialogando sobre os impactos das dívidas nos corpos e territórios, sobre os avanços no cumprimento da agenda 2019-2023, e reconhecendo a coletividade como fator determinante para enfrentamento dos desafios dos últimos anos, como a pandemia. 

Mística de abertura da VI Assembleia Regional

Durante quatro dias, foram avaliados os avanços nos objetivos traçados na V Assembleia Regional, realizada em 2019 na Guatemala. 

Os relatórios de gestão foram compartilhados, além de uma revisão de eixos e conteúdos que serão a base para ações conjuntas do período 2023 – 2027. A análise e planejamento consideram os cenários sociopolíticos da região; os impactos das dívidas; o aprofundamento da crise social, econômica e ecológica; as migrações forçadas; o extrativismo, a criminalização dos direitos humanos e dos defensores da natureza; a comercialização da vida e a ameaça constante à soberania dos povos.

O início da Rede Jubileu Sul/Américas remonta a 1999, com base nas diversas formas de resistência à dívida ocorridas nas décadas anteriores e no âmbito de campanhas globais que apelavam a um “Jubileu” ou “perdão” da dívida dos países no ano 2000. Ampla e pluralista, a Rede JS/A é composta por movimentos sociais, organizações populares, organizações de mulheres, organizações juvenis, organismos diversos, de direitos humanos e de direitos da natureza. 

Confira as imagens da VI Assembleia Regional da Rede Jubileu Sul/Américas:

*Com edição e tradução da Rede Jubileu Sul Brasil

 

Fuente: Rede Jubileu Sul Brasil

Toda solidariedade ao Haiti!

Camille Chalmes, da PAPDA, no encontro em solidariedade ao Haiti. Fotos: Flaviana Serafim e Juce Rocha/Jubileu Sul Brasil

Confira a declaração de apoio ao país caribenho que há anos passa por múltiplas crises e está prestes a enfrentar mais uma ocupação militar

Por Redação – Jubileu Sul Brasil

Representantes de movimentos populares, organizações, sindicatos, partidos e ativistas de 16 países da América Latina e Caribe participaram do encontro em solidariedade ao Haiti, com a presença de Camille Chalmers, da Plataforma Haitiana para o Desenvolvimento Alternativo – PAPDA. O ato político ocorreu no último dia 25 de outubro, no auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), no centro da capital paulista. 

Publico de 16 países durante o ato político no Sindicato dos Jornalistas

A atividade contou com apoio do Comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmo”, e fez parte da programação da Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências”, promovida na cidade de São Paulo entre os dias 23 e 25 de outubro, numa iniciativa numa iniciativa da Rede Jubileu Sul/Américas (JS/A), do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM-AYNA) e do Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL). 

No debate no SJSP, Chalmers alertou para a gravidade das múltiplas crises enfrentadas pelo povo haitiano há anos: insegurança alimentar, crise humanitária, intervenção militar, instabilidade político-econômica e institucional. Ele denunciou a gangesterização do Haiti por milícias financiadas com apoio dos Estados Unidos, e ainda o papel das políticas impostas por organizações, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), no cenário vivido pela população haitiana. 

Rosilene Wansetto (ao microfone), secretária executiva da Rede Jubileu Sul Brasil

Ao final do encontro, as entidades organizadoras da conferência de soberania financeira divulgaram um documento em apoio ao povo haitiano, confira a íntegra na versão em português: 

Declaração de Apoio e Solidariedade com o Povo do Haiti

Da Conferência Internacional “Soberania Financeira, Dívida, Exploração e Resistências”, nos manifestamos em solidariedade com o povo haitiano na luta pelas suas vidas e por soberania e contra a nova invasão e ocupação planejada pelos Estados Unidos com o apoio da Organização das Nações Unidas –  ONU.

O Haiti atravessa uma grave crise econômica, política e institucional. O país vive cinco anos consecutivos de recessão econômica e enfrenta uma crise de inflação, que ultrapassa os 50% anuais, e uma grave crise cambial com a perda de 3000% do valor da moeda nacional face ao dólar. Tudo isso acompanhado de um congelamento do salário mínimo. Os governos de extrema-direita, impostos pela chamada “comunidade internacional”, destruíram as instituições democráticas. Há dois anos que não existe parlamento e o poder judiciário não funciona. Está claro que as desigualdades se agravaram e 50% da população está em situação de insegurança alimentar.

Esta situação dramática se deve à ação das forças de extrema-direita que controlam o sistema político do país e todas as instituições do Estado desde 2011. A ação das sucessivas missões das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos – OEA, presentes desde 1992, – e incluindo uma ocupação militar em grande escala entre 2004 e 2017 – a MINUSTAH -, foi um fracasso retumbante. Estas missões contribuíram para agravar a crise na sociedade haitiana, enfraquecendo as instituições do Estado, aumentando a dependência política do país. A aplicação das políticas neoliberais impostas pelo Fundo Monetário Internacional – FMI contribuiu para o enfraquecimento do sistema produtivo, criando uma perigosa dependência alimentar e a destruição de empregos, criando as condições objetivas para o florescimento de gangues que exploram a desesperança de um grande número de jovens desempregados e sem perspectivas. Além disso, a MINUSTAH foi autora de graves violações dos direitos básicos do povo haitiano, incluindo violações massivas de mulheres e crianças e a introdução da cólera que matou 40.000 pessoas e infectou 800.000, com enormes danos à economia e ao tecido social.

Esses crimes contra o povo haitiano não devem ficar impunes. Mais do que uma nova ocupação, o Haiti precisa e tem direito à punição dos responsáveis ​​e a indenizações e reparações proporcionais aos crimes cometidos.

Desde 2019, testemunhamos a presença crescente de gangues armadas que exercem violência feroz contra os moradores dos bairros populares da região metropolitana. O recente relatório do Grupo de Peritos do Comitê de Sanções das Nações Unidas, mandado pelo Conselho de Segurança, confirma que estes bandos foram armados por líderes políticos para destruir as mobilizações populares e excluir as classes populares do jogo político. O crescimento do poder destas milícias foi favorecido pelo contexto de privatização e destruição das instituições do Estado, impulsionado pelas opções políticas do FMI e pelas orientações da extrema direita que mantêm laços estreitos com o tráfico de drogas e a economia do crime organizado. Os países imperialistas, a OEA e a ONU, ofereceram apoio total aos sucessivos governos do Partido Haitiano Tèt Kale – PHTK, simultaneamente com a crescente gangsterização do sistema político, que levou ao assassinato do ex-presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021.

Toda luta contra a insegurança deve procurar soluções políticas com a participação da população que, em abril de 2023, lançou processos de autodefesa bem-sucedidos através do movimento “Bwa Kale”. Um elemento estrutural confirmado por vários relatórios de organizações de direitos humanos é que estas gangues recebem um fluxo constante e massivo de armas de guerra e munições dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que este mesmo país aplica um embargo e não vende armas às Forças Públicas haitianas. Existem dois elementos-chave: o fornecimento de armas e munições desde os Estados Unidos e por meio da fronteira com a República Dominicana, e o benefício da impunidade total que os atuais líderes do governo de fato garantem aos membros e líderes destes grupos armados, apesar de todas as evidências da sua responsabilidade na organização de mais de 12 massacres durante o período 2018-2023.

Juntamente com o povo haitiano, queremos soluções reais para os problemas mais urgentes. Isto implica a cessação do apoio oferecido ao PHTK e aos seus aliados que produziram a atual situação caótica, e não uma transição de continuidade garantindo o monopólio do PHTK com o Doutor Ariel Henry. Denunciamos o apoio do FMI ao poder atual e salientamos que as orientações impostas pelas instituições financeiras internacionais – IFIs, particularmente pelo FMI, têm desempenhado um papel determinante na criação do caos com que o poder hegemônico procura impor a aceitação nacional e internacional desta nova ocupação.

Em 2 de outubro, o Conselho de Segurança da ONU adotou a resolução 2699, autorizando o envio de uma “Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti”, repetindo os erros cometidos nas últimas duas décadas. Nós nos opomos a esta nova ocupação militar. A solução para os problemas de insegurança passa pela destruição dos laços orgânicos que existem entre os atualmente responsáveis ​​pelo Executivo de fato, e pela eliminação do fornecimento de armas e munições a partir do território norte-americano.

A ocupação militar visa apoiar o poder de Ariel Henry, primeiro-ministro de fato, oferecer a possibilidade de organizar uma mudança arbitrária na Constituição de 1987 e avançar para a organização de eleições fraudulentas totalmente controladas pela extrema direita.

A polícia queniana, anunciada como a que vai liderar esta nova missão, vai fazê-la de fato sob o controle do governo dos Estados Unidos. Sabemos também que a polícia queniana é conhecida pelas múltiplas violações cometidas contra a população do seu país, incluindo o assassinato de cidadãos quenianos durante manifestações pacíficas.

O Haiti necessita da solidariedade ativa do povo latino-americano para superar as múltiplas crises que o afetam gravemente.

As organizações sociais e políticas do Haiti, no contexto de uma consulta muito ampla, desenvolveram uma proposta coerente e viável conhecida como “Acordos de Montana”, para a implementação de uma transição de ruptura. Exigimos respeito pela autodeterminação do povo haitiano e apoio às soluções elaboradas pelos atores haitianos.

Por um Haiti Livre e Soberano!

São Paulo, Brasil, 25 de outubro de 2023″

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Organizações e movimentos exigem reparação às dívidas financeiras e sociais rumo ao bem viver

Na declaração final da Conferência de Soberania Financeira, realizada de 23 a 25 de outubro em São Paulo, participantes cobram “mudanças profundas nas políticas e estruturas que sustentam esta lógica de exploração, endividamento, pilhagem e dominação (…), rumo a modos de vida baseados na democracia ativa, na justiça e na autonomia do povo para recuperar o sentido coletivo da vida”

Por Redação – Jubileu Sul Brasil

As organizações e movimentos populares participantes da Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências”, realizada na capital paulista, divulgam a declaração final resultado do encontro realizado de 23 a 25 de outubro, numa iniciativa da Rede Jubileu Sul/Américas (JS/A), do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM-AYNA) e do Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL).

O encontro teve como objetivo promover pensamento crítico, estratégias e alternativas ao sistema de endividamento causado por organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para explorar riquezas, impor a agenda neoliberal e interferir na soberania dos países do Sul global. Ao longo dos três dias de debates, houve troca de experiências, propostas e resistências em curso nos territórios de 16 países da América Latina e Caribe.

Na declaração final da conferência, as organizações e movimentos denunciam “o sistema de dívida perpétua, juntamente com o sistema corporativo de comunicação, como uma das ferramentas centrais do processo histórico de dominação, pilhagem e dependência, que continua a se expandir e a se aprofundar de múltiplas formas”. Entre outros, ressaltam que “os povos explorados e saqueados do Sul que devemos nos assumir como sujeitos históricos com capacidade de levar a cabo estas lutas para transformar as nossas realidades, e construir alternativas de soberania e de bem viver”.

Confira a íntegra da declaração (disponível para download no final do texto):

“Reunimos em São Paulo, de 23 a 25 de outubro de 2023, membros de organizações, articulações e movimentos populares de 16 países da América Latina e do Caribe, para trocar realidades, desafios, alternativas e propostas em torno da Soberania Financeira, da Dívida, da Exploração e de nossas Resistências.

Somos parte dos povos da nossa América, Abya Yala, que estamos de pé, lutando de múltiplas formas para defender a vida, nossos direitos e dignidade, os territórios, os corpos e toda a natureza. Ouvimos suas vozes e nos comprometemos a fortalecer nossa solidariedade ativa, especialmente com o povo Avá-Guarani Paranaense em sua exigência por reparações integrais pela desapropriação causada pela construção da mega barragem de Itaipu; com o povo do Haiti frente ao novo projeto de ocupação em curso; com o povo peruano que enfrenta o golpe e a ditadura e exige a implementação de um processo Constituinte; com o povo Garífuna e outros em Honduras diante da expropriação, criminalização, desaparecimentos e assassinatos; com a luta no Panamá contra a mineração; com o povo cubano que não cede na sua política de solidariedade com o mundo, apesar do bloqueio genocida e imoral e da designação do seu país como terrorista; com a defesa da recente decisão popular no Equador de deixar o petróleo enterrado na área de Yasuní.

Afirmamos a nossa solidariedade com as lutas travadas em todo o mundo por uma paz fundada na justiça, na soberania e na autodeterminação, fazendo eco neste momento particularmente com o grito do povo palestino contra o genocídio.

Durante a Conferência, vimos como os nossos povos e países vivem sucessivas crises de governança, culturais, socioecológicas e estruturais, geradas a partir das políticas e empréstimos de grandes bancos, empresas e fundos financeiros multinacionais, apoiados por governos, parlamentos, poderes judiciários e instituições financeiras multilaterais. Denunciamos o sistema de dívida perpétua, juntamente com o sistema corporativo de comunicação, como uma das ferramentas centrais do processo histórico de dominação, pilhagem e dependência, que continua a se expandir e a se aprofundar de múltiplas formas.

Trocamos análises de conjuntura e experiências que nos permitiram tornar visíveis as realidades comuns sobre os processos de dívida pública e privada e a sua relação com o avanço das políticas de ajuste, de mercantilização e financeirização da vida, bem como as tentativas de privatização dos nossos direitos, territórios, bens e corpos. A promoção de parcerias público-privadas, de acordos de comércio livre e de proteção dos investimentos estrangeiros, dos paraísos fiscais e de todas as formas de intervenção do grande capital, perpetuam as dicotomias entre indivíduo-comunidade, homem-mulher, sujeito-natureza e civilização, em detrimento das formas comunitárias de produção, consumo e desperdício harmonizadas com a natureza, bem como da nossa participação e controle democrático nas decisões que afetam a nossa vida e a de todo o planeta.

Constatamos que estes diversos processos de endividamento constituem um elemento estrutural da estratégia de reprodução e acumulação de capital que hoje procura avançar com grande ostentação nas próprias fontes da vida. Vemos como a chamada “economia verde”, por exemplo, com os seus mercados de carbono, trocas de dívidas pela conservação ou ação climática, transições energéticas nas mãos das mesmas potências de sempre, surge como uma falsa solução para a crise ecológica e climática que é fundamentalmente estrutural, e que significa perpetuar o modelo de “desenvolvimento” extrativista, excludente e endividado. Identificamos as diferentes formas como o capital imperial opera em nossos povos, corpos e territórios.

Diante desta realidade, afirmamos que a dívida em todas as suas expressões é ilegítima, ilegal, odiosa, antiética e imoral, por isso NÃO DEVEMOS e NÃO PAGAMOS. Pelo contrário, afirmamo-nos como verdadeiros povos credores, assumindo que a Dívida não é apenas financeira, mas também Histórica, Cultural, de Género, Socioecológica e Democrática. Exigimos o repúdio e o cancelamento das dívidas que não temos e as devidas reparações integrais aos territórios, comunidades e povos que foram e são vítimas destes crimes.

Levantamos a necessidade de articular forças de forma solidária para a construção de Soberanias Populares que se entrelaçam com a recuperação e fortalecimento das Soberanias Territoriais, Culturais e Espirituais; Energética e Alimentar; Política e Financeira. Precisamos descolonizar o poder e construir um contrapoder de baixo para cima, dos povos e dos territórios, enraizado no respeito pelos processos históricos, na memória, na ancestralidade e no trabalho político de cada território, bem como construir e posicionar uma narrativa contra hegemônica baseada em reciprocidade, complementaridade, coletividade e consciência de ser natureza.

Somos os povos explorados e saqueados do Sul que devemos nos assumir como sujeitos históricos com capacidade de levar a cabo estas lutas para transformar as nossas realidades, e construir alternativas de soberania e de bem viver. As soluções não virão das instituições financeiras internacionais – IFIs, nem do G20, nem de governos e instituições estatais que estão cada vez mais distantes das nossas necessidades e direitos. Exigimos mudanças profundas nas políticas e estruturas que sustentam esta lógica de exploração, endividamento, pilhagem e dominação, incluindo a crescente criminalização das lutas e a militarização dos territórios, rumo a modos de vida baseados na democracia ativa, na justiça e na autonomia do povo para recuperar o sentido coletivo da vida.

Neste sentido, propomos continuar fortalecendo nossas experiências de formação para a ação política com estratégias de educação, organização e comunicação popular, articulando-nos para consolidar lutas e resistências, gerar e apoiar campanhas e mobilizações contra o sistema de dominação múltipla de nossos povos, a construção de espaços comuns não competitivos e novas formas coletivas e solidárias de assumir a economia. Reconhecemos a criação de Tribunais Populares como uma valiosa estratégia de mobilização.

São Paulo, 25 de outubro de 2023″.

Íntegra da declaração final:

 

Declaração em espanhol:

Declaracion-Final-CONFERENCIA-INTERNACIONAL_ES

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Agropecuária é a principal causa da devastação das florestas naturais, aponta MapBiomas

A atividade responde por 95% de todo o desflorestamento no período de 1985 a 2022, quando avançou com a abertura de pastagens e o monocultivo, principalmente de soja

Por Redação Rede Brasil Atual

Toninho Tavares/Agência Brasília
O cerrado é o bioma que teve a maior perda (27%), seguido pela Amazônia (13%). Imagem por Toninho Tavares/Agência Brasília

São Paulo – O avanço da agropecuária é a principal causa da devastação das florestas naturais no Brasil, que encolheram 15% nos últimos 40 anos. A atividade responde por quase todo o desfloramento, ou seja, 95%. A constatação é da rede MapBiomas, que analisou dados do período de 1985 a 2022. A cobertura vegetal natural passou de 581,6 milhões de hectares para 494,1 milhões.Os biomas que tiveram mais perdas foram a Amazônia (13%) e o Cerrado (27%).

Pelos cálculos, quase todo o desflorestamento se deu pela transformação de floresta em pastagens e também para a utilização das áreas para cultivo agrícola, principalmente da soja. Esse processo se deu principalmente nas duas primeiras décadas analisadas. E a partir de 2006 houve redução da área desmatada.

Segundo os pesquisadores da rede, porém,a devastação das florestas foi intensificada nos últimos cinco anos, acelerando o processo. A atividade econômica responde por 11% dos 87,6 milhões de hectares perdidos, como mostram os especialistas na Coleção 8 do Mapeamento Anual da Cobertura e Uso da Terra no Brasil.

Formações florestais são as mais destruídas

Os dados revelaram ainda que dois terços da área destruída, ou seja, 58 milhões de hectares, foram de formações florestais. Nessas áreas de vegetação predominam espécies arbóreas e dossel contínuo, como as que prevalecem na Amazônia e na Mata Atlântica. O Pampa foi o único em que o patamar se manteve estável, mesmo com o passar dos anos.

As florestas alagáveis também fazem parte da paisagem da Amazônia e passaram a ser monitoradas pelo MapBiomas neste ano. Essas florestas são caracterizadas por se formar nas proximidades de cursos d’água. Nesse caso, no intervalo de quase 40 anos, foram perdidos 430 mil hectares, que ocupavam 18,8 milhões de hectares ou 4,4% do bioma em 2022.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Conferência Internacional sobre Soberania Financeira começa dia 23, em São Paulo

Encontro reúne organizações, ativistas, academia e comunidades afetadas na América Latina e no Caribe, debatendo alternativas de soberania, bem viver e defesa dos corpos e territórios

Por Redação – Jubileu Sul Brasil

Estão abertas as inscrições para a Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências”, que se realiza no centro da cidade de São Paulo, nos dias 23, 24 e 25 de outubro (segunda a quarta-feira). Participe e faça inscrição preenchendo o formulário.

O objetivo central do encontro é promover um espaço compartilhado entre organizações, ativistas, academia e comunidades afetadas na América Latina e no Caribe para produzir conhecimento crítico sobre as formas e consequências do endividamento e da financeirização, além de debater a construção de alternativas para soberania, bem viver e defesa dos corpos e territórios. Também visa somar aliados, estratégias e iniciativas que confrontem o modelo produtivo atual, além de exigência de reparação integral da dívida histórica, social e ecológica.

O encontro internacional visa ainda debater o problema da financeirização-extrativismo e seus impactos sobre os corpos, territórios e a natureza; as experiências frente à exploração extrativista, aos megaprojetos e à privatização de bens comuns e públicos. 

A soberania é o tema central da conferência inaugural, em 23 de outubro. No dia seguinte, a programação segue com reflexões e debates em grupo para contextualizar as diferentes realidades enfrentadas nos países da região. Fechando a programação, o foco do terceiro e último dia é definir pautas comuns, estratégias, alternativas e diretrizes coletivas de atuação (confira a programação detalhada no final do texto).

A Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências” é realizada por três entidades:

  • Jubileu Sul/Américas (JS/A), uma rede ampla e plural de movimentos sociais, organizações populares, ecumênicas, de mulheres e de direitos humanos, que atua na América Latina e Caribe, unidos numa mobilização global contra a dominação causada pelo sistema de dívidas – por exemplo, dívidas contraídas com bancos privados, Instituições Financeiras Internacionais (IFIs) e organizações multilaterais, como o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional Fundo (FMI);
  • Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM-AYNA): rede internacional composta por membros de comitês locais baseados na Europa, América Latina e Ásia, que tem trabalho principal, a partir do problema da dívida, a realização e desenvolvimento de alternativas radicais para alcançar a satisfação universal das necessidades, liberdades e direitos humanos fundamentais;
  • Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL): movimento de educação popular que, como rede, atua e acompanha processos de transformação educacional, social, política, cultural e econômica das sociedades latinoamericana e caribenha, nos cenários local, nacional e regional, a partir da perspectiva dos direitos humanos, da equidade de gênero, da interculturalidade crítica e de uma opção ética, pedagógica e política emancipatória. 

A Rede Jubileu Sul Brasil (JSB), organização membro da Rede JS/A, é a anfitriã da conferência na capital paulista.

Programação

23 de outubro (segunda-feira)
14h-15h: Credenciamento
15h-15h30: Mística de abertura – Altar de resistência dos povos
15h30-18h: Plenária inaugural: Os desafios da soberania financeira na América Latina e no Caribe hoje
Painelistas: Martha Flores (Secretaria JS/A, Nicarágua), Talita Guimarães (Ação Social Franciscana – Sefras, Brasil) e Mercedes Canese (Campanha Itaipu 2023 Causa Nacional, Paraguai)
Mediação: Rosilene Wansetto (JSB, Brasil)

24 de outubro (terça-feira)
9h-10h: Painel “Dívida, dominação e democracia”
Contexto geral da dívida e suas formas de dominação; crise socioecológica e crise política
Painelistas: Blanca Chancosa (Equador), Sandra Quintela (JSB, Brasil) e Kandis Sebro (Sindicato dos Trabalhadores em Campos Petrolíferos, Trinidade e Tobago)
10h15-11h30: Comentários e avaliações do painel inicial
11h30-11h45: Orientação metodológica para trabalhos em grupo

11h45-13h: Primeira parte dos trabalhos em grupo
Grupo 1: Financeirização, crises e endividamento público
– Autoconvocatoria para Suspensão de Pagamento e Investigação de Dívida.
Participação:  Campanha nacional e popular contra a dívida e o FMI (nome a confirmar)
– Megacorporações e mega grupos financeiros. Fraudes geradas pelo setor financeiro privado
Painelista: William Gaviria (Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo – CADTM, Colômbia)
Mediação: Maria Elena Saludas (CADTM, Argentina)

Grupo 2 – Dívida ecológica e a arquitetura da impunidade
– Estratégia comunitária de gestão florestal e territorial (MCST) para promover a soberania alimentar, povos indígenas, agricultores, pescadores.
Painelista: Johana Peña (CENSAT Agua Viva, Colômbia)
– Experiência em defesa da água: Bacia San Simón no município de Mercedes Umaña
Painelista: Susana Castro (Rede de Ambientalistas Comunitários de El Salvador – Racdes)
– A consulta nacional para deixar o petróleo bruto no subsolo do bloco ITT do Parque Nacional Yasuní desde a perspectiva da dívida ecológica
Painelista: Aurora Donoso (Acción Ecológica, Equador)
– Os Ava Guarani do estado do Paraná, guardiões da água desalojados pela hidrelétrica de Itaipu
Painelista: Juan Cristóbal Martínez (Tekoha Sauce, Paraguai)
Mediação: Vladimir Lima (JS/A, Brasil)

Grupo 3 – A descolonização do poder
– Experiência de Cuba contra o império
Painelista: Julia Fernández (Centro Martin Luther King, Cuba)
– Sistema de poupança comunitária para mulheres que lutam contra a violência
Painelista: Silvia Dominguez (DAUGE, México)
– Povos indígenas e mulheres diversas contra a ditadura no Peru
Painelista: Zenaida Elizabeth Medrano (Marcha Mundial de Mulheres Macro Norte, Peru)
Mediação: Elisiane Jahn (CEAAL, Brasil)

13h-14h30: Almoço
14h30-15h45: Continuação dos trabalhos em grupo
16h-18h: Socialização dos trabalhos em grupo
Mediação: Maria Elena Saludas (CADTM, Argentina), Elisiane Jahn (CEAAL, Brasil) e Vladimir Lima (JS/A, Brasil)

25 de outubro (quarta-feira)
9h-9h20: Mística
9h20-9h50: Devolutiva e balanço dos dias anteriores
Mediação: Rode Murcia (Coordenação Nacional de Mulheres Indígenas e Negras de Honduras – CONAMINH) e Mercedes Canese (Campanha Itaipu 2023 Causa Nacional, Paraguai)

9h50-10h50: Painel “Alternativas, Estratégias e Ações Comuns”
Alternativas, campanhas e iniciativas em curso no nível regional e mundial; cenários de luta e perspectivas futuras
Painelistas: Elisiane Jahn (CEAAL – Brasil), Rodolfo Bejarano (Rede Latinoamericana por Justiça Econômica e Social – Latindadd, Peru), Padre Dário Bosi (Red Iglesias y Minería, Colômbia), representantes da Rede Jubileu Sul/Américas, CADTM e da Alba Movimentos-Assembleia Internacional dos Povos – ALBA/AIP
Mediação: Julia Fernández (Centro Martin Luther King, Cuba)

11h20-12h30: Reflexão coletiva
A partir da tarefa atual e das experiências próprias, refletir sobre as alternativas, lutas e iniciativas apresentadas no painel. 

12h30-14h: Almoço

14h-15h30: Trabalho em grupo “Alternativas, Estratégias e Ações Comuns”
15h30-17h15: Plenária de socialização dos grupos de trabalho temáticos
17h30-18h15: Mesa de encerramento: Rumo à Soberania e ao Bom Viver.
18h15-18h30: Leitura da declaração final da conferência

19h30: Encontro de movimentos sociais em solidariedade ao Haiti
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – República

SERVIÇO
Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências”
23, 24 e 25 de outubro de 2023
São Paulo – SP
Inscrições: https://bit.ly/ConferenciaSoberania2023
Para saber mais: https://jubileosuramericas.net/ e https://jubileusul.org.br/

Agendamento de entrevistas e outras informações:
Comunicação Jubileu Sul Brasil e Jubileu Sul/Américas
Jucelene Rocha – 55 11 98694-1616
Flaviana Serafim – 55 11 98835-4285
Maraegretta García Espinoza – 505 7888 8474

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Jubileu Sul/Américas rumo à VI Assembleia Regional

Encontro na capital paulista, de 26 a 29 de outubro, reúne representantes das organizações membro presentes em mais de 20 países da América Latina e Caribe. Em pauta, a definição do plano estratégico para o próximo período, além do fortalecimento das lutas e resistências a partir dos corpos e territórios

Por Redação Jubileu Sul/Américas, com edição do Jubileu Sul Brasil

A Rede Jubileu Sul/Américas (JS/A) e suas organizações membro, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil (JSB), se reúnem para a VI Assembleia Regional, que se realiza na cidade de São Paulo, de 26 a 29 de outubro (quinta a domingo).  

A VI Assembleia Regional terá a presença de representantes das organizações membros da Rede JS/A presentes em mais de 20 países da América Latina e do Caribe, em um encontro do coletivo para renovar forças e esperança nestes 24 anos de caminhada conjunta do Jubileu Sul/Américas. 

O momento é de avaliação do progresso da agenda comum e de definição do plano estratégico da Rede JS/A para o próximo período, considerando os cenários sociopolíticos da região e os impactos que as dívidas estão causando nos corpos e territórios, sobretudo nos países que estão em crise sociopolítica, econômica e sob ameaça à democracia e à soberania. Visa ainda fortalecer as lutas e resistências a partir dos povos e territórios. 

A VI Assembleia Regional é restrita às organizações membro da Rede JS/A. 

Soberania financeira

Antecedendo a assembleia, também se realiza na cidade de São Paulo a Conferência Internacional “Soberania Financeira: Dívida, Exploração e Resistências”, de 23 a 25 de outubro, numa atividade aberta à participação do público externo. O objetivo do evento é refletir sobre as formas e consequências do endividamento e da financeirização como ferramentas de pilhagem e domínio; o respeito aos direitos dos povos e da natureza, e sobre a construção de alternativas urgentes de soberania e defesa dos territórios. 

A soberania é o tema central da conferência inaugural, em 23 de outubro. No dia seguinte, a programação segue com reflexões e debates contextualizando as diferentes realidades enfrentadas nos países participantes. Fechando a programação, no terceiro dia o foco é a definição de pautas comuns, estratégias e alternativas aos problemas, a partir dos quais serão definidas diretrizes coletivas de atuação. 

O encontro reúne organizações, ativistas, acadêmicos, movimentos sociais e comunidades afetadas na América Latina e Caribe. Para participar é necessário inscrição prévia, preenchendo o formulário.

Para agendamento de entrevistas e outras informações:
Comunicação Jubileu Sul Brasil e Jubileu Sul/Américas:
Jucelene Rocha – 55 11 98694-1616
Flaviana Serafim – 55 11 98835-4285
Maraegretta García Espinoza – 505 7888-8474

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil