Territórios e povos organizados, realidade e esperança no Chile

Queremos cumprimentar os lutadores e lutadoras chilenos, movimentos sociais e populares, e todos os povos que coabitam o território do Chile que desencadearam a rebelião popular de outubro 2019 em resposta à grande crise de representação e de legitimidade que viveu e ainda vive no país, obrigando as classes dominantes a gerar uma saída institucional para a crise, por meio da Convenção Constitucional que escreveria uma nova Carta Magna.

No último fim de semana, o povo chileno expressou suas posições nas urnas, derrotando a direita conservadora e os partidos neoliberais, conseguindo obter a maioria na Convenção Constitucional. Desta forma, a Convenção será composta em grande parte por candidatos independentes de partidos políticos subservientes ao empresariado.

As 83 listas de candidatos independentes conquistaram mais cadeiras do que as três listas dos maiores partidos do país. Juntas, as candidatas e candidatos independentes somam 47 cadeiras na Assembleia. É uma vitória! E, claro, encoraja e dá esperança para aqueles e aquelas que lutam em nossa América Latina e Caribe.

Uma mudança que vem sendo exigida em um processo coletivo de organização popular que no fim de semana pôde ver resultados positivos, a necessidade de uma mudança na constituinte foi confirmada no Chile com a entrega de poder efetivo a quem pode liderar melhor o país, quem está na linha de frente que impulsiona a mudança: os independentes e os de esquerda. Uma esquerda que é fruto dos novos movimentos sociais que aí estão crescendo e que nunca deixaram de estar nos territórios.

Por isso, também queremos celebrar junto com o povo chileno este resultado que tem sido celebrado por todas, todes e todos em nossa América Latina e Caribe. Sabendo que a direita não atingiu um terço das cadeiras, a população pede mudanças votando em candidatos e candidatas, deputados e deputadas independentes, permitindo a construção de uma nova constituição, efetivamente abandonando a Constituição herdada pela ditadura de Pinochet.

Vontade de mudar que não se traduz apenas no voto, mas principalmente nas organizações sociais e populares que se encarregam de resolver as necessidades das comunidades, que se mobilizam e lutam contra o extrativismo predatório e a precariedade da vida, com as quais denunciam a violação de direitos humanos e exigem prisão e punição para os responsáveis ​​políticos por essas violações.

As convenções independentes eleitas são 32% dos 155 membros da Convenção. Onde a maioria das mulheres foi eleita, mas sob o sistema de paridade, elas tiveram que ceder cargos a alguns candidatos do sexo masculino. Os indígenas são 11%. Onde está a dirigente e Machi Mapuche Francisca Linconao, que alcançou o maior número de votos expressos segunda-feira (17) nesta comunidade ancestral durante a eleição dos membros da Convenção Constituinte.

Os independentes tinham orçamentos apertados e quase não tinham tempo de televisão, mas conseguiram um terço dos votos, demonstrando a corrosão do sistema partidário dentro da convenção. Entre as cadeiras dos povos indígenas, os da direita foram derrotados e os indígenas da esquerda venceram.

Esperamos que uma nova Constituição possa garantir que as vozes dos povos sejam ouvidas e garantir a vida digna, a soberania e autodeterminação.

Assim como também esperamos que este processo democrático possa se desenvolver, não sem antes encontrar justiça para as vítimas do terrorismo de Estado de Sebastián Piñera e a liberdade dos presos políticos, porque nenhuma democracia pode ser construída sem antes acabar com tal impunidade.

Julgamento e punição de Piñera!
Liberdade aos presos políticos!
Adiante a organização e a luta dos povos do Chile!

A Vida acima da dívida!
Nós somos os povos, os credores!
Não devemos, não pagamos!

Jubileu Sul/Américas
Jubileu Sul Brasil

Fuente: Jubileu Sul Brasil

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